PF faz nova fase da Operação Disclosure e investiga esquema bilionário na Americanas

Justiça bloqueia até R$ 54 bilhões em bens; investigação apura fraude contábil e manipulação de mercado na companhia

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga um dos maiores escândalos corporativos do país envolvendo a rede varejista Americanas.

Ao todo, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, com apoio do Ministério Público Federal (MPF). A operação tem como objetivo aprofundar as investigações sobre fraudes contábeis que teriam provocado um rombo bilionário na companhia.

Entre os alvos estão integrantes do conselho de administração da empresa, como Beto Sicupira e Eduardo Saggioro, além do ex-integrante Paulo Alberto Lemann, filho do empresário Jorge Paulo Lemann.

Justiça determina bloqueio de R$ 54 bilhões em bens

Em uma das decisões mais duras do caso, a Justiça Federal determinou o sequestro de até R$ 54 bilhões em bens e valores ligados aos investigados.

As medidas fazem parte da investigação conduzida pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e contam também com apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que acompanha o caso desde a primeira fase da operação.

Segundo as apurações, o esquema teria envolvido movimentações financeiras irregulares conhecidas como “risco sacado”, além de contratos de publicidade registrados na contabilidade sem lastro real no caixa da empresa.

Esquema investigado envolve fraude contábil e mercado financeiro

De acordo com os investigadores, os envolvidos teriam conhecimento das inconsistências contábeis que inflavam artificialmente os resultados da empresa.

As suspeitas incluem os crimes de manipulação de mercado e associação criminosa, além de possíveis irregularidades fiscais relacionadas à estrutura financeira utilizada pela companhia.

As investigações apontam ainda que o esquema teria sido estruturado de forma sofisticada, envolvendo ex-diretores da Americanas e possíveis conexões com executivos de grandes instituições financeiras, como Itaú, Bradesco e Santander.

Fontes ligadas ao processo afirmam que as apurações tiveram início a partir de delações premiadas de ex-diretores da própria empresa, que detalharam o funcionamento interno do suposto esquema.

Primeira fase da operação e evolução das investigações

A Operação Disclosure teve início há cerca de dois anos e, inicialmente, buscava esclarecer a participação de ex-diretores da Americanas nos ilícitos.

Na época, a estimativa do rombo era de aproximadamente R$ 25,3 bilhões. Com o avanço das investigações, esse valor praticamente dobrou, chegando aos atuais R$ 54 bilhões estimados pela Justiça Federal.

Em fases anteriores, a operação chegou a mobilizar dezenas de agentes e incluir mandados de prisão, busca e apreensão, além de análise de documentos contábeis e financeiros da empresa.

Posicionamento da Americanas e dos bancos citados

Em nota, a Americanas afirmou que já não é alvo direto da nova fase da operação, destacando que apenas foi objeto de buscas na etapa inicial das investigações. A empresa também declarou que segue colaborando com as autoridades e que tem interesse no esclarecimento completo dos fatos.

A companhia afirmou ainda que está em processo de recuperação judicial e que já teria cumprido as obrigações previstas no plano homologado pela Justiça.

O Itaú Unibanco informou que não é investigado na operação, mas que colabora com as autoridades desde o início das investigações, fornecendo documentos e informações.

O banco também declarou que sofreu prejuízos significativos com o caso, mas reforçou que sua conduta e de seus funcionários foram consideradas regulares pelas autoridades.

O Bradesco afirmou estar à disposição da Justiça para colaborar com o andamento das investigações.

Já o Santander não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Caso segue entre os maiores escândalos corporativos do país

A nova fase da Operação Disclosure reforça o avanço das investigações sobre o que já é considerado um dos maiores escândalos financeiros e contábeis da história recente do Brasil.

A apuração segue em andamento, e os investigados poderão responder por crimes financeiros, contábeis e contra o mercado de capitais, dependendo da consolidação das provas pela Justiça Federal.

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