Ministro de Lula admite reação contra EUA após tarifas e não descarta Lei da Reciprocidade

Setores produtivos temem prejuízos nas exportações brasileiras e possíveis impactos sobre a economia nacional

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta reverter as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, mas já admite utilizar a Lei da Reciprocidade caso as negociações não avancem.

A medida ocorre em meio à preocupação de empresários e setores da indústria brasileira, que alertam para possíveis prejuízos nas exportações e aumento dos custos para empresas que dependem do mercado norte-americano.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que a prioridade do governo é manter o diálogo com Washington para tentar retirar a tarifa adicional de 25% e ampliar a lista de produtos brasileiros isentos da alíquota de 12,5%.

Segundo o ministro, a orientação do presidente Lula é insistir nas negociações.

“O presidente Lula orienta continuar negociando, negociando, negociando, para afastar a imposição dos 25% que já foram decididos e para que a gente possa ter a ampliação da lista de exceções”, declarou.

Apesar do discurso de negociação, o governo federal afirmou que poderá adotar medidas de resposta contra os Estados Unidos por meio da Lei da Reciprocidade, instrumento que permite aplicar ações equivalentes quando o país entende que seus interesses comerciais estão sendo prejudicados.

Governo Lula admite possível retaliação aos EUA após tarifas, enquanto setores produtivos temem impactos na economia

Novas tarifas ameaçam setores da economia brasileira

As novas regras comerciais podem elevar a tributação de alguns produtos brasileiros para até 37,5% no mercado norte-americano.

Entre os segmentos que podem sofrer maiores impactos estão calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos.

A indústria madeireira também foi apontada pelo ministro como uma das áreas mais afetadas pelas medidas.

A preocupação entre empresários é que as sobretaxas reduzam a competitividade dos produtos brasileiros, afetem contratos internacionais e tragam reflexos para empregos e investimentos.

Governo tenta justificar medidas após pressão

Além de buscar uma saída diplomática, o governo Lula anunciou o Plano Brasil Soberano 3, criado para oferecer apoio aos setores atingidos pelas tarifas.

Segundo o ministro, o programa poderá incluir novos segmentos conforme os impactos sejam identificados.

Entre as medidas previstas estão apoio às empresas prejudicadas, incentivo à abertura de novos mercados e preparação de ações jurídicas junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Brasil contesta decisão dos Estados Unidos

Márcio Elias Rosa classificou como “indevida, ilegítima e ilegal” a tarifa aplicada pelos Estados Unidos sob a justificativa de combate a produtos ligados ao trabalho forçado.

O ministro afirmou que o Brasil pretende contestar a decisão e utilizar mecanismos internacionais para tentar derrubar as medidas.

As novas tarifas passam a valer para produtos brasileiros desembarcados nos Estados Unidos a partir do dia 29. Enquanto tenta reverter a decisão, o governo Lula mantém a possibilidade de uma reação comercial, mas enfrenta o desafio de evitar prejuízos para setores importantes da economia brasileira.

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