O crime chocou os moradores da região da Calábria, expondo a escravidão moderna ligada à máfia no país
Por Chico Gomes | GNEWSUSA
Quatro trabalhadores agrícolas imigrantes, sendo três de nacionalidade afegã e um do Paquistão, foram queimados vivos dentro de um veículo na última segunda-feira (01), em Corigliano-Rossano, na Itália. O crime chocou os moradores da região da Calábria.
Autoridades locais prenderam dois suspeitos paquistaneses identificados como ‘caporali’, termo usado para designar intermediários que controlam mão de obra precária no país de forma abusiva e violenta. O fato expôs a escravidão moderna ligada à máfia na Itália.
Os dois suspeitos foram identificados graças às imagens de câmeras de segurança de um posto de combustíveis e ao relato de um sobrevivente afegão, que conseguiu escapar do fogo pulando uma das janelas do veículo.
Ele disse que a motivação do crime seria uma cobrança de dinheiro feita pelos intermediários de mão de obra para cobrir custos do transporte às fazendas. Devido aos salários miseráveis que recebem, os imigrantes não tinham dinheiro para pagar e acabaram sofrendo o ato de violência extrema.
As investigações iniciais revelam que os agressores trancaram as portas do veículo, jogaram gasolina no interior e atearam fogo com um isqueiro. Dos cincos homens que estavam no carro, apenas um conseguiu sobreviver.
Sistema ‘caporalato’
Os imigrantes foram vítimas do sistema ‘caporalato’, considerado uma forma de escravidão moderna na Itália. Nesse esquema, intermediários recrutam trabalhadores para grandes explorações agrícolas, operando frequentemente sob controle ou com o apoio de organizações da máfia.
Conforme relatórios do sindicato CGIL, aproximadamente 70% dos trabalhadores agrícolas nessas condições trabalham sem contratação formalizada.
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