Comando Vermelho e PCC ampliam influência em grupos de torcedores, segundo autoridades de segurança pública
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O avanço das facções criminosas sobre torcidas organizadas acendeu um alerta entre autoridades de segurança pública em diferentes regiões do país. Investigações e episódios recentes revelam que grupos ligados ao crime organizado passaram a exercer influência direta dentro de organizadas tradicionais do futebol brasileiro, interferindo em decisões internas, proibindo confrontos violentos e ampliando o controle sobre comunidades.
Nos bastidores da segurança pública, a avaliação é de que organizações criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) deixaram de atuar apenas no tráfico de drogas e passaram a utilizar estruturas ligadas ao futebol como instrumentos de influência territorial, social e financeira.
Especialistas apontam que as facções passaram a atuar como verdadeiros reguladores da violência dentro das torcidas organizadas para proteger seus próprios interesses criminosos.
Mudanças no Ceará acendem alerta nacional
O caso mais recente ocorreu no Ceará, onde os presidentes das principais torcidas organizadas ligadas aos clubes Fortaleza e Ceará anunciaram renúncia quase simultânea após episódios de violência entre torcedores.
Dirigentes das organizadas deixaram os cargos após a repercussão de mensagens atribuídas ao Comando Vermelho. As ordens que circularam nas redes sociais determinavam o fim dos confrontos entre torcidas rivais no estado.
Segundo análises de especialistas em segurança, o objetivo seria reduzir confrontos que acabam atraindo operações policiais para áreas dominadas pelo crime organizado.
A lógica das facções é evitar qualquer situação que aumente a presença do Estado dentro das comunidades controladas pelo tráfico.
Crime organizado amplia influência dentro das comunidades
Embora torcidas organizadas e facções criminosas tenham origens diferentes, especialistas afirmam que os grupos passaram a se cruzar devido ao domínio territorial exercido pelo crime organizado em diversas comunidades brasileiras.
Muitas torcidas possuem sedes, eventos sociais e projetos em regiões dominadas por facções. Isso faz com que lideranças precisem manter diálogo constante com criminosos que controlam essas áreas.
Além disso, investigações apontam que alguns integrantes transitam entre os dois universos, atuando ao mesmo tempo em organizações criminosas e em cargos dentro das organizadas.
Casos em São Paulo reforçam suspeitas de infiltração
Em São Paulo, episódios investigados nos últimos anos também levantaram suspeitas sobre a infiltração do crime organizado em diretorias de torcidas organizadas.
Um dos casos mais conhecidos envolve a morte de um dos fundadores da Mancha Verde, em 2017. Informações investigadas na época apontaram que o crime teria sido motivado por disputas internas relacionadas à entrada de integrantes ligados ao PCC dentro da estrutura da organizada.
Autoridades avaliam que o interesse das facções vai além da violência entre torcedores. A estrutura das torcidas também poderia ser utilizada para ampliar influência política, movimentação financeira e lavagem de dinheiro.
Investigadores apontam que as organizadas oferecem estrutura, presença territorial e capacidade de mobilização que despertam interesse do crime organizado.
Violência no futebol brasileiro preocupa autoridades
As torcidas organizadas surgiram entre as décadas de 1940 e 1950 com perfil festivo e foco em apoio aos clubes. Com o passar dos anos, muitos grupos passaram por processos de profissionalização interna e criação de hierarquias rígidas.
A partir da década de 1980, confrontos violentos se tornaram cada vez mais frequentes dentro e fora dos estádios brasileiros.
Levantamentos ligados à segurança pública estimam que centenas de pessoas morreram em conflitos relacionados ao futebol nas últimas décadas.
Hoje, especialistas afirmam que grande parte dos integrantes envolvidos em confrontos pertence à faixa etária entre 18 e 30 anos, muitos atraídos pelo sentimento de pertencimento, poder e influência oferecido pelos grupos organizados.
Segurança pública monitora avanço das facções
O crescimento da influência criminosa dentro das torcidas organizadas passou a ser tratado como preocupação estratégica por setores da segurança pública.
Autoridades avaliam que o fortalecimento dessa conexão pode ampliar o poder das facções dentro das cidades e dificultar ainda mais o combate ao crime organizado.
Nos bastidores das investigações, a preocupação é que o futebol brasileiro se transforme cada vez mais em espaço de influência direta de organizações criminosas que já dominam comunidades em diferentes estados do país.
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