PF mira esquema de fraude milionária no INSS que pode ter causado prejuízo de R$ 100 milhões

Investigação aponta uso de documentos falsos para obter aposentadorias e outros benefícios previdenciários

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quinta-feira (9) a segunda fase da Operação Monã, que investiga um esquema de fraudes na concessão de benefícios previdenciários destinados a segurados especiais indígenas no sul da Bahia.

Segundo as investigações, o grupo criminoso utilizava documentos falsificados e declarações fraudulentas para obter benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), causando um prejuízo estimado em mais de R$ 100 milhões aos cofres públicos.

A ofensiva desta quinta-feira busca aprofundar a investigação, identificar todos os envolvidos e interromper a atuação da organização criminosa.

Benefícios eram obtidos com documentos falsos

De acordo com a Polícia Federal, os investigados são suspeitos de fraudar processos administrativos para conseguir benefícios previdenciários destinados a segurados especiais indígenas.

Entre os benefícios obtidos de forma irregular estão:

• Aposentadorias rurais;

• Salários-maternidade;

• Outros benefícios pagos pelo INSS.

As investigações apontam que o grupo apresentava documentação falsa e declarações fraudulentas para atender aos requisitos exigidos pela Previdência Social, permitindo a liberação indevida dos pagamentos.

Além da fraude na concessão dos benefícios, a PF apura se os criminosos também utilizavam esses benefícios para contratar empréstimos consignados, ampliando ainda mais os prejuízos financeiros.

Operação cumpriu mandados em duas cidades da Bahia

Durante a segunda fase da Operação Monã, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de Eunápolis e Porto Seguro, no sul da Bahia.

As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Federal, que também autorizou medidas cautelares contra investigados considerados estratégicos para o funcionamento do esquema.

Dois servidores públicos foram afastados

A Justiça Federal determinou ainda o afastamento de dois servidores públicos suspeitos de participação nas fraudes.

Segundo a investigação, eles teriam colaborado para a concessão irregular dos benefícios previdenciários, facilitando a atuação da organização criminosa.

Os nomes dos servidores não foram divulgados para preservar o andamento das investigações.

Contas bloqueadas e bens apreendidos

Como forma de garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos, a Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 1,5 milhão em contas bancárias dos investigados.

Além disso, foi autorizada a apreensão de um veículo pertencente a um dos alvos da operação.

Segundo a Polícia Federal, as medidas têm como objetivo impedir a continuidade das atividades criminosas e preservar recursos que poderão ser utilizados para reparar os prejuízos causados ao erário.

Investigados podem responder por diversos crimes

Os envolvidos poderão responder pelos seguintes crimes:

• Associação criminosa;

• Estelionato previdenciário;

• Corrupção ativa;

• Corrupção passiva.

As penas, se somadas em caso de condenação, podem resultar em vários anos de prisão, além de multas e perda de bens obtidos de forma ilícita.

Investigação continua

A Polícia Federal informou que as investigações seguem em andamento para identificar outros integrantes da organização criminosa e verificar se existem novas fraudes relacionadas à concessão de benefícios previdenciários.

A Operação Monã integra um conjunto de ações voltadas ao combate de fraudes contra a Previdência Social, buscando reduzir prejuízos aos cofres públicos e responsabilizar os envolvidos.

As autoridades também trabalham para identificar todos os benefícios concedidos de forma irregular e calcular o valor total do dano causado aos recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e demais benefícios previdenciários.

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