Investidores denunciam retenção de recursos e descumprimento de contratos ligados à UNIQUE LANDS ACADEMY LLC

Relatos citam Alexandre Cardinalli e Kátia Nerich; investidores afirmam ter formalizado denúncias junto ao FBI e alegam prejuízos que podem ultrapassar centenas de milhares de dólares
Por Redação |GNEWSUSA

Um grupo de investidores e ex-clientes afirma ter sido prejudicado financeiramente após contratar cursos, mentorias e oportunidades de investimento imobiliário oferecidos por representantes da UNIQUE LANDS ACADEMY LLC, empresa que atua no segmento de educação voltada para leilões de imóveis, Tax Deeds e investimentos imobiliários nos Estados Unidos.

Os relatos, obtidos por nossa reportagem, descrevem uma sequência de promessas de rentabilidade, contratos de investimento, transferências bancárias, atrasos na devolução de recursos e dificuldades para obter esclarecimentos sobre a destinação dos valores investidos.

As denúncias citam diretamente Alexandre Parreira dos Santos Silva, conhecido como Alexandre Cardinalli e Katia Maffaciolli Nerich conhecida como Katia Cardinalli apontados pelos entrevistados como figuras centrais nas negociações realizadas com alunos e investidores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

De acordo com os denunciantes, diversas reclamações já foram formalizadas junto ao FBI (Federal Bureau of Investigation), instituições bancárias, órgãos reguladores e profissionais jurídicos especializados, que analisam a documentação reunida pelas supostas vítimas.

Os documentos incluem contratos, comprovantes de transferências bancárias, registros de conversas, mensagens de texto, áudios, e-mails e demais materiais que, segundo os denunciantes, demonstram a existência de valores pendentes de devolução.

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Curso de US$ 3.500 teria sido porta de entrada para propostas de investimentos

Uma das entrevistadas, que pediu anonimato por receio de represálias, afirma que conheceu a empresa em agosto de 2024, quando adquiriu um curso voltado para investimentos em Tax Deeds, modalidade de leilão de propriedades com débitos tributários.

Segundo ela, o treinamento custou US$ 3.500 e incluía acompanhamento individualizado por mentores que orientavam os alunos sobre análise de imóveis, participação em leilões e estratégias de compra e revenda.

Durante o processo de mentoria, a investidora afirma que foi questionada diversas vezes sobre sua capacidade financeira para investir no mercado imobiliário.

Ela informou possuir aproximadamente US$ 180 mil disponíveis para futuros investimentos

Foi a partir desse momento, segundo seu relato, que começaram as abordagens para participação em oportunidades de investimento fora do escopo do curso originalmente contratado.

Depois que eu informei o valor que tinha disponível, passei a receber mensagens frequentes do Alexandre. Ele dizia que possuía um grupo de investidores e que realizava operações de compra e venda de propriedades com retornos rápidos”, relatou.

Segundo a entrevistada, a proposta apresentada consistia na aplicação de recursos em negócios imobiliários conduzidos diretamente pelo empresário. O modelo prometido, segundo ela, previa a compra antecipada de propriedades, sua posterior revenda e a distribuição dos lucros aos investidores em ciclos de aproximadamente três meses.

Ela afirma que recusou a proposta diversas vezes.

Meu marido dizia que eu estava pagando para aprender a investir e que não fazia sentido entregar o dinheiro para outra pessoa administrar. Por isso, durante meses eu disse não”, afirmou.

 

Investidor relata aporte de US$ 120 mil após promessas de retorno financeiro

Outro investidor ouvido pela reportagem, que também pediu anonimato, afirma ter investido aproximadamente US$ 120 mil após participar do curso de Tax Deed oferecido pela empresa.

Segundo seu relato, após adquirir o treinamento, passou a receber propostas para investir recursos em operações imobiliárias que prometiam retornos entre 15% e 20% a cada três meses por meio da compra e revenda de imóveis.

