Correios entram em greve com rombo de R$ 5,6 bilhões no governo Lula

Paralisação por tempo indeterminado ocorre em meio à crise financeira da estatal, que acumula 15 trimestres no vermelho

Por Ana Raquel |Gnewsusa 

Trabalhadores dos Correios aprovaram uma greve por tempo indeterminado após assembleias realizadas na noite de quinta-feira (10). Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), sindicatos de diferentes estados aderiram à paralisação.

A decisão ocorre em meio a uma situação financeira delicada da estatal, que acumula 15 trimestres consecutivos de resultados negativos. Somente no primeiro semestre de 2026, os Correios registraram prejuízo de R$ 5,6 bilhões.

A paralisação ocorre durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto a estatal enfrenta dificuldades financeiras e busca novas medidas para reorganizar suas contas.

De acordo com a Findect, a greve foi aprovada depois que as negociações da campanha salarial terminaram sem acordo. Um dos principais pontos de divergência envolve o plano de saúde dos funcionários, diante de mudanças discutidas pela direção da empresa.

A entidade sindical afirma que foram realizadas sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), mas não houve consenso sobre questões consideradas fundamentais pela categoria.

Correios adotam plano para manter entregas

Após o anúncio da paralisação, os Correios informaram que colocaram em prática um Plano de Continuidade de Negócios para reduzir possíveis impactos aos clientes.

Entre as medidas anunciadas estão o remanejamento de equipes, o reforço das atividades operacionais e ações logísticas específicas para tentar manter a regularidade das entregas em todo o país.

A empresa também afirmou que estava empenhada em chegar a uma solução negociada e apresentou uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente.

Segundo os Correios, a proposta incluía o reajuste correspondente a 100% do INPC sobre salários e benefícios, com vigência a partir de 1º de agosto, além da manutenção da assistência à saúde dos empregados.

Paralisação ocorre durante crise financeira

A greve acontece enquanto a estatal enfrenta uma das situações financeiras mais delicadas de sua história recente.

Os Correios encerraram o primeiro semestre de 2026 com R$ 5,6 bilhões de prejuízo. Apesar do resultado negativo, o prejuízo registrado no segundo trimestre foi inferior ao observado nos dois períodos anteriores, o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025.

O resultado indica uma redução das perdas no período, embora a empresa continue apresentando números negativos e acumulando uma sequência de 15 trimestres no vermelho.

A estatal também aguarda uma nova operação de crédito. A previsão é de que um empréstimo de R$ 7 bilhões seja contratado até 15 de setembro.

A operação deve envolver um consórcio formado por instituições financeiras, incluindo Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul. O novo crédito já havia sido confirmado pelos Correios nas demonstrações financeiras referentes ao primeiro semestre, divulgadas no fim de agosto.

No fim de 2025, a empresa havia recebido um empréstimo de R$ 12 bilhões.

Serviços podem ter funcionamento afetado

Segundo Tony Sérgio, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos da Paraíba (Sintect-PB), durante a paralisação apenas serviços administrativos internos estariam funcionando na região.

Ainda não há, segundo as informações apresentadas pela entidade, um levantamento consolidado sobre o funcionamento desses serviços em todas as regiões do país.

A adesão envolve sindicatos de diversas unidades da Federação e também entidades que representam trabalhadores de regiões específicas.

Entre os sindicatos listados estão entidades do Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Roraima, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, além de sindicatos de regiões como Campinas, Juiz de Fora, Ribeirão Preto, Santos, São José do Rio Preto, Santa Maria, Uberaba, Vale do Paraíba e Bauru.

A assembleia do sindicato do Acre estava prevista para ocorrer nesta sexta-feira (11).

Empresa afirma que trabalha para preservar serviços

Em posicionamento sobre a paralisação, os Correios disseram que as medidas de continuidade têm como objetivo manter os serviços e minimizar eventuais impactos aos clientes.

A estatal ressaltou ainda que sua proposta apresentada durante as negociações contemplava a maior parte das cláusulas discutidas e incluía reajuste sobre salários e benefícios, além da manutenção da assistência à saúde.

Com a greve aprovada por tempo indeterminado, a continuidade das negociações poderá definir os próximos passos da paralisação e seus efeitos sobre a prestação dos serviços postais em todo o país.

Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD

Leia mais

Festa de Vorcaro teria 120 mulheres, 20 homens, celulares proibidos e políticos entre os convidados: “só menina nova”

Chicago alerta viajantes após exposição ao sarampo em estação movimentada

Supremo Tribunal de Massachusetts reprime juíza acusada de permitir que imigrante ilegal escapasse da custódia do ICE

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*