Henrique Vorcaro é apontado pela investigação como operador de estrutura clandestina ligada ao Banco Master
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (14), uma nova fase da Operação Compliance Zero e prendeu Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como chefe de um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Segundo a investigação, Henrique Vorcaro teria papel estratégico dentro da estrutura paralela montada para proteger os interesses do grupo investigado. A PF afirma que ele atuava como “demandante, beneficiário e operador financeiro” de um núcleo conhecido como “A Turma”, responsável, segundo os investigadores, por ações de vigilância clandestina, intimidação, monitoramento ilegal e obtenção de informações sigilosas.
A prisão ocorreu em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e integra uma ofensiva autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Estrutura clandestina e grupos de intimidação
As investigações apontam a existência de dois grupos principais dentro da organização:
• “A Turma”, descrita como braço operacional de vigilância, coerção e vazamento de informações sigilosas;
• “Os Meninos”, grupo de perfil hacker voltado para invasões telemáticas, monitoramento ilegal, derrubada de perfis digitais e ataques cibernéticos.
Segundo a PF, os grupos atuavam como uma espécie de estrutura paralela de inteligência privada a serviço dos interesses do núcleo ligado ao Banco Master.
Conversas interceptadas pela investigação mostram referências a pagamentos mensais e divisão de funções entre integrantes da organização. Os investigadores afirmam que Henrique Vorcaro teria autorizado pagamentos de cerca de R$ 400 mil ao grupo acusado de executar ações ilegais.
Ainda conforme a PF, integrantes do esquema consultavam ilegalmente sistemas de segurança pública para descobrir possíveis investigações em andamento contra os envolvidos.
Daniel Vorcaro já está preso
De acordo com a investigação, Daniel Vorcaro já está preso em Brasília e é acusado de comandar um esquema de fraudes financeiras que, segundo estimativas da Polícia Federal, pode alcançar R$ 12 bilhões.
A PF também investiga uma ampla rede de influência envolvendo agentes públicos, operadores financeiros e integrantes do núcleo clandestino.
O caso aumenta ainda mais a pressão sobre setores do sistema financeiro e levanta novos questionamentos sobre o nível de influência de grandes grupos econômicos dentro de estruturas públicas sensíveis do Estado brasileiro.
Investigação aponta estrutura clandestina
Segundo a Polícia Federal, as provas reunidas indicam a existência de uma estrutura sofisticada de espionagem, intimidação, monitoramento ilegal e manipulação de informações sigilosas ligada ao núcleo investigado.
A PF sustenta que os grupos atuavam com divisão de funções, acesso indevido a sistemas restritos e ações coordenadas para proteger interesses ligados ao esquema investigado.
As investigações continuam e novos desdobramentos não estão descartados.
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