O entrevistado afirma que realizou os aportes após sucessivas abordagens e garantias de que os investimentos seriam aplicados em negócios imobiliários já em andamento.

No entanto, ele alega que os imóveis apresentados durante as negociações não correspondiam à realidade informada aos investidores e que, posteriormente, os recursos teriam sido direcionados para um empreendimento chamado Lake Ellen.

De acordo com o denunciante, o projeto nunca saiu do papel e, até o momento, ele não recebeu a devolução dos valores investidos nem os retornos prometidos. O investidor afirma possuir contratos, comprovantes de transferências e registros de conversas que, segundo ele, comprovam os fatos relatados.

 

Pressão para investir teria aumentado após evento presencial na Flórida

 

A investidora relata que as abordagens continuaram durante vários meses

Em fevereiro de 2025, ela decidiu participar de um leilão presencial organizado pela empresa na Flórida. Moradora do Arizona, viajou ao estado acompanhada do marido para acompanhar de perto as operações apresentadas pela empresa.

Durante o evento, conheceu outros alunos e investidores. Entre eles estava outro investidor (citado acima) que, segundo ela, havia acabado de investir aproximadamente US$ 120 mil em projetos apresentados por Alexandre Cardinalli.

A entrevistada afirma que o contato com outros investidores ajudou a aumentar sua confiança na proposta. No mesmo leilão, ela e o outro investidor adquiriram conjuntamente dois terrenos, iniciando uma parceria de investimentos que permanece até hoje.

Após retornar ao Arizona, porém, as abordagens para que investisse diretamente nos projetos apresentados pela empresa teriam se intensificado.

Eu já conhecia alguém que tinha investido. Isso me deixou mais confiante. A pressão continuava sendo muito forte e, depois de meses ouvindo as mesmas promessas, acabei aceitando”, afirmou.

 

 

Contrato de US$ 60 mil previa retorno após um ano

Segundo a entrevistada, em fevereiro de 2025 foi firmado um contrato pelo qual ela transferiu US$ 60 mil para serem administrados por um período de um ano.

A operação teria sido realizada por transferência bancária internacional, acompanhada de contrato formal. A expectativa era receber de volta o capital investido ao término do contrato, acrescido dos lucros gerados pelas operações imobiliárias realizadas ao longo do período.

A investidora afirma possuir cópias do contrato e dos comprovantes de transferência

Contudo, ela relata que, passados os primeiros meses, começou a questionar quais propriedades haviam sido adquiridas com seus recursos.

Ele sempre dizia que comprava e revendia imóveis em poucos meses. Mas quando comecei a perguntar quais propriedades tinham sido compradas, nunca recebi uma resposta concreta”, declarou.

Segundo ela, em determinado momento foi informada de que seu dinheiro havia sido direcionado para um empreendimento denominado Lake Ellen. O projeto teria sido apresentado como um grande desenvolvimento imobiliário envolvendo mais de 200 residências de alto padrão.

A investidora afirma que passou a questionar qual seria sua participação financeira em um empreendimento multimilionário financiado por um investimento relativamente pequeno.

Eu perguntava qual era minha participação, como meu dinheiro estava sendo utilizado e qual era a previsão de retorno. Nunca recebia respostas objetivas”, relatou.

 

Contrato venceu e recursos não teriam sido devolvidos

Conforme o depoimento, o contrato venceu em fevereiro de 2026. A partir desse momento, a investidora passou a exigir formalmente a devolução do capital aplicado. Segundo ela, sucessivas promessas de pagamento foram feitas, mas nenhuma delas teria sido cumprida.

Era sempre a mesma resposta: semana que vem, semana que vem, semana que vem. O dinheiro nunca chegava”, afirmou.

Ela relata ainda que um terceiro envolvido nas negociações teria informado posteriormente que não participaria mais das operações e que também não realizaria pagamentos aos investidores.

