Pesquisa identificou que o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos da doença mais que dobrou entre 2006 e 2024; aumento das temperaturas está entre os principais fatores associados à expansão
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
As mudanças climáticas estão associadas à expansão da dengue para regiões brasileiras onde a doença historicamente apresentava menor incidência. É o que aponta um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que analisou a distribuição da doença no país e identificou uma ampliação significativa das áreas com níveis epidêmicos.
De acordo com dados divulgados pela Agência Brasil em 25 de outubro de 2026, o número de microrregiões brasileiras com níveis epidêmicos de dengue passou de 110, em 2006, para 292, em 2024. Essas áreas correspondem a aproximadamente 54% do território analisado pelo levantamento.
Aumento das temperaturas preocupa pesquisadores
A pesquisa identificou que a maior frequência de anomalias térmicas — períodos em que as temperaturas ficam muito diferentes dos padrões habituais — é um dos fatores climáticos mais associados ao aumento da incidência da dengue no longo prazo.
O mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão da doença, encontra condições favoráveis em ambientes quentes e úmidos. As temperaturas influenciam diferentes etapas de seu ciclo de vida e podem favorecer a reprodução do inseto e a transmissão do vírus.
Com as alterações nos padrões climáticos, regiões que antes apresentavam condições menos favoráveis à presença do mosquito passaram a registrar maior circulação da doença.
Região Sul também enfrenta o avanço da doença
Um dos exemplos citados no levantamento é o Rio Grande do Sul. Em 2024, o estado registrou quase 210 mil casos confirmados de dengue e 281 mortes, segundo os dados apresentados pela Agência Brasil.
O cenário chama a atenção porque as temperaturas mais baixas de parte do ano historicamente representavam uma barreira natural à proliferação do mosquito em algumas áreas da região.
Os pesquisadores destacam que, uma vez estabelecida a circulação do vírus e do mosquito transmissor, pode ser difícil eliminar completamente a transmissão local.
Combate ao mosquito continua essencial
Apesar da influência das condições climáticas, a expansão da dengue também envolve outros fatores, como urbanização, circulação de pessoas, saneamento e disponibilidade de recipientes com água parada.
Por isso, especialistas reforçam a importância de medidas preventivas durante todo o ano. Entre os principais cuidados estão eliminar recipientes que acumulam água, manter caixas-d’água bem fechadas, limpar calhas e descartar corretamente pneus, garrafas e outros objetos expostos à chuva.
A prevenção depende tanto das ações do poder público quanto da participação da população. Com o avanço da doença para diferentes regiões, o monitoramento epidemiológico e o combate aos focos do mosquito continuam sendo fundamentais para reduzir o risco de novas epidemias.
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