FDA amplia alerta sobre jalapeños após surto de Salmonella atingir 27 estados nos EUA

Recall já alcança molhos, guacamole, pico de gallo e outros alimentos preparados; autoridades identificaram jalapeños cultivados no México como provável origem da contaminação
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

WASHINGTON — A Food and Drug Administration (FDA) e os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) ampliaram o alerta sobre um surto de Salmonella associado a jalapeños frescos distribuídos nos Estados Unidos. Segundo a atualização mais recente das autoridades de saúde, publicada em 13 de agosto, 345 pessoas em 27 estados adoeceram e 36 foram hospitalizadas. Até o momento, não houve registro de mortes relacionadas ao surto. A investigação aponta para jalapeños cultivados no estado mexicano de Sinaloa e distribuídos nos Estados Unidos pela empresa Coast Citrus Distributors.

O alerta ganhou uma nova dimensão porque a contaminação não está restrita às pimentas comercializadas individualmente. Produtos preparados que utilizaram os jalapeños como ingrediente também estão sendo retirados do mercado. Entre eles estão guacamole, salsa, pico de gallo, molhos, sanduíches, burritos, saladas, wraps e outros alimentos prontos para consumo. A FDA informou que novos recalls estão sendo realizados à medida que os produtos feitos com os jalapeños potencialmente contaminados são identificados.

Whole Foods retira produtos das prateleiras

Um dos alertas mais recentes envolve a Whole Foods Market, que anunciou em 12 de agosto o recall de diversos alimentos das áreas de hortifrúti e comidas preparadas. A medida envolve produtos que contêm jalapeños fornecidos pela Coast Citrus Distributors e foi adotada devido ao risco potencial de contaminação por Salmonella.

Entre os produtos recolhidos estão diferentes variedades de guacamole, pico de gallo, salsa e outros alimentos preparados. Os itens foram comercializados pela internet e em lojas localizadas em Arkansas, Illinois, Indiana, Iowa, Kentucky, Louisiana, Michigan, Missouri, Ohio, Oklahoma, Texas e Wisconsin.

Os produtos envolvidos possuem datas de validade ou consumo preferencial que vão, dependendo do item, de 7 a 16 de agosto de 2026. A lista oficial da FDA inclui códigos específicos dos produtos, permitindo que consumidores verifiquem se algum alimento comprado está entre os itens recolhidos.

A orientação para quem comprou um dos produtos incluídos no recall é clara: não consumir o alimento. A FDA orienta que o produto seja descartado ou levado a uma loja Whole Foods, acompanhado de um recibo válido, para obtenção do reembolso. Até a atualização oficial, a empresa informou que não havia conhecimento de casos de doença diretamente associados aos produtos recolhidos pela rede.

Recall também envolve produtos vendidos em grandes redes

O problema se estende além da Whole Foods. A FDA também registra um recall realizado pela Taylor Fresh Foods, que retirou do mercado produtos preparados que continham os jalapeños envolvidos na investigação.

A lista inclui alimentos comercializados em redes como Hannaford, Kroger, Stop & Shop, Target, Trader Joe’s, Walmart e Whole Foods, entre outras. Os produtos foram distribuídos para centros de varejo em dezenas de estados, e alguns apresentam datas de validade que chegam até 16 de agosto de 2026.

Entre os itens identificados pelas autoridades estão jalapeños cortados, burritos, molhos, dips, pico de gallo, guacamole, sanduíches e outros alimentos preparados.

A Taylor Fresh Foods informou à FDA que deixou de adquirir produtos do produtor identificado na investigação e passou a utilizar fornecedores alternativos. A companhia também declarou que, até o momento do anúncio do recall, não tinha conhecimento de casos de doença relacionados diretamente aos seus produtos contendo jalapeños.

De onde veio a contaminação?

A investigação conduzida pela FDA, CDC e autoridades estaduais e locais utilizou dados epidemiológicos, rastreamento da cadeia de distribuição e análises laboratoriais.

As informações disponíveis apontam para jalapeños cultivados em Sinaloa, no México, que foram distribuídos nos Estados Unidos pela Coast Citrus Distributors. De acordo com o CDC, os dados epidemiológicos e de rastreamento identificaram essa cadeia de fornecimento como a fonte do surto.

A investigação começou depois que autoridades identificaram pessoas infectadas pela mesma cepa de Salmonella. O sequenciamento genético realizado pelo sistema PulseNet, do CDC, mostrou que as bactérias encontradas em amostras de pacientes eram geneticamente muito próximas, reforçando a hipótese de uma fonte comum de contaminação.

