Washington pretende ampliar a ofensiva contra organizações do narcotráfico, com possíveis ações em terra realizadas em parceria com governos da região
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
Os Estados Unidos planejam ampliar sua campanha militar de combate ao narcotráfico na América Latina e avaliam realizar operações diretamente em território terrestre de países da região. A estratégia foi anunciada pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, durante uma visita ao Panamá.
A iniciativa representa uma mudança significativa em relação às ações realizadas até agora. Desde setembro do ano passado, as forças americanas vêm conduzindo ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas em águas internacionais do Caribe e do Oceano Pacífico. Segundo informações divulgadas pela imprensa, essas operações já provocaram mais de 200 mortes.
De acordo com Hegseth, Washington pretende levar a mesma estratégia para o território terrestre, com operações coordenadas com países que integram a coalizão antidrogas liderada pelos Estados Unidos. A Colômbia, por exemplo, anunciou uma aproximação militar com os americanos e passou a integrar formalmente a iniciativa conhecida como “Escudo das Américas”.
O governo americano afirma que o objetivo é combater organizações classificadas por Washington como redes de “narcoterrorismo”. A estratégia inclui ações militares conjuntas, operações de inteligência e o emprego de recursos utilizados pelos Estados Unidos em campanhas contra grupos considerados terroristas em outras regiões do mundo.
A possibilidade de operações em solo, porém, aumenta as preocupações sobre soberania nacional e sobre os riscos de uma escalada militar na América Latina. A situação também pode gerar novos atritos diplomáticos entre Washington e governos que rejeitam a presença de tropas americanas em seus territórios.
O Brasil está entre os países que não aderiram à coalizão liderada pelos Estados Unidos. O governo brasileiro mantém uma posição contrária à utilização de forças militares estrangeiras para combater organizações criminosas dentro do território nacional e defende que o enfrentamento ao crime organizado seja conduzido pelas próprias autoridades brasileiras, ainda que com cooperação internacional.
A ampliação da ofensiva americana ocorre em um momento de crescente presença militar dos Estados Unidos na América Latina e de aproximação com governos dispostos a cooperar diretamente com Washington no combate ao narcotráfico. A possibilidade de incursões terrestres coloca a região diante de um novo cenário de tensão, no qual o combate às organizações criminosas passa a envolver questões militares, diplomáticas e de soberania nacional.
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