Morre Jorge Messi, pai do jogador Lionel Messi, aos 68 anos na Argentina

Empresário e principal conselheiro da carreira do craque morreu na noite de sexta-feira, em Rosário; causa da morte não foi divulgada
Por Schirley Passos|GNEWSUSA

Jorge Horacio Messi, pai de Lionel Messi, morreu aos 68 anos na noite da última sexta-feira (8), em Rosário, na Argentina. A causa da morte não foi informada.

Empresário, agente e um dos principais responsáveis pela carreira do craque argentino, Jorge acompanhou de perto os principais momentos da trajetória do filho, desde os primeiros passos no futebol até a consolidação como uma das maiores estrelas da história do esporte.

Jorge não viajou para os Estados Unidos durante a Copa do Mundo de 2026. Durante o Mundial, inclusive, a família de Messi precisou desmentir rumores sobre a morte do pai do jogador.

O estado de saúde de Jorge ganhou atenção durante a competição. Na estreia da Argentina, em 17 de junho, Messi marcou três gols na vitória por 3 a 0 sobre a Argélia e chorou após a partida. Naquele momento, seu pai estava internado em Buenos Aires.

“A verdade é que se trata de uma questão completamente alheia ao esporte. Passei por alguns dias difíceis e complicados, mas sou grato a toda a delegação, a todos os meus companheiros de equipe, porque eles sempre estiveram ao meu lado, me dando muita força para superar isso, e é só isso”, disse Messi após a partida.

A morte de Jorge provocou manifestações de pesar na Argentina. O Newell’s Old Boys, clube pelo qual Lionel Messi atuou na infância e que é uma das grandes paixões da família, publicou uma homenagem ao empresário.

“O Club Atlético Newell’s Old Boys se despede com profunda tristeza e pesar de Jorge Messi, que faleceu aos 68 anos na cidade de Rosário”, publicou o clube, destacando a importância do pai na formação e na carreira do capitão da seleção argentina.

O pai que acompanhou os primeiros passos de Messi

Nascido em 1958, no bairro de Las Heras, em Rosário, Jorge Messi era filho de espanhóis. Durante grande parte da vida, trabalhou como supervisor em uma siderúrgica. Foi nesse período que conheceu Celia Cuccittini, com quem se casou em 1978.

O casal teve quatro filhos: Rodrigo, Matías, Lionel e María Sol.

O futebol fazia parte da rotina da família, e Jorge teve participação direta nos primeiros passos de Lionel. Ainda criança, Messi começou a jogar no Abanderado Grandoli, pequeno clube de Rosário onde recebeu os primeiros ensinamentos do pai.

Jorge percebeu rapidamente que o filho tinha características especiais.

“Aos quatro anos, já notávamos que ele era diferente. Ele fazia dribles e mantinha a bola equilibrada na ponta da chuteira, não conseguíamos acreditar. Um pouco mais velho, jogava com os irmãos, que são sete e cinco anos mais velhos que ele, e os superava. É um dom, é algo com que ele nasceu”, afirmou ao jornal “El Gráfico”, em 2003.

Depois de deixar o Grandoli, Lionel passou a defender o Newell’s Old Boys. Foi no clube de Rosário que o garoto permaneceu dos sete aos 13 anos e chamou a atenção pelo talento.

Nesse período, porém, a família enfrentou um dos maiores obstáculos da infância do jogador. Messi foi diagnosticado com uma deficiência do hormônio do crescimento e precisava de um tratamento que custava cerca de US$ 900 por mês.

O plano de saúde ajudou inicialmente, mas não conseguiu manter os pagamentos por tempo suficiente. Jorge então passou a procurar alternativas para garantir a continuidade do tratamento.

O Newell’s não assumiu integralmente os custos, enquanto o River Plate também recusou a contratação do garoto. Diante do cenário, Jorge decidiu buscar uma oportunidade no futebol europeu.

A mudança para Barcelona

O Barcelona já acompanhava o desenvolvimento de Lionel Messi, e a família decidiu viajar para a Espanha. A mudança foi cercada de incertezas: o clube catalão ainda avaliava se valeria a pena assumir os custos do tratamento e apostar em um adolescente que estava deixando a Argentina.

Jorge permaneceu ao lado do filho durante o processo de adaptação. Celia chegou a retornar para Rosário, enquanto Lionel continuou na Espanha.

