Varejo registra pior junho desde a pandemia apesar da Copa e das festas juninas

Queda nas vendas preocupa empresários, pressiona lojistas e expõe enfraquecimento do consumo durante o governo Lula

Por Ana Raquel |GNEWSUSA 

O comércio brasileiro teve um desempenho abaixo das expectativas em junho, mesmo com eventos tradicionalmente associados ao aumento das vendas, como a Copa do Mundo e as festas juninas. O varejo registrou o pior resultado para o mês desde 2020, período marcado pelas restrições provocadas pela pandemia de Covid-19, segundo dados do Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA).

De acordo com o levantamento, as vendas do varejo ampliado recuaram 2,8% em termos reais em junho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado representa uma piora em relação ao cenário esperado pelo setor, que apostava em maior movimentação dos consumidores durante o período.

O desempenho ocorre em meio ao cenário econômico enfrentado pelo país durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado por preocupações de empresários e consumidores com inflação, juros elevados e perda do poder de compra.

No acumulado do primeiro semestre, o varejo registrou queda real de 2,2% em relação ao mesmo período do ano passado. A retração também mostra uma deterioração diante do primeiro semestre anterior, quando o índice havia apresentado queda menor, de 0,7%.

Para o vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo, Carlos Alves, os números refletem um ambiente de maior dificuldade para as famílias. Segundo ele, a renda dos brasileiros continua pressionada pela inflação, afetando diretamente o consumo.

“Isso mostra que a renda do brasileiro está pressionada pela inflação e os efeitos são sentidos pelo varejo”, afirmou.

Serviços lideram queda no comércio

Entre os setores analisados pelo ICVA, o segmento de serviços apresentou o resultado mais negativo em junho, com retração real de 9,1%.

O setor de bens duráveis e semiduráveis também apresentou queda, de 3,4%, enquanto os bens não duráveis tiveram uma redução mais leve, de 0,1%.

Segundo a Cielo, produtos considerados essenciais seguem apresentando maior resistência, enquanto áreas como lazer, mobilidade e serviços são mais afetadas quando o orçamento das famílias fica apertado.

“Categorias mais discricionárias seguem mais sensíveis ao orçamento das famílias”, destacou Carlos Alves.

Comércio eletrônico cresce, mas lojas físicas enfrentam dificuldades

Apesar do resultado negativo no varejo geral, as vendas pela internet tiveram crescimento nominal de 9,2% em junho. Já o varejo físico apresentou alta nominal de 1% no período.

Especialistas apontam que o desempenho mostra uma mudança no comportamento do consumidor, que continua buscando alternativas digitais e priorizando gastos considerados necessários diante de um cenário de maior cautela financeira.

O resultado do semestre aumenta a pressão sobre o governo Lula, que enfrenta o desafio de estimular a economia, recuperar a confiança do setor produtivo e melhorar a percepção das famílias sobre o poder de compra.

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