Flávio Bolsonaro divulga carta, se declara presidente eleito e denuncia fraude eleitoral

Nos Estados Unidos, senador acusa o STF de perseguição política e agradece a Donald Trump e Javier Milei pelo apoio

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O senador Flávio Bolsonaro divulgou nesta quarta-feira (28) uma carta na qual se apresenta como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e acusa integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) de promover perseguição política contra ele e sua família. No comunicado, escrito nos Estados Unidos, o parlamentar também agradece ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao presidente argentino, Javier Milei, pelo apoio que afirma ter recebido.

Na carta, Flávio sustenta que sua saída do Brasil não representa uma fuga, mas uma decisão para preservar sua segurança e continuar atuando politicamente. Ele afirma que pretende seguir como voz de seus apoiadores e critica o que considera um regime de exceção no país.

As declarações ampliam o confronto político entre o senador e integrantes do Judiciário, especialmente em relação à condução do processo eleitoral e às medidas judiciais que, segundo ele, ameaçariam seus direitos.

Flávio agradece a Trump e Milei e promete continuar a luta política

Logo no início do documento, Flávio agradece a Javier Milei pela “coragem e senso de justiça e legalidade” e a Donald Trump e ao povo norte-americano pelo acolhimento nos Estados Unidos.

O senador também elogia Trump como defensor da liberdade de expressão e afirma que encontrou no país um ambiente de segurança jurídica que, em sua avaliação, não existe mais no Brasil.

A aproximação com os dois presidentes ocupa lugar central na mensagem. Flávio procura apresentar sua atuação como parte de uma mobilização internacional em defesa da liberdade, dos direitos humanos e da democracia.

Ao longo da carta, ele compara sua situação à de figuras históricas que enfrentaram governos ou regimes políticos fora de seus países de origem, citando Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado.

Com essas referências, o senador tenta reforçar a ideia de que continuará sua atuação política mesmo estando no exterior.

Senador acusa Cristiano Zanin e questiona resultado eleitoral

Um dos principais pontos da carta é a acusação contra o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal. Flávio questiona a decisão que prorrogou até as 19h o horário de votação no segundo turno das eleições presidenciais e afirma que a medida teria comprometido a legitimidade do resultado.

O parlamentar relaciona a prorrogação à diferença de votos entre Luiz Inácio Lula da Silva e sua candidatura e sustenta que houve irregularidades que, em sua avaliação, justificariam contestar o pleito.

Entretanto, a alegação de que a extensão do horário teria produzido votos suficientes para alterar o resultado não é sustentada pelos dados eleitorais disponíveis. Segundo levantamento divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram registrados 34.393 votos após as 17h em todo o país. O total é muito inferior à diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos entre os candidatos.

A decisão de prorrogar a votação foi tomada após relatos de dificuldades no transporte de eleitores. A medida alcançou as seções que ainda estavam em funcionamento, sem determinar a reabertura das urnas já encerradas.

Flávio, porém, questiona o momento em que a ordem foi comunicada e argumenta que eleitores teriam sido submetidos a condições diferentes. Ele também acusa a campanha adversária de abuso de poder político e econômico e defende a cassação da chapa Lula-Alckmin.

Essas afirmações representam a posição do senador e não constituem, por si só, comprovação de fraude eleitoral ou de irregularidade capaz de anular o resultado.

Flávio fala em perseguição política e critica o STF

Outro trecho central do documento trata da atuação do Judiciário. Flávio acusa integrantes do Supremo de instrumentalizar a Justiça para atingir adversários políticos e afirma que a perseguição iniciada contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, teria se estendido a outros brasileiros.

O senador também menciona medidas judiciais que, segundo ele, fariam parte de um roteiro de pressão política, incluindo apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica, censura e prisão domiciliar.

Na carta, Flávio afirma que não existe mandado de prisão contra ele e nega ter cometido crimes. Ele sustenta que sua saída do país foi motivada pela preocupação com a segurança de sua família e pela intenção de evitar o que considera uma utilização política das instituições.

As acusações contra ministros e órgãos judiciais são apresentadas pelo próprio senador. A carta, isoladamente, não comprova as alegações de corrupção, perseguição coordenada ou ilegalidade atribuídas às autoridades.

Senador afirma que não abandonará seus apoiadores

Flávio também dedica parte do comunicado aos eleitores que o apoiaram durante a campanha presidencial. Ele afirma que não pretende abandonar essas pessoas e que continuará atuando politicamente mesmo fora do território brasileiro.

Ao se declarar “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, o senador contesta politicamente o resultado oficial das eleições. A declaração, contudo, não altera o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral, que registrou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.

O parlamentar encerra a carta apresentando sua permanência nos Estados Unidos como parte de uma luta que, segundo ele, pretende continuar em defesa da democracia, da liberdade de expressão e dos direitos políticos.

Carta eleva o tom do confronto político

A manifestação de Flávio Bolsonaro reúne críticas ao STF, questionamentos sobre o processo eleitoral e agradecimentos a lideranças internacionais alinhadas ao discurso de defesa da liberdade e de oposição ao que ele classifica como autoritarismo.

O documento também sinaliza que o senador pretende manter sua atuação política apesar de estar fora do Brasil. Ao recorrer a referências históricas e buscar apoio internacional, ele procura dar dimensão externa ao conflito que descreve.

As acusações apresentadas na carta devem ser distinguidas dos fatos oficialmente apurados. O resultado eleitoral permanece válido, e as declarações do senador não representam, por si só, uma decisão judicial ou comprovação das irregularidades que ele denuncia.

 

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