Tren de Aragua atua em 7 estados e fornece armas ao Comando Vermelho

Investigação revela esquema bilionário de lavagem de dinheiro e tráfico internacional de armamentos

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A facção criminosa venezuelana Tren de Aragua ampliou sua atuação no Brasil e se consolidou como fornecedora de armamentos para o Comando Vermelho (CV), segundo investigação conduzida pela Polícia Civil de Roraima. As apurações indicam que a organização fortaleceu sua presença no país e mantém uma estrutura voltada ao tráfico de armas, à lavagem de dinheiro e a outras atividades ilícitas.

De acordo com as investigações, a facção possui entre 150 e 250 integrantes em território brasileiro, com atuação identificada em Roraima, Amazonas, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de integrantes e colaboradores em São Paulo e no Rio de Janeiro.

As autoridades apontam que o responsável pela coordenação da organização no Brasil é Antônio Cabrera Soterano, conhecido como “Tio Antônio”. Ele é investigado por comandar o tráfico interestadual de armas e os esquemas de lavagem de dinheiro da facção. Conforme a polícia, ele está foragido na Venezuela.

Como funciona o esquema de armas

Segundo a investigação, o Tren de Aragua compra armamentos de grosso calibre na Colômbia e na Venezuela. As armas entram no Brasil pela fronteira com Roraima, onde são armazenadas antes de serem distribuídas para integrantes do Comando Vermelho, principalmente no estado do Rio de Janeiro.

Entre os armamentos negociados estariam fuzis, metralhadoras calibre .50 e lança-granadas, considerados equipamentos de alto poder destrutivo.

Para transportar o arsenal, a organização utilizaria uma rede de motoristas encarregada de esconder as armas em ônibus, caminhões e carretas, permitindo o deslocamento do material entre diferentes estados sem chamar atenção.

Expansão internacional

O Tren de Aragua surgiu entre 2013 e 2015, no estado venezuelano de Aragua, a partir de grupos ligados a sindicatos ferroviários e ao presídio de Tocorón.

Com o passar dos anos, a organização expandiu suas atividades para diversos países da América Latina e passou a atuar em crimes como tráfico de armas, tráfico de drogas, tráfico de pessoas, mineração ilegal de ouro, extorsão e lavagem de dinheiro.

Conversas reforçam suspeitas

Durante a investigação, foram analisadas mensagens atribuídas ao líder da organização no Brasil. Segundo a polícia, as conversas revelam negociações envolvendo transporte, valores e entrega de armamentos destinados ao Comando Vermelho.

As mensagens também fariam referência à comercialização de fuzis, metralhadoras de calibre pesado e lança-granadas.

Movimentação financeira bilionária

As apurações identificaram uma movimentação financeira superior a R$ 6 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 428 milhões teriam origem em atividades ilícitas.

Para ocultar os recursos, a organização utilizaria empresas de fachada, operações com criptomoedas e a técnica conhecida como smurfing, que consiste em dividir grandes quantias em diversos depósitos menores para dificultar o rastreamento por órgãos de fiscalização.

Reorganização da facção preocupa autoridades

O antigo líder da organização, Héctor Guerrero Flores, conhecido como “Niño Guerrero”, morreu em junho durante uma operação policial.

Segundo os investigadores, há preocupação de que a reorganização da facção após a morte do chefe provoque uma redistribuição de integrantes e fortaleça ainda mais sua presença na região de fronteira, especialmente em Roraima, considerada a principal porta de entrada da organização no Brasil.

As investigações continuam para identificar a extensão da atuação do Tren de Aragua no país e seus vínculos com outras organizações criminosas brasileiras.

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