Lula fala em “guerra da verdade” com Trump em meio ao tarifaço

Presidente afirma que responderá diretamente ao líder americano após manifestação oficial enquanto governo prepara reação às tarifas anunciadas por Washington
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a comentar, nesta sexta-feira (17), a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas sobre produtos brasileiros e afirmou que pretende enfrentar o presidente Donald Trump no campo do discurso público. Segundo o chefe do Executivo, sua estratégia será defender a posição brasileira diante da disputa comercial.

Durante visita ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), no Rio de Janeiro, Lula declarou: “A guerra que quero fazer com ele é a guerra da narrativa, guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem é que está dentro da verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e Estados Unidos. Ele vai ter que aprender a fazer guerra com outra arma, a arma da palavra.”

Na mesma agenda, o presidente afirmou que pretende aguardar uma manifestação oficial de Donald Trump antes de voltar a comentar o tema. “Quando o Trump falar, eu vou falar, de presidente para presidente.”

A nova rodada de tensão entre Brasília e Washington teve início após o governo americano anunciar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Um integrante da administração dos Estados Unidos afirmou que a medida poderá ser revista caso o Brasil não adote ações de retaliação comercial.

Em nota divulgada na quinta-feira (16), o Palácio do Planalto informou que pretende acionar os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, além de levar novamente a discussão ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em outro compromisso oficial realizado nesta sexta-feira, Lula voltou a criticar as acusações feitas por autoridades americanas e declarou: “Nós vamos mostrar que, no Brasil, ninguém ganha mentindo; ou é mais verdadeiro que nós, ou não vai enganar a sociedade brasileira.”

A resposta oficial do governo brasileiro começou logo após o anúncio feito pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que informou que as tarifas de 25% sobre produtos brasileiros passarão a vigorar em 22 de julho. Em comunicado divulgado na ocasião, o Palácio do Planalto classificou a decisão como um “marco lastimável” nas relações entre Brasil e Estados Unidos.

Na sequência, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, contestou as justificativas apresentadas por autoridades americanas. O chanceler classificou as críticas dos Estados Unidos ao Pix como “descabidas”, afirmou que as tarifas “não têm racionalidade” e considerou “inaceitáveis e ofensivas” as declarações do secretário de Estado, Marco Rubio, direcionadas ao presidente brasileiro.

Rubio, por sua vez, afirmou que as políticas econômicas adotadas pelo governo brasileiro seriam “ruins para os americanos e ruins para os brasileiros” e acusou Lula de não negociar de boa-fé com Washington. O Palácio do Planalto respondeu dizendo que o Brasil nunca deixou de participar das negociações diplomáticas.

Em meio ao aumento das tensões comerciais, Lula utilizou as redes sociais para reforçar que o governo brasileiro buscou diálogo com Washington antes da adoção das novas tarifas. Na publicação, o presidente escreveu: “Desde o primeiro momento, buscamos o diálogo e enfatizamos nossa disposição de negociar. Apontamos que não há justificativa para as tarifas anunciadas.”

Enquanto o impasse diplomático repercute entre os dois governos, o episódio também intensificou o debate político em Brasília. Integrantes da oposição atribuíram ao governo federal a responsabilidade pelo agravamento da relação com os Estados Unidos. 

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