Trump impõe condição decisiva: sem reconhecimento de Israel, não haverá acordo nuclear com a Arábia Saudita

Presidente dos Estados Unidos afirma que parceria nuclear com Riad só avançará se o reino aderir aos Acordos de Abraão e renunciar ao enriquecimento de urânio em seu território
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (23) uma nova condição para que o acordo de cooperação nuclear civil entre Washington e a Arábia Saudita seja levado adiante. Segundo o republicano, o entendimento dependerá da adesão do governo saudita aos Acordos de Abraão, iniciativa diplomática que promove a normalização das relações entre países árabes e Israel.

A declaração foi feita por meio da rede Truth Social, um dia após Estados Unidos e Arábia Saudita confirmarem que chegaram a um entendimento preliminar sobre a parceria nuclear, que ainda será submetida à análise do Congresso americano.

Na publicação, Trump também afastou a possibilidade de que os sauditas possam enriquecer urânio em seu próprio território.

 “O acordo nuclear civil (Não haverá enriquecimento de material!) é totalmente sujeito à adesão da Arábia Saudita aos muito respeitados e bem-sucedidos Acordos de Abraão.”

 

Os Acordos de Abraão foram firmados durante o primeiro mandato de Trump e resultaram na normalização das relações diplomáticas entre Israel e países como Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão. A eventual entrada da Arábia Saudita, considerada uma das principais potências do Oriente Médio, sempre foi vista como um passo estratégico para ampliar esse bloco regional.

Até o anúncio desta quinta-feira, a exigência de reconhecimento formal de Israel não havia sido apresentada como requisito para o acordo nuclear. A posição histórica de Riad, entretanto, é de que qualquer aproximação com Israel depende da criação de um Estado palestino independente, cenário que se tornou ainda mais complexo após a guerra entre Israel e o Hamas.

Outro ponto esclarecido pelo presidente americano foi a proibição do enriquecimento de urânio pela Arábia Saudita. O modelo defendido por Washington segue parâmetros semelhantes ao acordo firmado anteriormente com os Emirados Árabes Unidos, no qual o combustível nuclear é fornecido pelos Estados Unidos e permanece sujeito a rígidos mecanismos de fiscalização internacional.

A questão é considerada sensível porque a tecnologia utilizada para produzir combustível destinado a usinas nucleares também pode ser adaptada para obtenção de material com grau de pureza suficiente para a fabricação de armas nucleares. O tema ganhou destaque recentemente em meio às acusações dos Estados Unidos de que o Irã estaria avançando em seu programa nuclear sem controles considerados adequados.

Com a nova condição anunciada por Trump, ainda não há manifestação oficial do governo saudita sobre a possibilidade de aderir aos Acordos de Abraão para viabilizar o acordo. O texto da parceria seguirá agora para apreciação do Congresso dos Estados Unidos, onde deverá passar por debates antes de uma eventual aprovação.

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