Contrato de mais de US$ 20 bilhões coloca a fabricante à frente do programa F/A-XX da Marinha americana, que deverá substituir os atuais F/A-18 Super Hornet e começar a operar na década de 2030
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
A Boeing foi escolhida pelo Pentágono para desenvolver o novo caça de sexta geração da Marinha dos Estados Unidos, em uma decisão que representa uma importante retomada da empresa no desenvolvimento de aeronaves de combate avançadas. O contrato inicial supera US$ 20 bilhões e prevê a construção de várias aeronaves de teste para avaliação em solo, voo, sistemas e integração de armamentos.
O projeto é conhecido atualmente como F/A-XX e será desenvolvido para operar a partir de porta-aviões. A nova aeronave deverá substituir progressivamente os F/A-18E/F Super Hornet, que atualmente formam uma parte importante da aviação de combate embarcada da Marinha americana. A entrada do novo caça na frota está prevista para a década de 2030, com a implantação ocorrendo ao longo dos anos seguintes.
O que torna o projeto diferente?
O F/A-XX faz parte da chamada sexta geração de caças, uma categoria que reúne tecnologias projetadas para ampliar a capacidade de sobrevivência, alcance, coleta e compartilhamento de informações e atuação em ambientes altamente disputados.
Entre as características esperadas estão maior furtividade, maior alcance e autonomia, sistemas avançados de missão e integração com aeronaves não tripuladas. A ideia é que o caça tripulado possa trabalhar em conjunto com drones de combate, formando uma espécie de rede aérea integrada. A inteligência artificial também aparece como parte desse conceito, especialmente no gerenciamento e no controle de sistemas não tripulados.
O programa também está relacionado ao conceito de Next Generation Air Dominance (NGAD) da Marinha, que não prevê apenas um novo avião, mas uma família de sistemas capazes de atuar de forma integrada.
Boeing terá dois caças de sexta geração
A vitória no F/A-XX acontece cerca de um ano e meio depois de a Boeing também ter sido escolhida para desenvolver o F-47, o futuro caça de sexta geração da Força Aérea dos Estados Unidos.
Com as duas escolhas, a fabricante passa a participar simultaneamente dos dois grandes programas americanos de caças de nova geração: um voltado à Força Aérea e outro à Marinha. Existe expectativa de que os projetos possam compartilhar determinados componentes, tecnologias e elementos da cadeia de produção, embora os detalhes técnicos permaneçam classificados.
Disputa terminou entre Boeing e Northrop Grumman
A Boeing venceu a disputa contra a Northrop Grumman, que também concorria pelo desenvolvimento do novo caça. A Lockheed Martin, que tradicionalmente ocupa posição de destaque no setor de aeronaves militares americanas, havia sido eliminada da competição anteriormente.
A escolha também terá impacto sobre a produção da Boeing em St. Louis, no Missouri, onde a empresa mantém operações relacionadas a aeronaves de combate. O novo programa chega em um momento de transição para a fábrica, que está encerrando gradualmente a produção do F/A-18E/F Super Hornet e do EA-18G Growler.
Um projeto pensado para a guerra aérea do futuro
Uma das principais preocupações da Marinha americana é aumentar o alcance de suas operações aéreas, especialmente em regiões onde as aeronaves precisam atuar a grandes distâncias dos porta-aviões.
O F/A-XX deverá fazer parte de uma futura ala aérea embarcada na qual aeronaves tripuladas e não tripuladas trabalharão de maneira coordenada. A Marinha também desenvolve aeronaves autônomas de combate e outros sistemas para ampliar a capacidade dos porta-aviões.
Apesar das informações divulgadas, muitos detalhes continuam em sigilo. A própria Boeing informou que as especificações técnicas e programáticas do F/A-XX permanecem classificadas por questões relacionadas à segurança nacional e às regras de exportação.
A previsão é que o primeiro voo aconteça ainda nesta década, enquanto a entrada efetiva em serviço ocorrerá na década de 2030. O programa poderá crescer consideravelmente ao longo do tempo, caso a produção seja ampliada e eventualmente haja interesse de outros países.
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