Rússia sinaliza abertura para retomar negociações de paz com Ucrânia e EUA

Kremlin afirma que Moscou não descarta uma nova rodada de conversas, após missão diplomática de enviados de Donald Trump; ainda não há definição sobre data ou local
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

A Rússia sinalizou nesta segunda-feira (7) que está aberta à possibilidade de retomar as negociações de paz envolvendo Ucrânia e Estados Unidos. O Kremlin, porém, deixou claro que ainda não há definição sobre quando ou onde uma nova rodada de conversas poderia acontecer.

A declaração ocorre após uma nova movimentação diplomática dos Estados Unidos. Os enviados Steve Witkoff e Jared Kushner estiveram em Moscou e, posteriormente, em Kiev, em uma tentativa de reativar as negociações que estavam paralisadas e buscar caminhos para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Em Moscou, os representantes americanos se reuniram com o presidente russo, Vladimir Putin. O encontro durou mais de três horas e foi classificado por autoridades russas como construtivo, mas terminou sem o anúncio de um acordo ou de avanços concretos.

Depois da passagem pela Rússia, Witkoff e Kushner seguiram para Kiev, onde conversaram com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. A reunião também terminou sem uma definição sobre os principais pontos que ainda impedem um acordo de paz.

Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, Moscou também considera possível uma conversa telefônica entre Putin e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O objetivo seria avaliar os resultados da missão realizada pelos enviados americanos.

Impasse continua

Apesar do novo sinal de abertura diplomática, os principais obstáculos permanecem. A questão territorial é uma das mais delicadas das negociações, já que Rússia e Ucrânia mantêm posições muito diferentes sobre o futuro das áreas ocupadas durante o conflito.

Enquanto Moscou insiste em suas reivindicações, Kiev mantém a posição de que decisões sobre território não podem ser impostas por meio de negociações conduzidas sem a participação direta da Ucrânia.

A tentativa americana acontece em um momento de forte pressão militar e diplomática. Mesmo com os contatos entre os governos, os combates continuam e ataques aéreos seguem sendo registrados em diferentes regiões.

O esforço de Washington representa uma nova tentativa de recolocar a diplomacia no centro da crise. Ainda assim, a ausência de um acordo concreto mostra que uma eventual retomada das negociações não significa, necessariamente, que um cessar-fogo esteja próximo.

Por enquanto, o Kremlin evita confirmar uma data para uma nova reunião. A possibilidade de diálogo, no entanto, volta a ganhar espaço depois de meses de impasse, abrindo uma nova frente diplomática na busca por uma solução para a guerra.

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