A definição da contratação aconteceu depois de uma reunião entre Jorge e Carles Rexach, então diretor esportivo do Barcelona. O primeiro compromisso entre as partes foi registrado em um guardanapo, documento que décadas depois se tornou um símbolo da história do craque.

Em 2024, o pedaço de papel foi vendido por aproximadamente R$ 4,9 milhões.

Jorge também passou a receber um salário do Barcelona, o que permitiu sua permanência legal na Espanha e a companhia ao filho, que ainda era menor de idade.

“Ele sempre jogou por diversão e ficávamos felizes em vê-lo jogar, não porque achávamos que ele seria um grande sucesso, mas simplesmente porque ele gostava e jogava bem”, contou Jorge ao jornalista Bruno Pisano, autor do livro “My Son the Soccer Player”.

Além de cuidar da carreira do filho no futebol de clubes, Jorge teve papel importante na decisão de Lionel Messi de defender a seleção argentina.

O desempenho do jovem no Barcelona despertou o interesse da Espanha, que estudava a possibilidade de naturalizar o jogador para levá-lo às suas seleções de base.

Jorge, porém, trabalhou para que o filho tivesse a oportunidade de representar o país onde nasceu. Ele reuniu imagens dos melhores momentos de Lionel e enviou o material a Hugo Tocalli, então treinador das categorias de base da Argentina.

O contato com a Associação do Futebol Argentino (AFA) continuou até que Messi fosse chamado para defender a seleção.

Em 29 de junho de 2004, Lionel estreou pela Argentina sub-20 em um amistoso contra o Paraguai. A partir dali, começou uma trajetória que culminaria na conquista da Copa do Mundo de 2022 e em outros grandes títulos com a seleção.

De pai e agente a gestor do império Messi

Com a transformação de Lionel Messi em uma estrela mundial, Jorge também ampliou sua atuação nos bastidores. Ele passou a participar das negociações de contratos, dos acordos comerciais e da administração da marca do filho.

Apesar da enorme exposição de Lionel, Jorge manteve um perfil discreto e raramente aparecia na imprensa.

A carreira do craque em Barcelona, Paris Saint-Germain e Inter Miami transformou seu nome em uma das marcas mais valiosas do esporte mundial.

Segundo a Forbes, Messi tinha patrimônio estimado em US$ 11,9 milhões quando apareceu pela primeira vez na lista da revista, em 2008. Em 2026, o valor estimado chegou a US$ 1,1 bilhão.

O grupo ligado ao jogador também expandiu seus investimentos para além do futebol. Em abril de 2026, a empresa de Messi adquiriu a propriedade integral do UE Cornellà, da Espanha. O craque também é sócio do LSM, clube criado no Uruguai em parceria com Luis Suárez.

A carteira comercial de Messi inclui ainda contratos com grandes empresas internacionais. O jogador mantém vínculo vitalício com a Adidas, é embaixador global da Mastercard e possui participação em receitas relacionadas ao MLS Season Pass, serviço de streaming da liga norte-americana desenvolvido em parceria com a Apple.

Condenações por problemas fiscais

A trajetória de Jorge também foi marcada por episódios judiciais relacionados às finanças do filho.

Em 2016, Lionel e Jorge Messi foram condenados na Espanha a 21 meses de prisão por fraude fiscal envolvendo € 4,1 milhões em impostos, referentes ao período entre 2007 e 2009.

As penas acabaram convertidas em multas. Lionel pagou € 252 mil, enquanto Jorge foi condenado ao pagamento de € 180 mil. A participação de Jorge no processo também foi considerada pelas autoridades espanholas na definição da pena.

Em 2019, pai e filho voltaram a ser investigados, desta vez por suspeitas relacionadas às finanças da Fundação Leo Messi Argentina. O caso foi arquivado pelo Ministério Público após dois anos de investigação.

Um papel decisivo na trajetória do craque

Durante décadas, Jorge Messi esteve nos bastidores de uma das carreiras mais vitoriosas da história do futebol. Foi ele quem acompanhou Lionel desde os campos de Rosário, buscou alternativas para o tratamento médico do filho, participou das negociações que o levaram ao Barcelona e trabalhou para garantir que o craque defendesse a seleção argentina.

Mais do que empresário e agente, Jorge foi uma presença constante na trajetória pessoal e profissional de Lionel Messi.

Aos 68 anos, sua morte encerra a história de um homem que, longe dos holofotes, teve participação fundamental na construção do caminho que levou seu filho ao topo do futebol mundial.

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