Rede de lavagem de R$ 39 bilhões é apontada como maior descoberta da CPMI do INSS, diz relator

Deputado Alfredo Gaspar aponta núcleo bilionário do crime e entraves nas investigações

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS revelou a existência de um “núcleo poderoso e centralizado de lavagem de dinheiro”, responsável por movimentar aproximadamente R$ 39 bilhões, segundo o relator da comissão, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). O parlamentar classificou a investigação como uma “radiografia do Brasil atual”, marcada por corrupção sistêmica e conexões entre diferentes organizações criminosas.

“Esse núcleo está servindo a várias organizações criminosas. Pouco importa o ralo do dinheiro, ele está chegando no mesmo centro de lavagem.”

Esquema bilionário e ramificações profundas

De acordo com o relator, a CPMI começou investigando fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas, mas rapidamente avançou para um sistema mais complexo que envolve também empréstimos consignados e operações financeiras sofisticadas.

O esquema teria desviado mais de R$ 7 bilhões diretamente de beneficiários do INSS, além de integrar uma engrenagem maior de ocultação de recursos ilícitos.

“Quando você aprofunda, chega numa rede de lavagem bilionária. Eles usam criptoativos, imóveis e fundos. É um ecossistema de corrupção.”

Acusações de blindagem e entraves institucionais

Gaspar afirmou que houve resistência política dentro do Congresso e decisões judiciais que limitaram o avanço da comissão. Segundo ele, a base governista teria atuado para impedir convocações e aprofundamento das apurações.

“Quanto mais importante o autor do fato, maior a espessura da blindagem.”

O deputado também criticou decisões do STF que restringiram o uso de relatórios de inteligência financeira.

“Do jeito que está, CPIs não vão a lugar nenhum.”

Críticas ao STF e defesa de mudanças estruturais

Durante a entrevista, o relator defendeu que o STF atue apenas como tribunal constitucional, sem interferência em casos específicos, e criticou a proximidade entre poderes.

“Cada um no seu quadrado. O STF precisa ser mais isento. Hoje é um tribunal político muito acentuado.”

Ele também propôs mudanças na forma de escolha de ministros, defendendo maior imparcialidade.

Fim da CPMI e relatório sem aprovação

A CPMI do INSS foi encerrada em 1º de abril sem a aprovação do relatório final, que pedia o indiciamento de 216 pessoas, incluindo nomes ligados ao sistema financeiro. Para o relator, o encerramento precoce impediu que o chamado “núcleo central” fosse totalmente desvendado.

“Se tivéssemos mais tempo, alcançaríamos um montante ainda maior. Era um núcleo muito poderoso.”

Citações e defesas

Durante as investigações, surgiram menções a Fábio Luís Lula da Silva, que nega qualquer envolvimento nas irregularidades, embora tenha admitido uma viagem custeada por um dos investigados.

Já a empresária Roberta Luchsinger também negou participação no esquema e afirmou que pretende colaborar com as autoridades.

Encaminhamentos e próximos passos

Mesmo sem a conclusão formal da CPMI, o relator afirmou que pretende encaminhar o material coletado ao STF, além de órgãos como Ministério Público Federal, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República.

“Vamos entregar toda a documentação que mostra essa rede criminosa bilionária.”

Impacto político e institucional

As declarações reforçam o clima de tensão entre os poderes e levantam questionamentos sobre a capacidade das instituições de investigar e punir grandes esquemas de corrupção no país.

“Ou a gente faz uma repaginação do país, ou vai caminhar para uma revolução popular.”

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