Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada na Aldeota; perícia aponta lesões por impacto e namorado é procurado
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada no pátio do Condomínio La Piazza, no bairro Aldeota, em Fortaleza (CE), no dia 13 de setembro de 2026, continua sendo investigada pela Polícia Civil do Ceará. Uma semana após o caso, novas informações sobre os últimos momentos da jovem, a movimentação no condomínio e o relacionamento dela com o namorado passaram a integrar a apuração.
Isabelle cursava o segundo semestre de Direito e havia iniciado um estágio em um escritório de advocacia de Fortaleza. Segundo informações divulgadas pela empresa, ela permaneceu no local por aproximadamente 20 dias, entre o fim de julho e o início de agosto, quando pediu desligamento por “razões de ordem pessoal”.
Foi durante esse período que Isabelle conheceu João Munhoz Neto, com quem posteriormente iniciou um relacionamento e passou a morar no condomínio onde ocorreu a morte.
A noite de 13 de setembro
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), uma equipe da Perícia Criminal foi acionada na noite de 13 de setembro para atender à ocorrência. Informações obtidas durante o atendimento indicam que a morte ocorreu por volta das 20h40.
A perícia identificou no corpo da estudante lesões consideradas compatíveis com impacto contra o solo. Exames laboratoriais realizados posteriormente tiveram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico.
Apesar dessas informações, as autoridades ainda não divulgaram uma conclusão definitiva sobre a dinâmica da morte. Exames complementares da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) continuam sendo realizados.
Câmeras registraram os últimos momentos
Imagens das câmeras de segurança do condomínio passaram a ser analisadas pelos investigadores e ajudaram a reconstruir parte da movimentação daquela noite.
Segundo a sequência divulgada pelas investigações, João Munhoz Neto e a mãe dele deixaram o condomínio antes de Isabelle aparecer sozinha nas áreas comuns. Por volta das 19h12, a estudante foi registrada entrando em um elevador e seguindo em direção ao rooftop, localizado no 23º andar.
João teria retornado ao condomínio somente às 22h48, depois do horário estimado da morte da estudante. As imagens, porém, não esclarecem sozinhas o que aconteceu entre a chegada de Isabelle ao rooftop e a localização do corpo.
A administração do condomínio informou que preservou e entregou às autoridades as imagens do sistema de monitoramento relacionadas ao período da ocorrência.
Mãe só descobriu a morte no dia seguinte
A repercussão do caso aumentou depois que a mãe de Isabelle, a professora Isorlanda Caracristi, publicou um vídeo nas redes sociais relatando como tomou conhecimento da morte da filha.
Segundo o relato da mãe, Isabelle ainda havia enviado uma mensagem no domingo. Em uma das últimas comunicações, escreveu: “Mãe, eu te amo”.
Depois disso, Isorlanda tentou falar novamente com a filha, mas não recebeu resposta. Na manhã seguinte, continuou fazendo ligações e, diante do silêncio, procurou o namorado da jovem.
Segundo a mãe, João não atendeu às chamadas e posteriormente ela percebeu que havia sido bloqueada nos canais de comunicação. Diante da preocupação, Isorlanda decidiu ir pessoalmente até o condomínio acompanhada do irmão.
No local, ela teria sido informada pela síndica de que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo já havia sido encaminhado para a Perícia Forense.
A advogada que acompanha a família também afirmou que Isabelle teria sido encaminhada ao IML sem documentos e que, quando o corpo foi encontrado, João e a mãe dele não estavam no condomínio.
Relacionamento começou durante estágio
Isabelle conheceu João durante o período em que fazia estágio. Segundo relatos da família, a aproximação entre os dois ocorreu rapidamente e o namoro teria começado poucos dias depois do início da atividade profissional.
A mãe da jovem afirmou publicamente que passou a demonstrar preocupação com o relacionamento e descreveu comportamentos que, segundo ela, considerava controladores. Essas declarações fazem parte do relato da família e ainda não representam uma conclusão da investigação policial.
Isabelle e João passaram a morar juntos no condomínio onde ocorreu a morte poucas semanas antes da tragédia.
A família também afirma que João não teria entrado em contato após a morte e que ele e familiares não compareceram ao velório ou ao enterro da estudante. Essas informações foram relatadas pelos familiares e integram o contexto apresentado pela defesa da família às autoridades.
João Munhoz Neto é procurado
As investigações ganharam uma nova etapa no domingo, 20 de setembro, quando a Polícia Civil realizou diligências para localizar João Munhoz Neto.
O namorado de Isabelle não foi encontrado. A SSPDS confirmou que ele está sendo procurado, mas não informou publicamente o motivo das diligências nem declarou que ele seja suspeito pela morte da estudante. Portanto, não há, até o momento, conclusão oficial que atribua a João participação na morte.
