Autoridades de saúde investigam mais de 2,6 mil casos em Michigan; especialistas reforçam que ainda não há confirmação sobre um alimento, produtor ou fornecedor específico
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Um dos maiores surtos de ciclosporíase já registrados nos Estados Unidos colocou as autoridades sanitárias em alerta e levantou suspeitas sobre um grupo de alimentos consumidos diariamente por milhões de pessoas. Investigações conduzidas pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan (MDHHS) apontam que alface e outras folhas verdes aparecem, até o momento, como os principais alimentos associados aos casos, embora os especialistas enfatizem que a origem exata da contaminação ainda não foi confirmada.
As autoridades ressaltam que a investigação permanece em andamento e que nenhum tipo específico de produto, marca, produtor ou fornecedor foi identificado como responsável pelo surto. Outros alimentos também continuam sendo analisados.
Michigan registra aumento histórico de casos
Até o momento, Michigan contabiliza 2.640 casos confirmados de ciclosporíase, número muito superior à média histórica do estado, que costuma registrar entre 40 e 50 casos por ano.
O aumento também preocupa outros estados norte-americanos. Em Illinois, os registros se aproximam de 200 casos, incluindo dezenas de ocorrências em Chicago. Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), 31 estados norte-americanos já notificaram infecções, e 86 pessoas precisaram ser hospitalizadas em decorrência da doença.
As investigações epidemiológicas indicam ainda que a maioria dos pacientes não viajou para fora do país antes do aparecimento dos sintomas, reforçando a hipótese de que a contaminação ocorreu por meio de alimentos consumidos dentro dos Estados Unidos.
O que é a ciclosporíase?
A ciclosporíase é uma doença intestinal causada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis, um parasita microscópico que infecta o intestino humano.
A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de:
- frutas e verduras contaminadas;
- água contaminada;
- alimentos manipulados em condições inadequadas de higiene.
Ao contrário de muitas infecções intestinais, a transmissão direta de uma pessoa para outra é considerada extremamente rara, porque o parasita eliminado nas fezes precisa permanecer algum tempo no ambiente para se tornar infectante.
Quais alimentos estão sob investigação?
Embora a investigação ainda não tenha chegado a uma conclusão definitiva, os dados coletados pelos epidemiologistas mostram que alface e folhas verdes aparecem com frequência entre os alimentos consumidos pelos pacientes antes do início da doença.
Mesmo assim, os órgãos de saúde reforçam que:
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nenhum produto específico foi confirmado;
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nenhuma marca foi relacionada ao surto;
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nenhum produtor ou distribuidor foi identificado.
Especialistas alertam que outros alimentos continuam sendo investigados.
Historicamente, surtos anteriores de ciclosporíase nos Estados Unidos e no Canadá já foram associados a:
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misturas de saladas embaladas;
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coentro fresco;
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manjericão;
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framboesas;
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ervilhas-tortas;
-
cebolinhas.
Quais são os sintomas?
A doença costuma surgir entre dois dias e duas semanas após a ingestão do alimento contaminado, sendo esse longo período de incubação uma das características que dificultam o rastreamento da origem da infecção.
Os sintomas mais comuns incluem:
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diarreia intensa e aquosa;
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cólicas abdominais;
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náuseas;
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perda de apetite;
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fadiga;
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gases;
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inchaço abdominal;
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perda de peso.
Alguns pacientes também apresentam febre baixa, embora esse sintoma seja menos frequente.
Sem tratamento adequado, os sintomas podem durar várias semanas e, em alguns casos, desaparecer e retornar posteriormente.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico exige exames laboratoriais específicos.
Segundo o CDC e o MDHHS, os exames convencionais de fezes nem sempre conseguem identificar a Cyclospora, motivo pelo qual pacientes com diarreia persistente devem informar ao médico a suspeita da doença para que sejam solicitados testes específicos.
Tratamento
A maioria dos pacientes necessita apenas de:
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repouso;
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hidratação adequada;
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reposição de líquidos e sais minerais.
Quando a infecção é confirmada, o tratamento de escolha é o antibiótico trimetoprima-sulfametoxazol (TMP-SMX), considerado o medicamento mais eficaz contra o parasita.
Pessoas imunossuprimidas podem apresentar quadros mais prolongados e necessitar de acompanhamento médico mais rigoroso.
Como reduzir o risco de contaminação?
Enquanto a investigação continua, as autoridades sanitárias orientam consumidores, restaurantes e estabelecimentos comerciais a reforçarem os cuidados no preparo dos alimentos.
Entre as recomendações estão:
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preferir cabeças inteiras de alface em vez de saladas prontas;
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retirar as folhas externas antes do consumo;
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lavar cuidadosamente frutas e verduras em água corrente;
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descascar alimentos sempre que possível;
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cozinhar vegetais quando o preparo permitir.
Especialistas lembram que lavar os alimentos melhora a segurança, mas não elimina totalmente o risco, pois o parasita apresenta resistência aos métodos tradicionais de higienização química.
Quando possível, cozinhar os alimentos a 70 °C ou mais é considerado a medida mais eficaz para destruir a Cyclospora.
Investigação continua
A diretora médica do Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan, Dra. Natasha Bagdasarian, afirmou que a divulgação das informações tem como objetivo orientar a população enquanto a investigação prossegue.
Segundo ela, embora as evidências iniciais indiquem associação frequente entre os casos e o consumo de folhas verdes, a origem do surto ainda não foi definitivamente identificada, e novas informações poderão alterar as conclusões atuais.
As autoridades reforçam que consumidores não devem entrar em pânico, mas manter boas práticas de higiene alimentar e procurar atendimento médico caso apresentem diarreia intensa ou persistente.

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