Operação Maçã Podre intensifica cerco migratório e deixa mais de 2 mil detidos em Nova York

Ação do ICE ocorreu ao longo de quatro dias e amplia a ofensiva do governo Trump contra imigrantes em situação irregular, reacendendo o conflito com autoridades locais de Nova York

Por Chico Gomes | GNEWSUSA 

Mais de 2.100 imigrantes foram detidos na região de Nova York durante a chamada Operação Maçã Podre, uma ampla ofensiva conduzida pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE). A ação atingiu não apenas a cidade de Nova York, mas também áreas de Long Island e do Hudson Valley.

As detenções ocorreram entre 27 de julho e 29 de agosto, dentro de uma estratégia do governo federal norte-americano para ampliar a fiscalização migratória e acelerar ações contra pessoas que permanecem no país sem status migratório regular.

O anúncio dos resultados da operação ganhou também um forte componente político. O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, utilizou os números para pressionar a administração municipal de Nova York e criticar a postura das autoridades locais diante das políticas federais de imigração.

Nova York mantém há décadas políticas associadas ao conceito de cidade-santuário, pelo qual autoridades locais estabelecem limites para a cooperação com agentes federais de imigração. A atual gestão municipal, comandada pelo prefeito Zohran Mamdani, reforçou essa posição e defende uma política de proteção aos imigrantes que vivem na cidade, inclusive daqueles que aguardam decisões sobre pedidos de asilo.

O embate coloca em lados opostos o governo federal e a administração nova-iorquina. Enquanto Washington sustenta que a cooperação entre as diferentes esferas de governo é fundamental para combater a criminalidade e fortalecer a segurança pública, autoridades locais acusam o governo Trump de transformar a fiscalização migratória em uma política de intimidação contra comunidades imigrantes.

Durante o anúncio da operação, Mullin afirmou que governos estaduais e municipais deveriam colaborar com as autoridades federais. A declaração representa mais um capítulo da crescente disputa entre a Casa Branca e administrações democratas que resistem à política migratória adotada pelo governo Trump.

O diretor do ICE em Nova York, Ken Genalo, também associou a discussão à segurança pública, especialmente diante da proximidade do aniversário de 25 anos dos atentados de 11 de setembro. O argumento utilizado pelas autoridades federais é que a integração entre os diferentes níveis de governo seria indispensável para prevenir ameaças e manter a segurança.

Do outro lado, o prefeito Mamdani classificou as ações de imigração como uma fonte de medo para parte da população. Segundo ele, a presença intensificada de agentes federais estaria fazendo com que imigrantes deixassem de sair de casa por receio de serem abordados ou detidos.

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, também entrou no debate e criticou o governo federal por cortes em recursos destinados à segurança e ao combate ao terrorismo no estado. Para a governadora, a proteção de Nova York exige investimentos contínuos em inteligência e prevenção, independentemente das divergências existentes sobre imigração.

O episódio evidencia uma divisão cada vez mais profunda sobre a política migratória norte-americana. De um lado, o governo federal busca ampliar as detenções e deportações de imigrantes em situação irregular. Do outro, autoridades locais defendem mecanismos de proteção e argumentam que a política migratória não deve impedir o acesso dessas pessoas aos serviços e à vida cotidiana.

Com mais de dois mil detidos, a Operação Maçã Podre se transforma, assim, não apenas em uma grande ação de fiscalização migratória, mas também em um símbolo da disputa entre Washington e Nova York sobre os limites da atuação federal e o tratamento destinado às comunidades imigrantes.

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