Silêncio durante atendimento dificulta análise de especialistas sobre seu quadro psiquiátrico
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O homem responsável pela facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, Adélio Bispo de Oliveira, recusou-se a responder às perguntas de uma equipe multiprofissional que realizou uma nova avaliação sobre seu estado de saúde mental na Penitenciária Federal de Campo Grande.
A visita ocorreu em 11 de junho, durante o processo de atualização da avaliação biopsicossocial do detento. Segundo relatos, Adélio concordou inicialmente em receber os profissionais, mas, durante o atendimento, permaneceu em silêncio e se recusou a responder aos questionamentos.
Mesmo diante da falta de colaboração, a equipe registrou observações sobre seu comportamento. Conforme os relatos, Adélio apresentou agitação durante a avaliação, enquanto profissionais apontaram diferentes classificações para seu quadro psiquiátrico.
Uma psicóloga indicou psicose afetiva. Um enfermeiro e outra psicóloga registraram esquizofrenia e outras psicoses orgânicas. Uma assistente social também apontou a presença de esquizofrenia e relatou um comportamento que, segundo sua avaliação, não constava em registros anteriores.
Autor da facada segue sem previsão de liberdade
Independentemente das discussões sobre seu quadro psiquiátrico, Adélio Bispo foi o autor da facada que quase tirou a vida de Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018.
O atentado ocorreu em 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Bolsonaro foi atingido durante um ato de campanha, sofreu graves ferimentos e precisou passar por procedimentos médicos e internações.
Anos depois, o episódio continua sendo lembrado como um dos ataques mais graves contra uma figura política na história recente do país.
Adélio foi considerado inimputável pela Justiça e, por isso, não cumpre uma pena convencional, mas está submetido a uma medida de segurança e permanece sob custódia do Estado.
Atualmente, não há previsão de que ele seja colocado em liberdade.
A manutenção da custódia é um ponto central diante da gravidade do atentado cometido contra Bolsonaro. O fato de Adélio possuir um quadro psiquiátrico não apaga o que aconteceu nem diminui a dimensão do crime que marcou a campanha presidencial de 2018.
Crime não pode ser esquecido
A nova avaliação volta a colocar Adélio sob os holofotes, mas o ponto central do caso permanece: ele é o homem que esfaqueou Jair Bolsonaro e tentou interromper, de forma violenta, a trajetória política do então candidato à Presidência da República.
O quadro psiquiátrico apresentado por Adélio é objeto de acompanhamento médico e judicial. Porém, o atentado contra Bolsonaro não pode ser apagado, minimizado ou tratado como um episódio menor.
Por decisão judicial, Adélio permanece submetido à medida de segurança. Não existe previsão atual para sua liberdade, e sua permanência sob custódia continua sendo determinada pelas autoridades competentes.
O responsável pela facada contra Jair Bolsonaro continua sob responsabilidade do Estado. A gravidade do atentado de 2018 permanece registrada na história política do Brasil — e não pode ser esquecida.
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