Hamas anuncia saída do governo da Faixa de Gaza e sinaliza transição para administração civil

Grupo afirma que deixará o comando político do território após quase duas décadas. Medida abre caminho para um comitê de tecnocratas, mas Israel considera a decisão insuficiente por não incluir o desarmamento da organização
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

O Hamas anunciou nesta segunda-feira (6) que deixará a administração política da Faixa de Gaza, encerrando quase 20 anos de controle sobre o território palestino. A decisão prevê a dissolução do órgão responsável pelo governo local e abre espaço para a instalação de um comitê de tecnocratas encarregado de conduzir a administração civil da região.  

A confirmação foi feita por Ismail al-Thawabta, chefe do gabinete de imprensa do Hamas, que informou que Mohammed al-Farra, responsável pelo comitê de emergência do governo, apresentou oficialmente sua renúncia. Segundo ele, a medida tem como objetivo facilitar a transferência das funções administrativas para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão formado por especialistas palestinos que deverá assumir a gestão civil do território.  

O NCAG foi criado como parte de um plano internacional voltado à reconstrução de Gaza após o conflito e é liderado por Ali Shaath. A proposta é que o grupo assuma a administração de serviços públicos e da estrutura civil da região assim que as condições permitirem.  

Apesar do anúncio, o governo de Israel reagiu com ceticismo. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, classificou a iniciativa como uma tentativa do Hamas de evitar pressões internacionais pelo desarmamento do grupo. Segundo o governo israelense, qualquer mudança política será considerada insuficiente enquanto a organização mantiver seu braço militar ativo.  

O Hamas, por sua vez, afirmou que a transferência da administração civil não significa o abandono de sua posição política nem de sua estrutura armada. A organização sustenta que só discutirá o desarmamento após o fim das operações militares israelenses e mediante garantias para a criação de um Estado palestino independente.  

A Faixa de Gaza é administrada pelo Hamas desde 2007 e enfrenta uma grave crise humanitária agravada pelos conflitos dos últimos anos. Analistas avaliam que a decisão pode representar um passo importante para futuras negociações de reconstrução e governança, embora o sucesso da transição ainda dependa de acordos entre as partes envolvidas e da evolução do cenário político e militar na região.

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