Brasil enfrenta risco de tempestades e ventos de até 100 km/h no Sul e Sudeste do país

Instabilidade provoca risco de chuva intensa, granizo, alagamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia; áreas de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Rio Grande do Sul estão entre as regiões monitoradas
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA


O Brasil enfrenta nesta quinta-feira (27) uma mudança significativa nas condições do tempo, com previsão de chuvas fortes, tempestades e ventos intensos em diferentes áreas das regiões Sul e Sudeste. O cenário exige atenção principalmente em locais onde a chuva pode ocorrer de forma concentrada e provocar alagamentos, enxurradas e deslizamentos.

O alerta meteorológico divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta possibilidade de ventos que podem chegar a 100 km/h, além de chuva intensa e ocorrência de granizo em áreas sob aviso. O fenômeno aumenta o risco de queda de árvores, danos em estruturas, interrupções no fornecimento de energia elétrica e prejuízos à agricultura.

O quadro também é acompanhado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que identificou nesta quinta-feira risco de eventos hidrológicos e geológicos em pontos do Sul e Sudeste.

Segundo o órgão, há possibilidade de chuvas moderadas a fortes e acumulados elevados em curto período no leste de Minas Gerais, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. No Sul, o Rio Grande do Sul também está entre as áreas que exigem atenção.

Chuva pode provocar alagamentos e enxurradas

A intensidade da precipitação é um dos principais fatores de preocupação nesta quinta-feira.

Em áreas urbanas, grandes volumes de chuva concentrados em poucas horas podem superar a capacidade dos sistemas de drenagem. Com isso, ruas e avenidas podem ser rapidamente tomadas pela água, enquanto córregos e canais podem transbordar.

O Cemaden classificou como moderada a possibilidade de ocorrência de eventos hidrológicos nas regiões de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Nessas áreas, a previsão de pancadas moderadas a fortes pode provocar enxurradas urbanas, extravasamento de córregos e alagamentos, principalmente em locais densamente ocupados e com elevada impermeabilização do solo.

No Rio Grande do Sul, o risco hidrológico também foi considerado moderado na região de Pelotas. A combinação entre chuva forte e elevados acumulados pode favorecer o transbordamento de córregos e alagamentos urbanos.

Ventos fortes aumentam risco de quedas de árvores

Além da chuva, a ventania é outro fator de preocupação.

Rajadas que podem alcançar 100 km/h, conforme o alerta meteorológico citado pelo Inmet, têm potencial para provocar danos em áreas expostas. Entre os principais riscos estão a queda de árvores e galhos, destelhamentos e interrupções na rede elétrica.

Em situações de tempestade, a população também deve evitar permanecer próxima a árvores, estruturas metálicas, postes e placas, principalmente quando houver registro de raios e rajadas intensas.

A combinação entre solo encharcado e ventos fortes pode aumentar a possibilidade de queda de árvores, já que a saturação do terreno reduz a estabilidade das raízes.

Granizo também está entre os riscos

O alerta meteorológico inclui possibilidade de granizo em áreas atingidas pelas tempestades.

O fenômeno ocorre dentro de nuvens de grande desenvolvimento vertical, especialmente em ambientes de forte instabilidade atmosférica. Pedras de gelo podem provocar danos em veículos, telhados, plantações e outras estruturas expostas.

Na agricultura, episódios de granizo acompanhados de ventos fortes podem causar prejuízos em pouco tempo, especialmente em áreas onde culturas estejam em fases mais sensíveis do desenvolvimento.

Minas Gerais e Rio de Janeiro têm atenção especial para deslizamentos

No Sudeste, o cenário não envolve apenas alagamentos.

O Cemaden também identificou risco moderado de movimentos de massa em regiões de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. O alerta está relacionado principalmente às áreas de Juiz de Fora e Petrópolis, onde a chuva pode atingir regiões com elevada suscetibilidade a deslizamentos.

Em encostas urbanas, a água infiltrada no solo pode reduzir sua estabilidade e favorecer movimentos de massa. O risco também se estende a cortes de rodovias e áreas onde o terreno já apresenta sinais de instabilidade.

Por isso, moradores de regiões de encosta devem observar sinais como rachaduras em paredes e terrenos, inclinação anormal de árvores e postes, surgimento de água ou lama em locais incomuns e movimentação do solo.

Rio Grande do Sul continua no radar

O Rio Grande do Sul também aparece entre os estados que exigem maior atenção.

O Cemaden prevê chuvas fortes no centro-sul do estado nesta quinta-feira, com possibilidade de acumulados elevados. Para a sexta-feira (28), a previsão indica expansão das chuvas para outras áreas gaúchas, incluindo a região central, a Região Metropolitana de Porto Alegre, o Planalto e a Serra Gaúcha.

