Ex-presidente venezuelano e a esposa, Cilia Flores, responderão por acusações de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas; defesa prepara ofensiva para tentar anular o processo
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
A Justiça dos Estados Unidos definiu que o julgamento do ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, terá início em 1º de junho de 2027, na Corte Federal de Manhattan, em Nova York. A decisão foi anunciada durante uma audiência realizada nesta semana pelo juiz Alvin Hellerstein, responsável por conduzir um dos processos internacionais de maior repercussão dos últimos anos.
Maduro responde a acusações de conspiração para narcoterrorismo, tráfico internacional de cocaína e participação em organização criminosa, crimes pelos quais pode receber pena de prisão perpétua, caso seja condenado. Sua esposa, Cilia Flores, também é ré no processo e será julgada conjuntamente. Ambos se declararam inocentes.
Segundo documentos apresentados à Justiça norte-americana, o longo intervalo até o julgamento foi estabelecido devido à complexidade do caso, que envolve uma grande quantidade de provas, documentos classificados como sigilosos e procedimentos jurídicos preliminares que deverão ser analisados ao longo dos próximos meses.
A defesa de Maduro já informou que pretende solicitar o arquivamento da ação. Entre os principais argumentos estão a alegação de que o ex-presidente possui imunidade por atos praticados enquanto exercia a chefia de Estado e a contestação da legalidade de sua captura pelas autoridades norte-americanas. Esses pedidos deverão ser apresentados ainda neste ano e analisados antes do julgamento principal.
Durante uma das primeiras audiências, Maduro afirmou considerar-se um “prisioneiro de guerra” e sustentou que o processo possui motivação política. Já o Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirma que o ex-presidente utilizou a estrutura do governo venezuelano para facilitar o envio de toneladas de cocaína aos Estados Unidos em parceria com organizações criminosas.
O juiz também estabeleceu um cronograma para as próximas etapas do processo, incluindo a entrega de provas à defesa, a análise de documentos sigilosos e a apreciação das moções preliminares. Uma nova audiência está prevista para novembro deste ano, quando o tribunal deverá avaliar os pedidos apresentados pelos advogados de Maduro antes de confirmar o andamento da ação.
O caso é considerado histórico por envolver o julgamento, em solo norte-americano, de um ex-chefe de Estado estrangeiro acusado de crimes ligados ao narcotráfico. A expectativa é de que o processo se estenda por vários meses devido ao grande volume de provas e à relevância internacional das acusações.
LEIA TAMBÉM:
Moraes enfrenta críticas de juristas por restrições impostas à atuação política de Bolsonaro
Fifa abre votação para eleger o gol mais bonito da Copa do Mundo de 2026

Faça um comentário