Homem na faixa dos 60 anos é o terceiro caso humano confirmado no estado em 2026; autoridades reforçam cuidados contra picadas de mosquitos, especialmente entre idosos e pessoas imunocomprometidas
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Massachusetts confirmou o terceiro caso humano de vírus do Nilo Ocidental (WNV, na sigla em inglês) em 2026, desta vez em um morador de Boston. O paciente é um homem na faixa dos 60 anos e representa o primeiro caso humano registrado na cidade neste ano. A confirmação ocorre em um momento de intensa circulação do vírus entre mosquitos e mantém o nível de risco considerado alto em Boston e em comunidades próximas.
A informação foi divulgada pela Comissão de Saúde Pública de Boston (BPHC) nessa semana. Segundo a agência, o diagnóstico é o terceiro caso humano registrado entre moradores de Massachusetts nesta temporada. Os dois casos anteriores haviam sido identificados no Condado de Middlesex: o primeiro em um homem na faixa dos 90 anos e o segundo em um homem na faixa dos 60 anos.
O cenário preocupa as autoridades porque a confirmação do caso em Boston ocorre paralelamente à identificação de numerosos mosquitos infectados em diferentes bairros da cidade. A vigilância entomológica realizada durante o verão encontrou amostras positivas em áreas como Jamaica Plain, Dorchester, Mattapan, Hyde Park, South Boston, Allston, Charlestown, East Boston, Roslindale, West Roxbury e Brighton.
De acordo com a BPHC, uma das amostras mais recentes foi coletada em 18 de agosto em Hyde Park e West Roxbury. A cidade mantém armadilhas para mosquitos e realiza testes regularmente durante o verão e o início do outono para acompanhar a circulação do vírus.
Boston entra no centro das atenções
O aparecimento do primeiro caso humano em Boston não foi uma surpresa completa para as autoridades sanitárias. O vírus já havia sido detectado em mosquitos na cidade desde julho, quando uma amostra coletada em Jamaica Plain apresentou resultado positivo.
Na época, a BPHC informou que o risco de transmissão ainda era considerado baixo. Desde então, novas amostras positivas foram identificadas em diferentes regiões da cidade, indicando uma presença mais ampla do vírus na população de mosquitos.
O Departamento de Saúde Pública de Massachusetts elevou o nível de risco para alto em Boston e também em Brookline, Cambridge, Everett, Newton, Somerville e Watertown. A classificação considera não apenas os casos humanos, mas também a localização das pessoas expostas e os resultados acumulados da vigilância de mosquitos.
O Estado disponibiliza ainda um mapa atualizado de risco para o vírus do Nilo Ocidental e para a encefalite equina oriental (EEE), permitindo acompanhar a situação por cidade e município.
Três casos humanos confirmados em Massachusetts
O primeiro caso humano da temporada foi anunciado pelo Departamento de Saúde Pública em 20 de agosto. Tratava-se de um homem na faixa dos 90 anos que havia sido exposto ao vírus no Condado de Middlesex.
Quatro dias depois, em 24 de agosto, o Estado confirmou o segundo caso, também em um homem na faixa dos 60 anos exposto em Middlesex. Na ocasião, o DPH informou que já havia identificado 184 amostras de mosquitos positivas para o vírus do Nilo Ocidental em diferentes condados de Massachusetts durante a temporada.
Com a confirmação do caso em Boston, o vírus passa a ter uma presença ainda mais evidente na região metropolitana, justamente durante o período em que a atividade dos mosquitos é mais intensa.
Por que o vírus preocupa?
O vírus do Nilo Ocidental é transmitido principalmente pela picada de mosquitos infectados. O ciclo natural envolve principalmente mosquitos e aves. Os seres humanos podem ser infectados quando são picados por um mosquito que adquiriu o vírus ao se alimentar de uma ave infectada.
A infecção, porém, não significa necessariamente que a pessoa ficará doente. Segundo o CDC, aproximadamente 80% das pessoas infectadas não apresentam sintomas. Entre aquelas que desenvolvem manifestações clínicas, a maioria apresenta uma doença febril que pode incluir febre, cansaço, dor de cabeça, dores musculares, náuseas, vômitos, diarreia ou erupções cutâneas.
O problema mais grave ocorre quando o vírus atinge o sistema nervoso. Menos de 1% das pessoas infectadas desenvolvem doença neuroinvasiva, que pode se manifestar como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda.