Durante as diligências, a polícia localizou a mãe de João na praia do Cumbuco, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido, e um celular e um tablet foram recolhidos para perícia.
O celular de Isabelle também foi localizado e encaminhado para análise. Os aparelhos podem ajudar os investigadores a reconstruir contatos, horários e movimentações anteriores à morte.
João não era advogado inscrito na OAB
Outro ponto esclarecido durante a apuração diz respeito à atividade profissional de João.
Embora, segundo familiares, ele se apresentasse como advogado, o escritório onde ele e Isabelle tiveram vínculo profissional afirmou que João Munhoz Neto não integrava o quadro societário da empresa e não possuía inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Segundo o responsável pelo escritório, João exercia exclusivamente atividades administrativas enquanto prestou serviços à empresa.
O mesmo escritório informou que Isabelle permaneceu aproximadamente 20 dias no local, entre o final de julho e o início de agosto, quando solicitou o desligamento alegando razões de ordem pessoal.
O que a polícia já sabe
Até o momento, alguns pontos estão estabelecidos pelas informações oficiais divulgadas:
• Isabelle tinha 22 anos e cursava o segundo semestre de Direito;
• Ela foi encontrada morta no pátio do Condomínio La Piazza, na Aldeota, em 13 de setembro;
• A perícia identificou lesões compatíveis com impacto contra o solo;
• Os exames toxicológicos realizados até agora apresentaram resultado negativo;
• A Polícia Civil já ouviu quatro pessoas;
• Outras quatro oitivas estavam previstas;
• Imagens das câmeras de segurança estão sendo analisadas;
• O celular de Isabelle foi recuperado e será periciado;
• Um celular e um tablet da mãe de João foram apreendidos;
• João Munhoz Neto está sendo procurado pela Polícia Civil;
• As autoridades ainda não divulgaram uma conclusão sobre a dinâmica da morte.
O que ainda precisa ser esclarecido
A investigação ainda precisa responder a perguntas centrais: o que aconteceu nos minutos que antecederam a queda, quem estava no condomínio naquele intervalo, quais foram os últimos contatos de Isabelle e como ocorreu exatamente a morte.
A análise das câmeras, dos celulares, dos demais vestígios encontrados no condomínio e dos exames complementares da Pefoce deverá contribuir para a reconstrução dos acontecimentos.
A SSPDS ressaltou que somente com a conclusão dos trabalhos periciais e investigativos será possível determinar a dinâmica da morte.
OAB-CE pede investigação rigorosa
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Ceará, por meio de suas comissões, publicou uma nota de solidariedade à família e à comunidade acadêmica após a morte de Isabelle.
A entidade pediu que a investigação seja conduzida com celeridade, rigor técnico e diligência, defendendo a análise das circunstâncias anteriores, simultâneas e posteriores ao ocorrido e a preservação dos elementos de prova.
A OAB-CE também destacou que uma investigação com perspectiva de gênero não significa antecipar uma conclusão sobre a existência de violência, mas considerar todas as circunstâncias relevantes para esclarecer a morte.
Quem era Isabelle
Familiares descrevem Isabelle como uma jovem alegre, amorosa e cheia de planos. Segundo o irmão, Rafael Magalhães, ela tinha desde pequena o desejo de seguir carreira na área jurídica.
A estudante demonstrava interesse pelo Direito e, segundo a família, pretendia atuar na defesa de pessoas em situação de vulnerabilidade. Entre os sonhos mencionados estavam a advocacia criminal e a magistratura, além da defesa dos direitos de crianças e mulheres.
A morte interrompeu uma trajetória que estava apenas começando.
Manifestação pede respostas
No domingo, 20 de setembro, uma manifestação foi realizada em frente ao condomínio onde Isabelle foi encontrada morta. Participantes pediram justiça e celeridade na investigação.
Ao final do ato, foram realizadas orações em memória da estudante. A família, entretanto, decidiu não participar da manifestação e afirmou que prefere se preservar neste momento e confiar no trabalho dos investigadores.
O caso segue em investigação. Até a conclusão dos exames e das diligências, não há definição oficial sobre a causa e a dinâmica da morte, nem uma conclusão pública sobre eventual responsabilidade criminal de João Munhoz Neto ou de qualquer outra pessoa.
A principal expectativa agora está voltada para os resultados dos exames complementares, a análise dos aparelhos eletrônicos, as imagens de segurança e os depoimentos que ainda serão realizados. Esses elementos deverão ajudar a polícia a reconstruir os últimos momentos de Isabelle e esclarecer o que aconteceu no condomínio na noite de 13 de setembro.
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