ONU estima mais de 50 mil desaparecidos enquanto equipes de resgate intensificam as buscas por sobreviventes
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias naturais de sua história recente após ser atingida por dois fortes terremotos na última quarta-feira (24). O número oficial de mortos subiu para 920, conforme informou nesta sexta-feira (26) o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. Além das vítimas fatais, milhares de pessoas ficaram feridas e o cenário ainda é de incerteza, já que a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 50 mil pessoas continuam desaparecidas.
Os abalos sísmicos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram em um intervalo inferior a um minuto e atingiram principalmente a região norte do país. A cidade de La Guaira, localizada no litoral e próxima à capital Caracas, foi uma das mais afetadas. Prédios residenciais, estabelecimentos comerciais e edifícios públicos desabaram, transformando bairros inteiros em montanhas de concreto e ferro.
As equipes de resgate trabalham contra o tempo. Especialistas afirmam que as primeiras 72 horas após um terremoto são decisivas para encontrar sobreviventes, o que intensificou as operações de busca em diversas áreas devastadas.
Enquanto bombeiros, militares e voluntários utilizam equipamentos especializados para localizar pessoas sob os escombros, muitos moradores passaram a realizar buscas por conta própria, utilizando pás, marretas e ferramentas improvisadas na esperança de resgatar familiares ainda com vida.
Segundo dados atualizados, 2.980 pessoas ficaram feridas, muitas delas em estado grave, e hospitais da região operam acima da capacidade. Unidades de saúde montaram estruturas emergenciais para atender o grande número de vítimas.
A dimensão da tragédia levou à mobilização internacional. Pelo menos 17 países enviaram equipes especializadas em busca e salvamento, além de cães farejadores, drones, hospitais de campanha, medicamentos, alimentos e equipamentos para auxiliar nas operações humanitárias.
La Guaira concentra a maior destruição
La Guaira tornou-se o principal símbolo da devastação. A cidade registrou dezenas de edifícios destruídos ou parcialmente comprometidos. O principal aeroporto internacional da Venezuela também sofreu danos estruturais e teve suas operações interrompidas, sendo utilizado apenas para voos de emergência e transporte de ajuda humanitária.
Diversas rodovias ficaram bloqueadas por deslizamentos e rachaduras provocadas pelos tremores, dificultando o acesso das equipes de socorro às comunidades mais isoladas.
Milhares de moradores passaram a dormir em praças, ginásios e abrigos improvisados por medo de novos tremores, enquanto outros permanecem ao lado dos escombros aguardando notícias de familiares desaparecidos.
Mais de 50 mil desaparecidos preocupam autoridades
O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, informou que mais de 50 mil pessoas permanecem desaparecidas. O número inclui pessoas soterradas, moradores sem comunicação e indivíduos que ainda não conseguiram contato com familiares devido aos danos na infraestrutura de energia e telecomunicações.
Autoridades alertam que o número de mortos pode aumentar significativamente à medida que novas áreas sejam alcançadas pelas equipes de resgate.
Brasileiros estão entre as vítimas
A tragédia também atingiu cidadãos brasileiros.
Uma das vítimas fatais é Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, moradora do Gama, no Distrito Federal. Ela havia se mudado para Caracas cerca de dois meses antes do desastre e morreu após o desabamento parcial da residência onde estava durante os tremores.
Além dela, outro brasileiro também morreu. Até o momento, sua identidade não foi divulgada oficialmente.
O Ministério das Relações Exteriores informou que presta assistência consular às famílias das vítimas e acompanha a situação dos brasileiros que permanecem na Venezuela.
País volta a enfrentar forte atividade sísmica
Embora a Venezuela esteja localizada em uma região de atividade sísmica, especialistas afirmam que o país não registrava um terremoto de grande magnitude desde 1997.
Os dois tremores ocorreram em uma área de intensa movimentação tectônica e liberaram enorme quantidade de energia, provocando destruição em cidades densamente povoadas.
Ajuda humanitária internacional
Governos de diversos países anunciaram ajuda humanitária à Venezuela. Entre eles, os Estados Unidos anunciaram o envio de assistência de emergência, somando-se aos esforços internacionais para fornecer alimentos, água potável, medicamentos, geradores de energia e equipes médicas às áreas atingidas
A ONU também coordena ações para ampliar o atendimento às vítimas e alerta para o risco de agravamento da crise humanitária caso o fornecimento de água, energia elétrica e atendimento médico não seja restabelecido rapidamente.
Situação segue crítica
As operações de resgate continuam sem previsão para terminar. Milhares de famílias ainda aguardam notícias de parentes desaparecidos, enquanto especialistas alertam que o balanço oficial poderá aumentar nos próximos dias.
Com centenas de mortos, milhares de feridos e dezenas de milhares de desaparecidos, a tragédia já é considerada uma das mais graves da América Latina nas últimas décadas e representa um enorme desafio para as autoridades venezuelanas e para a comunidade internacional.
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