Surto de ciclosporíase se expande para nove estados nos EUA e já soma quase 2 mil casos confirmados pelo CDC

Investigação das autoridades de saúde aponta alface iceberg como principal suspeita, enquanto novos estados são incorporados ao maior surto da doença parasitária registrado neste verão americano
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) ampliaram a investigação sobre o surto de ciclosporíase que vem afetando o país. A doença parasitária, transmitida principalmente por alimentos e água contaminados, já está oficialmente relacionada a nove estados norte-americanos, com 1.947 casos confirmados, segundo atualização divulgada na sexta-feira (24).

A expansão do surto inclui Illinois, Kansas, Oklahoma e Pensilvânia, que passaram a integrar a investigação conjunta ao lado de Indiana, Kentucky, Ohio, Virgínia Ocidental e Michigan, estado que concentra uma das situações mais preocupantes. As autoridades ressaltam que a ampliação geográfica não significa necessariamente um aumento repentino das infecções, mas reflete o avanço das investigações epidemiológicas e a consolidação das entrevistas realizadas com pacientes.

Segundo o CDC, o número crescente de estados ligados ao mesmo evento reforça a hipótese de uma fonte comum de contaminação, enquanto equipes federais e estaduais continuam rastreando a cadeia de distribuição dos alimentos envolvidos.

Alface iceberg é a principal suspeita

A Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) informou que a alface iceberg desfiada produzida pela Taylor Farms México é, até o momento, a principal fonte provável do surto.

Após a identificação do possível vínculo, a empresa realizou um recall voluntário do produto distribuído no mercado norte-americano.

De acordo com Kari Irvin, vice-diretora da Rede Coordenada de Resposta e Avaliação de Surtos da FDA, o acompanhamento dos casos confirmados continua sendo essencial para verificar se todos os lotes contaminados foram efetivamente retirados de circulação.

As autoridades afirmam que a investigação permanece aberta e avalia se outros produtores ou alimentos também podem estar relacionados às infecções registradas em diferentes regiões do país.

Taco Bell retirou ingrediente antes do recall

As primeiras pistas surgiram durante entrevistas conduzidas com pessoas infectadas. Muitos pacientes relataram ter consumido refeições em unidades da rede Taco Bell durante o mês de junho.

Antes mesmo da confirmação oficial da origem provável do surto, a empresa decidiu retirar preventivamente a alface utilizada em seus restaurantes localizados nas áreas afetadas.

Posteriormente, a FDA identificou a ligação entre os relatos dos consumidores e os produtos fornecidos pela Taylor Farms, fortalecendo a principal linha de investigação.

Casos ultrapassam os surtos oficialmente relacionados

Embora o CDC tenha confirmado 1.947 casos diretamente associados ao surto multiestadual, os números nacionais são significativamente maiores.

Dados reunidos por departamentos estaduais de saúde e pelo próprio CDC apontam quase 12 mil casos confirmados ou suspeitos de ciclosporíase em todo o território norte-americano durante este período.

Michigan registra o maior volume de notificações, com aproximadamente 8 mil infecções, enquanto Ohio, com cerca de 2.596 casos, recebeu apoio direto de especialistas enviados pelo CDC para reforçar as investigações locais.

Além dos estados oficialmente ligados ao surto principal, outras regiões também registram aumentos expressivos da doença.

Em Nova York, foram contabilizados 632 casos desde maio, enquanto a Carolina do Norte notificou 561 ocorrências no mesmo intervalo. Nesta última, investigações preliminares apontam que salsa e coentro podem estar relacionados às infecções, indicando que diferentes cadeias de contaminação podem estar ocorrendo simultaneamente.

O que é a ciclosporíase?

A ciclosporíase é uma infecção intestinal causada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis. O parasita costuma contaminar frutas, verduras, legumes e ervas frescas irrigadas ou lavadas com água contaminada por fezes humanas.

Como o organismo adere à superfície dos alimentos, a simples lavagem nem sempre elimina completamente o risco de contaminação.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Diarreia intensa e prolongada;

  • Cólicas abdominais;

  • Náuseas;

  • Perda de apetite;

  • Fadiga;

  • Perda de peso;

  • Febre baixa, em alguns casos.

Os sintomas podem durar semanas se o paciente não receber tratamento adequado. Pessoas idosas, crianças pequenas e indivíduos com o sistema imunológico comprometido apresentam maior risco de desenvolver complicações.

Investigação continua

As autoridades sanitárias norte-americanas afirmam que diversas investigações permanecem em andamento para identificar outras possíveis fontes da doença.

Segundo a FDA, ainda existem diferentes “sinais epidemiológicos” sendo analisados, o que indica que o atual aumento de casos pode estar relacionado a mais de um alimento contaminado.

Enquanto as apurações prosseguem, o CDC recomenda que consumidores acompanhem os comunicados oficiais sobre recalls de alimentos e procurem atendimento médico caso apresentem sintomas persistentes após o consumo de produtos frescos.

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