Os maiores acumulados devem ocorrer na faixa sul do estado, onde podem atingir 80 a 100 milímetros em 24 horas.

A previsão mantém o alerta para possíveis alagamentos, extravasamento de córregos e outros impactos relacionados à chuva intensa.

Instabilidade deve continuar no fim de semana

Apesar de o alerta desta quinta-feira concentrar parte da atenção sobre o episódio atual, a instabilidade não deve desaparecer imediatamente.

De acordo com o Cemaden, entre sexta-feira (28) e domingo (30), o cenário permanece preocupante no Rio Grande do Sul e avança também para áreas de Santa Catarina.

A previsão indica possibilidade de chuvas mais significativas na Serra Gaúcha, Planalto, Região das Missões, sul e serra de Santa Catarina e meio-oeste catarinense.

A persistência das chuvas merece atenção porque a repetição de precipitações pode deixar o solo progressivamente mais encharcado, aumentando a vulnerabilidade a alagamentos e deslizamentos.

Cidades devem ficar atentas aos pontos de alagamento

Os impactos de uma tempestade não dependem apenas do volume total de chuva. A intensidade e a velocidade com que a precipitação ocorre são fatores fundamentais.

Uma quantidade significativa de água concentrada em poucas horas pode provocar problemas mesmo em municípios que não estejam diante de uma grande acumulada diária.

Em áreas urbanas, sistemas de drenagem insuficientes ou sobrecarregados podem resultar em alagamentos rápidos. Córregos também podem subir de nível em pouco tempo, principalmente durante pancadas intensas.

Por isso, autoridades recomendam atenção especial em áreas historicamente sujeitas a alagamentos e próximas a rios e córregos.

Rodovias também podem ser afetadas

A combinação de chuva intensa, solo encharcado e ventos fortes pode prejudicar as condições de circulação em rodovias.

Além da redução da visibilidade provocada pela chuva, motoristas podem encontrar água acumulada na pista, árvores ou galhos sobre a estrada e, em áreas de serra, possíveis quedas de barreira.

O Cemaden destaca que entre quinta-feira e o fim de semana existe possibilidade de deslizamentos em áreas urbanas e queda de barreiras em rodovias, especialmente nas regiões mais suscetíveis do Sul e Sudeste.

A recomendação é reduzir a velocidade, aumentar a distância entre veículos e evitar atravessar trechos onde a água esteja cobrindo completamente a pista.

Energia elétrica pode ser interrompida

Tempestades acompanhadas de ventos fortes também representam risco para a rede elétrica.

A queda de árvores e galhos sobre a fiação pode provocar interrupções no fornecimento de energia e comprometer serviços essenciais. Em situações de tempestade, a população deve manter distância de fios que tenham caído e nunca tentar removê-los por conta própria.

Também é importante evitar o contato com estruturas metálicas e equipamentos elétricos durante tempestades com descargas atmosféricas.

O que fazer durante uma tempestade

Diante da possibilidade de chuva intensa e ventos fortes, algumas medidas simples podem reduzir os riscos.

A orientação geral é procurar abrigo em uma construção segura e evitar permanecer em áreas abertas durante a ocorrência de raios e ventos intensos.

Também é recomendado:

  • evitar ficar próximo a árvores, postes e estruturas metálicas;

  • não estacionar veículos sob árvores ou placas;

  • retirar objetos soltos de varandas e áreas externas;

  • evitar áreas sujeitas a alagamentos;

  • não atravessar ruas ou estradas com correnteza;

  • manter distância de fios elétricos caídos;

  • acompanhar os alertas da Defesa Civil e dos órgãos meteorológicos;

  • em áreas de encosta, deixar o local imediatamente caso sejam identificados sinais de movimentação do terreno.

Atenção deve continuar nos próximos dias

O episódio desta quinta-feira reforça a necessidade de acompanhamento permanente das condições meteorológicas nas regiões Sul e Sudeste.

Os dados mais recentes do Cemaden mostram que os riscos não estão restritos a um único estado. Minas Gerais e Rio de Janeiro apresentam possibilidade de eventos hidrológicos e movimentos de massa, enquanto o Rio Grande do Sul enfrenta risco de alagamentos e deve permanecer sob atenção nos próximos dias.

Com a previsão de continuidade das instabilidades e possibilidade de acumulados elevados no Sul, autoridades devem manter o monitoramento de áreas vulneráveis, especialmente comunidades próximas a rios, córregos e encostas.

A recomendação para a população é acompanhar as atualizações oficiais, evitar situações de exposição desnecessária e seguir as orientações das Defesas Civis locais caso novos alertas sejam emitidos.

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