Estudos laboratoriais conduzidos no Canadá apontam potencial do extrato natural na destruição de células cancerígenas, porém eficácia em humanos ainda não foi comprovada
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Uma planta frequentemente vista como erva daninha em jardins e calçadas passou a chamar a atenção da comunidade científica internacional por seu possível potencial medicinal. Pesquisas conduzidas pela University of Windsor investigam os efeitos do extrato da raiz do dente-de-leão (Taraxacum officinale) sobre células cancerígenas, especialmente em casos de leucemia e câncer de cólon.
Os estudos, liderados pelo pesquisador Siyaram Pandey, mostraram resultados promissores em laboratório. Em alguns experimentos “in vitro” realizados em células isoladas fora do corpo humano, o extrato conseguiu induzir a apoptose, processo conhecido como morte celular programada, em células cancerígenas resistentes a tratamentos convencionais.
A descoberta ganhou repercussão internacional após estudos publicados na revista científica PLOS ONE relatarem efeitos significativos do extrato em células de Leucemia Mielomonocítica Crônica (LMMC), um tipo agressivo e raro de câncer sanguíneo. Segundo os pesquisadores, o composto natural apresentou baixa toxicidade em células saudáveis durante os testes laboratoriais.
Além da leucemia, outras pesquisas preliminares avaliaram o potencial do extrato em células de melanoma, câncer pancreático e câncer colorretal. Em alguns desses testes, observou-se redução expressiva da proliferação das células tumorais em até 48 horas.
Apesar do entusiasmo gerado pelos resultados iniciais, médicos e cientistas alertam que ainda não existe comprovação clínica de que a raiz de dente-de-leão cure câncer em seres humanos. A maior parte das pesquisas foi realizada em ambiente controlado de laboratório ou em modelos animais, etapas consideradas preliminares no desenvolvimento de medicamentos.
Especialistas em oncologia reforçam que muitos compostos apresentam desempenho promissor em placas de cultura celular, mas falham durante os ensaios clínicos em humanos devido à complexidade do organismo humano, diferenças metabólicas e limitações de absorção da substância.
Discussões recentes em fóruns científicos e comunidades voltadas ao câncer também demonstram cautela entre pacientes e pesquisadores. Usuários destacam que os resultados laboratoriais são relevantes para futuras pesquisas, mas não devem ser interpretados como evidência de cura imediata.
Atualmente, os estudos envolvendo o extrato da raiz de dente-de-leão seguem em investigação científica, incluindo avaliações de segurança e dosagem. Até o momento, agências regulatórias e instituições médicas não reconhecem o produto como tratamento oficial contra o câncer.
Profissionais da saúde alertam que pacientes oncológicos jamais devem abandonar tratamentos convencionais, como quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia, para utilizar terapias naturais sem orientação médica especializada.
Mesmo sem comprovação definitiva, a pesquisa representa uma importante linha de investigação da medicina moderna sobre compostos naturais e seus possíveis efeitos terapêuticos. Cientistas afirmam que substâncias presentes em plantas continuam sendo fonte de estudo para o desenvolvimento de futuros medicamentos menos tóxicos e mais seletivos no combate às células cancerígenas.
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