Nova tecnologia de perícia digital deve ser adotada em 2027 para identificar estrangeiros em situação irregular e investigar empregadores e intermediários envolvidos nas contratações
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
A Agência de Serviços de Imigração do Japão planeja ampliar os recursos tecnológicos utilizados nas investigações sobre trabalho ilegal de estrangeiros. A partir do ano fiscal de 2027, o órgão pretende adotar ferramentas capazes de recuperar dados apagados de celulares e computadores apreendidos durante operações de fiscalização.
A iniciativa tem como principal objetivo facilitar a obtenção de provas e identificar não apenas trabalhadores em situação irregular, mas também empresas, empregadores e intermediários que possam estar envolvidos nessas contratações.
A ferramenta prevista utiliza a chamada perícia digital, também conhecida como digital forensics. Esse procedimento permite examinar dispositivos eletrônicos em busca de informações relevantes para investigações, incluindo dados que tenham sido apagados e que ainda possam ser recuperados.
Segundo as informações divulgadas, a imigração japonesa enfrenta dificuldades para reunir provas em determinados casos de trabalho irregular. Isso ocorre especialmente quando não existem contratos formais ou quando mensagens trocadas por aplicativos e redes sociais são excluídas ou alteradas.
Com a nova tecnologia, a agência pretende ampliar sua capacidade de analisar os aparelhos apreendidos e obter registros que ajudem a esclarecer como as contratações foram realizadas.
Fiscalização também poderá atingir empresas e intermediários
O plano não se limita à identificação de estrangeiros que trabalham sem a autorização necessária. Um dos principais objetivos é investigar a participação de empregadores e intermediários, incluindo pessoas que atuam na oferta e na organização de vagas irregulares.
Em algumas situações, a ausência de contratos escritos e a exclusão de conversas dificultam a comprovação da relação de trabalho e a identificação dos responsáveis pela contratação. A recuperação de registros digitais poderá contribuir para esclarecer esses vínculos e fortalecer a coleta de evidências.
A legislação japonesa prevê consequências para quem exerce atividades profissionais fora das condições autorizadas pelo status de residência. Empregadores que facilitam ou promovem o trabalho ilegal também podem ser responsabilizados, conforme as circunstâncias de cada caso.
Investimento previsto para 2027
Para viabilizar a iniciativa, a Agência de Serviços de Imigração incluiu 50 milhões de ienes na proposta orçamentária para o ano fiscal de 2027. O valor está relacionado à preparação das medidas de combate à permanência irregular e ao trabalho ilegal de estrangeiros.
Atualmente, parte da análise dos aparelhos apreendidos é realizada manualmente. Ainda de acordo com informações, os investigadores examinam os registros disponíveis e documentam informações relevantes, inclusive por meio de fotografias de conversas e imagens exibidas nos dispositivos.
A adoção da perícia digital poderá tornar esse procedimento mais eficiente e facilitar o aproveitamento de dados recuperados como elementos de prova. Entretanto, a iniciativa ainda está em fase de planejamento, e a previsão orçamentária não significa que o sistema já esteja em funcionamento.
Japão reforça medidas contra o trabalho irregular
A proposta faz parte dos esforços das autoridades japonesas para intensificar o combate ao trabalho ilegal e identificar as pessoas envolvidas nesse tipo de atividade.
Dados citados na reportagem indicam que o Japão registrava 65.229 estrangeiros com permanência além do prazo autorizado em julho de 2026. Esse número se refere a pessoas em situação de permanência irregular e não significa que todas tenham sido identificadas como trabalhadoras ilegais.
Com a possível implementação da nova ferramenta, a Imigração pretende fortalecer a capacidade de investigação e reunir informações mais completas sobre as relações de trabalho irregulares. A expectativa é que a análise de dados eletrônicos contribua para esclarecer a participação de trabalhadores, empregadores e intermediários em cada caso investigado.
A medida, prevista para 2027, representa mais um passo na modernização dos procedimentos de fiscalização migratória do Japão.
Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD
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