A idade é um dos principais fatores associados ao risco de formas graves. Pessoas mais velhas apresentam maior probabilidade de desenvolver complicações neurológicas. Pessoas com o sistema imunológico comprometido também estão entre os grupos considerados mais vulneráveis.
Sintomas podem aparecer dias depois da picada
Quando surgem, os sintomas geralmente começam alguns dias depois da infecção. O CDC informa que o período de incubação costuma variar de dois a seis dias, embora possa chegar a 14 dias e ser mais prolongado em pessoas imunocomprometidas.
Em quadros graves, sinais neurológicos exigem atenção médica imediata. Confusão mental, fraqueza muscular, perda de coordenação, tremores, dor de cabeça intensa e alterações neurológicas podem indicar comprometimento do sistema nervoso.
A BPHC orienta que pessoas que apresentem sintomas importantes procurem atendimento médico, principalmente quando pertencem aos grupos com maior risco de complicações.
Como os moradores podem reduzir o risco
Sem vacina disponível para prevenir a infecção pelo vírus do Nilo Ocidental em seres humanos, a principal estratégia continua sendo evitar as picadas de mosquitos.
As autoridades de Boston recomendam o uso de repelentes registrados pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), além de roupas que cubram braços e pernas quando as condições climáticas permitirem.
Outro cuidado importante é reduzir os locais onde os mosquitos conseguem se reproduzir. Pequenas quantidades de água parada podem servir como criadouros.
Por isso, a orientação é eliminar regularmente:
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água acumulada em vasos e recipientes;
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baldes e lixeiras;
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pneus velhos;
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piscinas infantis sem uso;
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bebedouros de pássaros;
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calhas entupidas;
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recipientes deixados no quintal;
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outros objetos que possam acumular água da chuva.
A BPHC também recomenda manter telas de portas e janelas em boas condições e trocar regularmente a água dos bebedouros de pássaros.
Anoitecer e amanhecer exigem atenção redobrada
Os mosquitos transmissores do vírus podem estar ativos durante diferentes períodos, mas as autoridades recomendam atenção especial entre o anoitecer e o amanhecer, quando a exposição pode ser maior.
Para idosos e pessoas imunocomprometidas, a recomendação é evitar atividades externas nesses horários sempre que possível ou adotar medidas rigorosas de proteção quando a permanência ao ar livre for necessária.
A recomendação ganha importância neste momento porque Massachusetts está no período de maior atividade sazonal do vírus do Nilo Ocidental.
Outro vírus transmitido por mosquitos também foi detectado
O alerta em Massachusetts não se limita ao vírus do Nilo Ocidental. Em 19 de agosto, o Departamento de Saúde Pública confirmou a primeira detecção da temporada da encefalite equina oriental (EEE) em mosquitos.
As amostras foram coletadas em 17 de agosto, na cidade de Kingston, no Condado de Plymouth. Naquele momento, não havia casos humanos ou animais de EEE registrados no Estado em 2026.
A EEE é considerada uma doença rara, mas potencialmente grave e fatal. Massachusetts já registrou episódios importantes da doença em anos anteriores. Em 2019, foram 12 casos humanos e seis mortes; em 2020, cinco casos e uma morte. Mais recentemente, em 2024, quatro pessoas foram diagnosticadas e uma morreu.
Embora o vírus do Nilo Ocidental e a EEE sejam doenças distintas, ambos têm algo em comum: podem ser transmitidos pela picada de mosquitos infectados. Por isso, as autoridades estaduais reforçam a necessidade de medidas de proteção durante a temporada de maior atividade desses insetos.
Vigilância continua em Boston
A confirmação do primeiro caso humano em Boston aumenta a importância da vigilância realizada pelas autoridades municipais e estaduais. As equipes continuam coletando mosquitos em diferentes pontos da cidade para identificar onde o vírus está circulando e avaliar a evolução do risco.
O mapa oficial de Massachusetts é atualizado com os resultados da vigilância e permite acompanhar as classificações de risco de cada comunidade.
Para os moradores, a principal mensagem das autoridades é que a presença do vírus não significa que todas as pessoas expostas desenvolverão a doença. No entanto, como uma parcela pequena das infecções pode evoluir para quadros neurológicos graves, a prevenção continua sendo essencial.
Com o verão ainda em andamento e a circulação do vírus já confirmada em mosquitos e em três moradores do Estado, Boston entra em uma fase de atenção reforçada. Para a população, medidas simples — como eliminar água parada, usar repelente e reduzir a exposição a mosquitos nos horários de maior atividade — continuam sendo as principais ferramentas para diminuir o risco de infecção.
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