EUA devem anunciar tarifa de 25% sobre produtos do Brasil após fim de negociações sem acordo

Governo brasileiro aguarda decisão oficial de Washington para avaliar impactos da medida e definir possíveis respostas comerciais
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

Os Estados Unidos devem oficializar nesta quarta-feira (15) uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, após as negociações entre os dois países terminarem sem acordo. O governo brasileiro aguarda a publicação da medida para verificar quais setores serão atingidos e quais produtos poderão ser excluídos da cobrança.

O impasse ocorreu após a quinta reunião de alto nível entre representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Itamaraty e da Assessoria Especial da Presidência com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro, realizado na terça-feira (14), terminou sem avanços nas tratativas.

Diante da expectativa pelo anúncio norte-americano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio do Planalto. O encontro teve como objetivo acompanhar o cenário diplomático e avaliar os próximos passos do governo brasileiro diante da possível medida comercial.

Mauro Vieira também era aguardado em uma audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, mas não compareceu. O chanceler havia solicitado o adiamento da sessão, para a qual foi convocado, porém os parlamentares decidiram manter a reunião na data prevista.

A medida norte-americana está relacionada a um processo aberto em julho de 2025, com base na Seção 301 da legislação dos Estados Unidos. O procedimento avalia práticas que Washington considera prejudiciais aos seus interesses comerciais e envolve temas como Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento. O governo brasileiro contesta as acusações e afirma que não há justificativa para a iniciativa.

Além desse processo, os Estados Unidos também analisam questões ligadas ao combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas. A apuração, iniciada em março deste ano e ampliada para incluir o Brasil, outros 59 países e a União Europeia, poderá resultar em uma sobretaxa adicional de 12,5% caso sejam adotadas novas sanções ao fim da análise.

O governo federal afirma que a abertura do processo comercial foi influenciada por articulações da família Bolsonaro com aliados do presidente Donald Trump nos Estados Unidos e avalia que há motivação política e eleitoral. Essa é a interpretação do Planalto. A família Bolsonaro, por sua vez, defende o fortalecimento das relações entre Brasil e Estados Unidos e nega irregularidades em sua atuação.

Apesar de estudar possíveis medidas de resposta, o governo brasileiro afirma que pretende manter o diálogo diplomático com Washington. Uma eventual reação dependerá do conteúdo final da decisão norte-americana e do impacto da tarifa sobre os setores da economia brasileira.

 

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