Empresária investigada no esquema de descontos indevidos afirmou que viagem a Portugal teve foco em negócios ligados ao canabidiol e negou participação em irregularidades
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
As investigações sobre o esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ganharam um novo capítulo após o depoimento da empresária Roberta Luchsinger à Polícia Federal (PF). Amiga de longa data de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela negou ter realizado repasses financeiros ao empresário e afirmou desconhecer qualquer participação de Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”, em fraudes contra aposentados.
A oitiva ocorreu na manhã da última quarta-feira, por videoconferência, e durou cerca de uma hora e meia. O depoimento integra a fase final de coleta de informações da Polícia Federal, que busca concluir dezenas de depoimentos pendentes relacionados à chamada “Operação Sem Desconto”, investigação que apura descontos associativos indevidos aplicados em benefícios previdenciários de aposentados e pensionistas.
Segundo informações obtidas pela imprensa, Roberta confirmou ter prestado serviços profissionais ao “Careca do INSS” na área de regulação do mercado de canabidiol no Brasil. No entanto, ela afirmou à PF que, quando conheceu Antônio Carlos Camilo Antunes, não havia qualquer suspeita pública envolvendo seu nome ou ligação com irregularidades no INSS.
Durante o depoimento, a empresária também comentou a viagem de Lulinha a Portugal, anteriormente admitida pela defesa do filho do presidente como custeada pelo investigado. Segundo Roberta, a viagem tinha caráter empresarial e estava relacionada à prospecção de negócios ligados à cannabis medicinal.
De acordo com a defesa da empresária, Lulinha teria participado do encontro por interesse pessoal no tema, especialmente devido ao uso de medicamentos à base de canabidiol por familiares. Roberta afirmou ainda que não participou da viagem nem teve envolvimento direto nas negociações realizadas no exterior.
A empresária reconheceu manter amizade com Lulinha e sua esposa há vários anos e confirmou ter apresentado o filho do presidente ao “Careca do INSS” em um contexto social. Apesar disso, negou qualquer intermediação financeira ou participação em movimentações suspeitas.
Outro ponto que chamou atenção durante a investigação foi uma conversa interceptada pela PF em que o “Careca do INSS” menciona um suposto pagamento de R$ 300 mil destinado ao “filho do rapaz”. Segundo fontes ligadas ao caso, a Polícia Federal não questionou Roberta nem outros investigados sobre a identidade da pessoa citada no diálogo. A oposição passou a associar a referência ao nome de Lulinha, mas até o momento não há confirmação oficial sobre quem seria o destinatário mencionado.
As apurações da Polícia Federal indicam que Roberta Luchsinger pode ter atuado como operadora financeira e política do esquema investigado. Relatórios anexados ao processo apontam que uma empresa registrada em nome da empresária, a RL Consultoria e Intermediações Limitada, teria recebido aproximadamente R$ 1,5 milhão em transferências oriundas da Brasília Consultoria Empresarial Limitada, considerada pelos investigadores uma empresa de fachada ligada ao “Careca do INSS”.
A investigação também atravessa um momento de tensão institucional. Recentemente, a Polícia Federal transferiu o inquérito da Divisão de Crimes Previdenciários para uma coordenação responsável por casos com foro privilegiado. A mudança gerou críticas de parlamentares da oposição, que passaram a questionar uma possível interferência política na condução das investigações.
Nos bastidores, informações divulgadas pela imprensa apontam que o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, teria demonstrado preocupação com a alteração no comando do inquérito, diante do receio de descontinuidade das apurações.
A Polícia Federal segue reunindo depoimentos, documentos bancários e registros de movimentações financeiras para identificar a dimensão do esquema e esclarecer a participação de cada investigado.
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