Senador nega apoiar novas tarifas, responsabiliza o governo pela crise e afirma que defenderá os interesses do Brasil
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu, na noite desta quinta-feira (2), às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a possibilidade de os Estados Unidos imporem novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar negou ter apoiado qualquer medida que prejudique as exportações nacionais e atribuiu ao governo federal a responsabilidade pelo agravamento das tensões diplomáticas com Washington.
Segundo Flávio Bolsonaro, Lula é o principal responsável pelo cenário atual em razão da condução da política externa brasileira e da ausência de negociações para evitar possíveis sanções comerciais.
“Lula é o único que quer o tarifaço contra produtos brasileiros. Provocou, esbravejou, não negociou e fez lobby a favor do PCC e do Comando Vermelho para que não fossem classificados como terroristas”, escreveu o senador em sua conta na rede social X.
Flávio nega apoio ao tarifaço
As declarações ocorreram após Lula afirmar que integrantes da família Bolsonaro teriam atuado para favorecer a adoção de tarifas sobre produtos brasileiros. O senador rejeitou a acusação e afirmou que sua atuação tem sido justamente para evitar prejuízos à economia nacional.
De acordo com Flávio, ele tem mantido diálogo com autoridades americanas para defender os interesses do Brasil e impedir que eventuais medidas comerciais afetem empresas, trabalhadores e produtores brasileiros.
O parlamentar anunciou ainda que retornará aos Estados Unidos na próxima semana para reforçar esse posicionamento.
“Na próxima semana, volto aos Estados Unidos para reforçar essa defesa. Meu pedido é simples: não imponham tarifas ao Brasil. Não punam os brasileiros pelos erros do lulopetismo.”
Acusações sobre facções criminosas
Na mesma manifestação, Flávio Bolsonaro acusou o governo Lula de ter atuado para impedir que organizações criminosas brasileiras fossem classificadas como grupos terroristas pelas autoridades norte-americanas.
Segundo o senador, essa postura teria prejudicado a cooperação internacional no combate ao crime organizado e ignorado a situação enfrentada por milhões de brasileiros que vivem em áreas dominadas por facções criminosas.
“Ignorou o sofrimento de mais de 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas por esses narcoterroristas”, afirmou.
As declarações fazem referência ao debate internacional sobre o enquadramento de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, tema que ganhou força nos Estados Unidos nos últimos meses.
Defesa do Pix
Flávio Bolsonaro também afirmou que tratou da defesa do sistema de pagamentos instantâneos Pix durante conversas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Segundo o senador, o objetivo foi evitar que investigações conduzidas pelo governo americano resultassem na aplicação de uma tarifa de até 25% sobre produtos brasileiros.
Ele reiterou que continuará atuando para impedir que a economia brasileira seja penalizada.
Reação do governo
Em resposta às declarações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a carta enviada pelo senador ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), na qual foi sugerido o adiamento de possíveis tarifas por 180 dias.
Lula afirmou que não há justificativa para a adoção de novas taxas sobre produtos brasileiros e atribuiu à família Bolsonaro o desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos, apontando que o grupo teria defendido publicamente medidas tarifárias contra o país.
Contexto da disputa
A troca de declarações ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O debate ganhou força após o envio da carta de Flávio Bolsonaro ao USTR e diante da possibilidade de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Enquanto o governo federal sustenta que a iniciativa do senador prejudica os interesses nacionais, Flávio Bolsonaro afirma que sua atuação busca evitar prejuízos à economia brasileira e atribui ao governo Lula a responsabilidade pelo desgaste nas relações com Washington.
Até o momento, não houve anúncio oficial da aplicação das tarifas discutidas, e as negociações entre os dois países seguem sendo acompanhadas pelo governo brasileiro e pelos setores produtivos.
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