Governador de Minas Gerais une-se a manifestantes em São Paulo para protestar contra o ministro do STF e defender a liberdade de expressão
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) participou nesta segunda-feira (7) de um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, marcado por críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a manifestação, um grande painel com uma representação de Moraes atrás das grades chamou a atenção dos participantes. A estrutura foi instalada pelo Partido Novo e reproduziu a imagem utilizada na série “Intocáveis”, associada à campanha de Zema.
Na montagem, o ministro aparece de toga e com uma roupa semelhante a um uniforme prisional. O painel também exibe a frase “Chega de Intocáveis”, em uma referência às críticas feitas pelo candidato ao que considera a existência de autoridades tratadas como intocáveis no país.
A estrutura também foi preparada para a participação dos manifestantes. Espaços permitiam que apoiadores colocassem o rosto e tirassem fotografias, simulando a atuação de policiais responsáveis pela prisão do personagem que representa Moraes.
Críticas ao STF
O ato integra a estratégia política de Zema de ampliar o discurso de oposição à atuação do Judiciário e, especialmente, ao Supremo Tribunal Federal.
Antes da manifestação, o candidato afirmou que o protesto pretendia dar voz a brasileiros insatisfeitos com o funcionamento do sistema político e com a atuação do Judiciário.
Zema também defendeu o fim do que chama de “intocáveis” em Brasília, em uma crítica à concentração de poder e à falta, segundo ele, de mecanismos efetivos de responsabilização de autoridades.
A manifestação ocorre em um momento de forte tensão política envolvendo o STF e integrantes da oposição, que vêm fazendo críticas públicas à atuação de ministros da Corte.
Caso Banco Master aumenta pressão política
Entre os assuntos que elevaram a pressão política sobre Alexandre de Moraes está o caso envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro.
Mensagens e documentos relacionados ao caso passaram a ser utilizados por integrantes da oposição para questionar a relação entre o empresário e pessoas ligadas ao ministro.
Também foram levantadas questões sobre contratos envolvendo o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e empresas relacionadas a Vorcaro.
Moraes nega irregularidades, e as circunstâncias envolvendo contratos, mensagens e eventuais relações entre os envolvidos continuam sendo objeto de apuração e disputa política.
Zema reforça discurso contra ministros do STF
Durante o ato, Zema voltou a direcionar críticas a integrantes do Supremo. O candidato mencionou Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Flávio Dino e Gilmar Mendes e também fez uma defesa da ministra Cármen Lúcia.
Zema afirmou esperar que Cármen Lúcia adote uma posição diferente diante do atual cenário político e institucional e demonstrou expectativa de que a ministra considere as críticas apresentadas por setores da oposição.
O discurso reforça uma das principais bandeiras que Zema vem apresentando durante sua pré-campanha: a defesa de mudanças na relação entre os Poderes e críticas ao que considera excessos cometidos pelo Judiciário.
Manifestações da direita movimentam São Paulo
O ato de Zema ocorreu pela manhã na Avenida Paulista e fez parte de uma série de manifestações realizadas em São Paulo neste 7 de Setembro.
Outro ato, convocado pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL), foi marcado para a tarde, também na Paulista. O candidato Renan Santos (Missão) realizou manifestação no Obelisco do Ibirapuera.
Os eventos reuniram diferentes grupos e lideranças da direita, com críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal.
Embora os grupos tenham estratégias e pautas próprias, as manifestações tiveram como um dos principais pontos em comum a defesa de maior equilíbrio entre os Poderes e críticas à atuação de ministros do STF.
“Intocáveis” vira símbolo do ato
O painel com a representação de Moraes atrás das grades acabou se tornando um dos elementos de maior impacto visual da manifestação.
A imagem faz parte da estratégia política de Zema e do Novo para apresentar críticas ao Judiciário de maneira simbólica e visual, utilizando a expressão “Intocáveis” como uma das marcas do discurso contra autoridades que, segundo o candidato, não deveriam estar acima de questionamentos ou responsabilização.
A manifestação na Paulista mostra que as críticas ao STF seguem ocupando espaço central no discurso de setores da direita às vésperas das eleições de 2026.
Com o painel, os organizadores transformaram uma das principais críticas políticas do ato em um símbolo visual da manifestação, reforçando a mensagem de oposição à atuação de Alexandre de Moraes e de outros integrantes do Supremo.
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