A entrevistada afirma que, até o momento de seu depoimento, não havia recebido a restituição do valor investido nem qualquer participação financeira prometida.

 

Grupo de investidores estima prejuízos superiores a US$ 750 mil

Segundo a denunciante, ao menos seis investidores que mantêm contato frequente relatam problemas semelhantes. Somados, os valores que alegam ter investido ultrapassariam US$ 750 mil.

Os investidores afirmam possuir contratos, transferências bancárias, registros de conversas e outros documentos que estariam sendo organizados para apresentação às autoridades competentes. Outros optaram por encaminhar denúncias diretamente ao FBI e a instituições financeiras responsáveis pelas transferências realizadas.

A entrevistada afirma que uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo grupo é o elevado custo de processos judiciais nos Estados Unidos.

 

Cliente afirma ter recebido apenas parte do reembolso após pressão pública

Outra entrevistada, também sob condição de anonimato, afirma ter desistido de uma contratação após análise jurídica do contrato que lhe foi apresentado.

Segundo ela, participou de uma reunião comercial com representantes da empresa e realizou pagamentos acreditando nas condições apresentadas verbalmente.

Posteriormente, recebeu um contrato que, segundo seu advogado, não refletia integralmente as promessas feitas durante a negociação. A cliente afirma ter solicitado o cancelamento da contratação e o reembolso dos valores pagos após orientação jurídica recebida durante a análise do contrato.

Segundo seu relato, recebeu promessas de que os recursos seriam devolvidos, mas afirma que o processo foi marcado por atrasos, cobranças e informações que considera contraditórias.

A entrevistada relata que somente após aumentar a pressão pública sobre o caso, incluindo contatos com veículos de comunicação e divulgação de sua experiência, parte dos valores começou a ser devolvida.

No entanto, ela afirma que, até o momento, o reembolso não foi realizado de forma integral, permanecendo um valor pendente que, segundo ela, não reconhece como legítimo.

A cliente sustenta que nunca assinou o contrato apresentado pela empresa e, por essa razão, entende não existir fundamento para qualquer retenção, desconto ou cobrança relacionada à contratação.

 

Denúncias seguem em andamento

As denúncias envolvendo a UNIQUE LANDS ACADEMY LLC continuam sendo reunidas por investidores que afirmam ter sido afetados pelas operações apresentadas pela empresa.

Segundo os entrevistados, novas pessoas continuam entrando em contato para relatar experiências semelhantes. Os denunciantes afirmam que as informações já foram encaminhadas ao FBI e a outros órgãos competentes para análise.

A documentação inclui contratos, comprovantes bancários, registros de transferências, mensagens, e-mails e gravações que, segundo eles, poderão auxiliar na apuração dos fatos.

Além das denúncias já formalizadas junto ao FBI, os entrevistados afirmam que outras supostas vítimas estão reunindo documentação para apresentação às autoridades competentes, ampliando o número de relatos que poderão ser analisados pelos órgãos responsáveis.

O que diz a empresa

Em resposta aos questionamentos encaminhados pela reportagem, a empresa apresentou sua versão sobre os fatos relatados pelos entrevistados, afirmando que atua de forma regular, possui documentação que comprova suas operações e rejeita as alegações de uso indevido de recursos ou descumprimento contratual. A empresa também informou que alguns projetos passaram por processos de reestruturação, o que teria ocasionado atrasos, mas sustentou que os clientes foram comunicados e continuam recebendo atualizações.

A reportagem analisará as informações e os documentos apresentados e permanece aberta à publicação de novos esclarecimentos, manifestações e atualizações relacionadas ao caso, em respeito aos princípios do contraditório, da ampla defesa e do exercício responsável do jornalismo.

O GNEWSUSA reafirma seu compromisso com a informação responsável e permanece aberto a novos esclarecimentos, manifestações e atualizações por parte da empresa e de seus representantes, garantindo espaço para o contraditório e a ampla defesa.

 

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