Carson Peters-Berger tinha 14 anos quando matou Lily Peters, em Wisconsin; quatro anos após o crime, ele se declarou culpado e recebeu sentença que poderá permitir pedido de supervisão após 25 anos
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
Quatro anos após um crime que chocou a cidade de Chippewa Falls, no estado norte-americano de Wisconsin, Carson Peters-Berger, atualmente com 18 anos, foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato da prima Iliana “Lily” Peters, de apenas 10 anos.
A sentença foi anunciada na quarta-feira (26), pelo juiz Steven Gibbs, do Condado de Chippewa. Peters-Berger se declarou culpado por homicídio doloso em primeiro grau. Apesar da pena de prisão perpétua, a legislação permite que ele solicite supervisão ampliada depois de cumprir 25 anos de reclusão.
O crime aconteceu em 24 de abril de 2022, quando o condenado tinha apenas 14 anos. Naquele dia, Lily havia passado um período na casa de uma tia e retornava para casa de bicicleta. A menina estava acompanhada do primo e acabou desaparecendo durante o trajeto.
Preocupado com o fato de a filha não ter chegado em casa, o pai comunicou o desaparecimento às autoridades naquela noite. No dia seguinte, o corpo da criança foi encontrado em uma área de mata próxima a uma trilha.
A investigação apontou que Peters-Berger havia atraído a menina para uma região afastada. Exames realizados após a localização do corpo indicaram que a criança havia sofrido agressões e estrangulamento, além de violência sexual.
O adolescente foi preso pouco depois e, durante a investigação, segundo os promotores, admitiu às autoridades que pretendia cometer o crime. A acusação inicialmente incluía homicídio doloso em primeiro grau e duas acusações relacionadas a agressão sexual.
Como parte do acordo judicial que resultou na declaração de culpa pelo homicídio, as duas acusações de agressão sexual foram retiradas formalmente. Ainda assim, os fatos relacionados a essas acusações foram considerados durante o processo de definição da sentença.
A defesa havia tentado anteriormente fazer com que o caso fosse transferido para a Justiça juvenil. Os advogados argumentaram que Peters-Berger tinha apenas 14 anos na época e necessitaria de tratamento adequado, mas o pedido foi rejeitado. A decisão também foi mantida posteriormente em recurso.
Durante a audiência de sentença, o juiz Steven Gibbs reconheceu que o condenado era menor de idade quando cometeu o crime, mas ressaltou a gravidade do assassinato e o impacto provocado na comunidade.
Peters-Berger optou por não fazer uma declaração durante a audiência. Além da pena de prisão, ele foi condenado a pagar mais de US$ 30 mil em restituição.
Família tenta seguir em frente
A morte de Lily deixou marcas profundas entre familiares, amigos e moradores de Chippewa Falls. Pessoas próximas à menina participaram da audiência e falaram sobre o impacto da perda ao longo dos quatro anos desde o assassinato.
Amigos descreveram Lily como uma criança alegre e carinhosa. Após sua morte, familiares também compartilharam um poema escrito por ela, no qual a menina falava sobre gentileza e paz.
Para a família, a condenação representa o encerramento do processo judicial, mas não apaga a dor provocada pela perda.
O promotor do Condado de Chippewa, Wade Newell, destacou que nenhuma decisão judicial é capaz de mudar o que aconteceu com a criança. Para os familiares, agora começa uma longa etapa de reconstrução emocional e preservação da memória de Lily.
O caso também reacendeu o debate nos Estados Unidos sobre como adolescentes envolvidos em crimes extremamente graves devem ser responsabilizados pelo sistema de Justiça, especialmente quando a infração ocorre durante a infância ou adolescência.
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