Senador amplia agenda de fé e fortalece sua ligação com eleitores religiosos durante evento cristão
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, tem intensificado sua aproximação com o eleitorado evangélico e transformado a religião em um dos principais pilares de sua atuação política para as eleições de 2026. A participação na Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira (5) em São Paulo, simboliza o fortalecimento dessa agenda e reforça a busca pela consolidação de uma base considerada importante para a disputa presidencial.
Ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, Flávio participou de um dos maiores eventos cristãos do país, que reúne milhares de fiéis e lideranças religiosas de diferentes denominações. A Marcha para Jesus, criada em 1993 e organizada pela Igreja Renascer em Cristo, consolidou-se ao longo dos anos como um importante espaço de mobilização social, religiosa e política.
A presença do senador ocorre em um momento em que pesquisas apontam forte apoio do segmento evangélico à sua pré-candidatura. Levantamento realizado pelo instituto Meio/Ideia mostra que, em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio aparece com 66,6% das intenções de voto entre os evangélicos, enquanto Lula registra 22,9%.
Os números também revelam dificuldades do atual governo nesse segmento. Segundo a pesquisa, 74,1% dos evangélicos afirmam que Lula não merece um novo mandato. A avaliação positiva da gestão petista soma 23,3%, enquanto a negativa alcança 48,3%.
O levantamento ouviu 1.500 eleitores por telefone entre os dias 23 e 27 de maio de 2026. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02918/2026.
Nos últimos meses, Flávio passou a utilizar com mais frequência referências religiosas em discursos, entrevistas e publicações nas redes sociais. Em vídeos divulgados por sua equipe, o senador aparece participando de cultos, citando passagens bíblicas e associando sua atuação política a conceitos como propósito, missão e batalha espiritual.
Em uma das gravações, o pré-candidato afirmou que sua força para enfrentar desafios políticos tem origem na fé.
“Eu sei que esta não é uma batalha só aqui na Terra. É uma batalha espiritual, acima de tudo”, declarou.
Além das aparições públicas, a campanha também tem investido em encontros com líderes religiosos e representantes de diferentes igrejas evangélicas. O objetivo é fortalecer laços com um segmento que tem apresentado crescente influência nas disputas eleitorais nacionais.
Outra mensagem que ganhou repercussão foi a referência ao “manto de Elias”, utilizada por Flávio para relacionar sua trajetória política à sucessão do ex-presidente Jair Bolsonaro como principal liderança do campo conservador. O discurso tem reforçado a ideia de continuidade de valores defendidos pelo ex-presidente e por parcela significativa do eleitorado de direita.
Para o teólogo Dione Caruzo, estudioso da relação entre religião e política há mais de três décadas, a estratégia segue um movimento já consolidado entre lideranças conservadoras que buscam manter forte identificação com o público evangélico.
Segundo ele, a reafirmação de valores religiosos costuma funcionar como instrumento de mobilização e preservação da unidade entre apoiadores.
“Ele já é herdeiro simbólico de Jair Bolsonaro dentro das igrejas. Ele só perde essa herança política se mudar o discurso ou começar a perder o apoio das lideranças”, afirmou.
Enquanto Flávio busca ampliar sua vantagem entre os evangélicos, o governo Lula também tenta reduzir a resistência que enfrenta nesse segmento. Como parte desse esforço, o advogado-geral da União, Jorge Messias, participou mais uma vez da Marcha para Jesus.
Presbítero batista, Messias tornou-se um dos principais interlocutores do governo federal junto às lideranças evangélicas e participou do evento pelo quarto ano consecutivo desde o início do atual mandato presidencial.
Apesar das tentativas de aproximação, especialistas observam que a rejeição ao PT continua elevada entre parcela significativa do eleitorado evangélico. Para Dione Caruzo, o fortalecimento do movimento conservador nos últimos anos ampliou a identificação de muitas lideranças religiosas com pautas defendidas pela direita e aprofundou a resistência ao PT nesse segmento.
“Nos dois primeiros mandatos de Lula, essa resistência não era tão alta como atualmente. Com o fortalecimento de pautas conservadoras alinhadas a princípios defendidos por parte das igrejas, a oposição ao PT foi potencializada. A resistência continua consolidada e alta”, afirmou.
Com a pré-campanha ganhando intensidade, a disputa pelo voto evangélico tende a ocupar posição central no cenário eleitoral de 2026, especialmente diante da influência crescente desse segmento na definição dos rumos da política nacional.
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