Relatório internacional alerta que a fumaça pode viajar milhares de quilômetros, prejudicar a qualidade do ar e agravar problemas respiratórios, enquanto ondas de calor intensificam os riscos ambientais
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
A fumaça produzida por incêndios florestais está se tornando uma preocupação internacional devido aos seus impactos sobre a qualidade do ar e a saúde humana. Mesmo quem vive longe das áreas atingidas pelas chamas pode ser afetado, já que as correntes atmosféricas transportam partículas e gases poluentes por grandes distâncias.
Uma análise divulgada em setembro de 2026 pelo Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus (CAMS) mostrou que episódios de incêndios extremos, ondas de calor e poluição atmosférica marcaram diferentes regiões do planeta durante os primeiros oito meses do ano.
Segundo o levantamento, a fumaça de incêndios registrados na América do Norte atravessou o oceano Atlântico e chegou a partes da Europa, contribuindo para o aumento da concentração de partículas finas no ar.
Fumaça pode atravessar países e continentes
Os incêndios florestais liberam uma mistura de partículas microscópicas e gases que podem permanecer suspensos na atmosfera e ser transportados pelo vento.
Em julho de 2026, grandes incêndios registrados no Canadá e nos Estados Unidos produziram extensas nuvens de fumaça. Em determinados episódios, os poluentes alcançaram áreas distantes dos focos de fogo e provocaram alertas sobre a qualidade do ar em cidades norte-americanas.
Na Europa, incêndios de grandes proporções também afetaram a atmosfera. De acordo com o Copernicus, a fumaça de queimadas na França, na Espanha e na Bélgica alcançou regiões distantes, demonstrando como os efeitos desses eventos podem ultrapassar fronteiras nacionais.
O fenômeno reforça a importância do monitoramento por satélites e de sistemas internacionais de previsão da poluição atmosférica.
Quais são os riscos para a saúde?
A fumaça dos incêndios contém partículas finas, especialmente o material particulado conhecido como PM2,5, capaz de penetrar profundamente nos pulmões.
A exposição pode provocar irritação nos olhos e na garganta, tosse, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias, como a asma. Em situações de poluição intensa, também podem aumentar os riscos de complicações cardiovasculares.
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares estão entre os grupos que exigem atenção especial.
A Organização Mundial da Saúde alerta que a fumaça representa um risco significativo para a saúde pública, especialmente durante episódios em que a qualidade do ar se deteriora rapidamente.
Ondas de calor agravam a poluição atmosférica
Além dos efeitos diretos da fumaça, as temperaturas elevadas podem favorecer a formação de ozônio ao nível do solo, um poluente prejudicial à saúde.
A análise do Copernicus estimou que quase 40% da população mundial esteve exposta a níveis preocupantes desse tipo de ozônio durante os primeiros oito meses de 2026.
Esse número se refere à exposição ao ozônio próximo à superfície terrestre, e não exclusivamente à poluição provocada pelos incêndios florestais. O calor, a luz solar e a reação entre diferentes poluentes contribuem para sua formação.
A combinação entre incêndios extremos, períodos prolongados de calor e poluição atmosférica torna o problema ainda mais complexo para autoridades de saúde e pesquisadores.
Como reduzir a exposição à fumaça
Durante episódios de fumaça intensa, especialistas recomendam acompanhar os alertas oficiais sobre a qualidade do ar e reduzir atividades físicas ao ar livre quando os níveis de poluição estiverem elevados.
Manter portas e janelas fechadas enquanto a fumaça estiver presente, utilizar purificadores de ar com filtros adequados, quando disponíveis, e evitar fontes internas de fumaça também pode ajudar a diminuir a exposição.
Quando for necessário sair em ambientes com alta concentração de partículas, uma máscara bem ajustada do tipo PFF2 ou N95 pode oferecer proteção contra partículas finas. Pessoas com sintomas importantes, como dificuldade para respirar ou dor no peito, devem procurar atendimento médico.
O avanço dos incêndios extremos e os impactos da poluição atmosférica demonstram a necessidade de sistemas de alerta eficientes, prevenção de queimadas e cooperação internacional para proteger a população.
Jornal GNewsUSA — BRAZILIANS AROUND THE WORLD
LEIA TAMBÉM:
Cientistas descobrem células que podem explicar por que a próstata aumenta com a idade
Regras mais rígidas para imigrantes ameaçam setor de cuidados de £ 15 bilhões no Reino Unido
Dólar dispara 8,65% após vitória de Lula e aumenta temor de crise econômica

Faça um comentário