Surto já alcança 27 estados

Os 345 casos confirmados estão distribuídos por 27 estados americanos. O CDC informa que as doenças começaram entre 19 de junho e 20 de julho de 2026, embora o número real de pessoas afetadas possa ser maior.

Isso ocorre porque nem todas as pessoas infectadas procuram atendimento médico ou realizam exames laboratoriais. Além disso, casos recentes podem levar semanas para serem associados oficialmente a um surto.

Os estados com casos registrados são Alabama, Arkansas, Califórnia, Colorado, Geórgia, Illinois, Indiana, Kansas, Kentucky, Louisiana, Michigan, Minnesota, Missouri, Montana, Carolina do Norte, Dakota do Norte, Nebraska, Ohio, Oklahoma, Carolina do Sul, Tennessee, Texas, Utah, Virgínia, Washington e Wisconsin.

O CDC também identificou 27 agrupamentos de casos associados a restaurantes Chipotle e QDOBA em sete estados. Entre as pessoas entrevistadas, 177 de 191 — cerca de 93% — disseram ter consumido alimentos em restaurantes de estilo mexicano antes de adoecer. Entre os ingredientes frequentemente mencionados estavam jalapeños, cebola roxa, coentro e abacate.

Após serem informadas sobre a investigação, Chipotle e QDOBA interromperam o uso dos jalapeños afetados. O CDC e a FDA afirmam que, devido à retirada desses produtos, não consideram que exista atualmente um risco contínuo associado a esses estabelecimentos dentro deste surto específico.

Quais são os sintomas da Salmonella?

A salmonelose é uma infecção bacteriana que pode provocar principalmente diarreia, febre e cólicas ou dores abdominais. Segundo o CDC, os sintomas geralmente começam entre seis horas e seis dias após a ingestão da bactéria.

Na maioria dos casos, a pessoa se recupera sem tratamento específico em aproximadamente quatro a sete dias. Entretanto, algumas infecções podem evoluir de forma mais grave e exigir atendimento médico ou hospitalização.

O risco de complicações é maior entre crianças menores de cinco anos, adultos com 65 anos ou mais e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido. A FDA também alerta que, em situações mais graves, a bactéria pode atingir a corrente sanguínea e provocar complicações potencialmente sérias.

O CDC recomenda procurar atendimento médico diante de sinais de gravidade, como diarreia acompanhada de febre superior a 102°F (aproximadamente 38,9°C), diarreia por mais de três dias sem melhora, presença de sangue nas fezes, vômitos que impeçam a ingestão de líquidos ou sinais de desidratação.

O que os consumidores devem fazer?

A orientação das autoridades é que consumidores verifiquem se possuem em casa algum dos produtos incluídos nos recalls relacionados aos jalapeños.

A recomendação é não consumir os alimentos recolhidos, mesmo que apresentem aparência, cheiro ou sabor normais. Produtos contaminados podem não apresentar alterações perceptíveis.

Quem tiver jalapeños frescos relacionados ao recall também deve descartá-los. A FDA recomenda ainda limpar e higienizar cuidadosamente superfícies, recipientes, utensílios e outros objetos que possam ter entrado em contato com o alimento contaminado, reduzindo o risco de contaminação cruzada.

Para estabelecimentos comerciais, restaurantes e empresas de alimentação, a orientação é não vender nem servir os jalapeños recolhidos e realizar a higienização das superfícies que tiveram contato com eles.

Investigação continua

Apesar da identificação da cadeia de fornecimento considerada responsável pelo surto e da retirada de diversos produtos do mercado, a investigação ainda não foi encerrada.

A FDA informou que continua trabalhando para identificar produtos que possam conter os jalapeños envolvidos e que novas informações ou recalls poderão ser divulgados conforme o trabalho de rastreamento avance.

O episódio também chama atenção para um desafio importante da segurança alimentar nos Estados Unidos: um único ingrediente utilizado por diferentes fabricantes, restaurantes e redes varejistas pode fazer com que uma contaminação se espalhe por uma cadeia extensa de produtos.

No caso atual, o alerta começou com os jalapeños frescos, mas rapidamente alcançou alimentos preparados que chegam ao consumidor com diferentes marcas e formatos. Por isso, as autoridades americanas recomendam que consumidores consultem as listas oficiais de recalls antes de consumir produtos que possam conter os ingredientes envolvidos.

Até a atualização mais recente do FDA e do CDC, eram 345 casos, 36 hospitalizações e nenhuma morte confirmada. As autoridades continuam monitorando a situação e poderão ampliar os recalls caso novos produtos sejam vinculados aos jalapeños contaminados.

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