Possível retomada de medidas contra ministro do STF ganhou força após operação envolvendo fonte de jornalista que publicou reportagens sobre Flávio Dino
Por Gilvania Alves|GNEWSUSA
O governo dos Estados Unidos avalia a possibilidade de impor novamente sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo informações divulgadas por veículos internacionais com base em pessoas familiarizadas com as discussões. A eventual medida ainda depende de uma decisão formal de Washington.
Entre os episódios citados na repercussão internacional está uma investigação conduzida por Moraes que envolve o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida e pessoas apontadas como fontes de reportagens sobre o ministro Flávio Dino.
Entenda o caso das reportagens sobre Flávio Dino
Luís Pablo publicou reportagens sobre Flávio Dino, ministro do STF e ex-governador do Maranhão, nas quais foram levantados questionamentos sobre o uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por Dino e familiares.
A partir das publicações, a investigação passou a apurar a origem das informações utilizadas pelo jornalista e a possível obtenção irregular de dados relacionados aos deslocamentos e à segurança de Dino e de seus familiares.
Um dos investigados é Raimundo Soares Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, apontado no caso como fonte do jornalista. Segundo a investigação, Cutrim teria obtido informações de sistemas restritos e repassado dados a Luís Pablo.
A investigação também envolve Diogo Diniz Lima, que teria transferido R$ 100 mil ao jornalista. O valor está sendo analisado para esclarecer sua finalidade e eventual relação com as publicações. Luís Pablo afirma que a quantia foi um empréstimo pessoal para a compra de um terreno e nega ter recebido pagamento para produzir reportagens contra Dino.
Operação da Polícia Federal
Em 11 de agosto, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra Cutrim e Lima, por determinação de Moraes. As medidas tinham como objetivo recolher elementos para a investigação sobre a origem das informações e as relações entre os envolvidos.
O fato de Cutrim ser apontado como fonte do jornalista também colocou em discussão a aplicação do sigilo da fonte, previsto na Constituição. Luís Pablo afirma que mantém a identidade de sua fonte sob proteção e nega ter cometido irregularidades.
A defesa dos investigados contesta as acusações. A assessoria de Flávio Dino, por sua vez, nega irregularidades relacionadas ao uso dos veículos oficiais e sustenta que informações ligadas à segurança do ministro e de seus familiares foram utilizadas de maneira indevida.
Por que o caso aparece na discussão americana
O episódio passou a ser considerado por Washington porque se relaciona a uma das principais críticas feitas pelo governo americano à atuação de Alexandre de Moraes: as decisões judiciais que, na avaliação dos Estados Unidos, podem afetar a liberdade de expressão e a atuação de críticos e veículos de comunicação.
Segundo as informações divulgadas por veículos internacionais, o caso envolvendo o jornalista e suas fontes é um dos fatores recentes analisados pelo governo Donald Trump, e não a única razão para a possível retomada das sanções. A administração americana também considera outros episódios relacionados à atuação de Moraes antes de decidir se adotará novamente medidas contra o ministro.
Situação atual
Até o momento, não foi anunciado oficialmente pelos Estados Unidos que Alexandre de Moraes será novamente sancionado. O que existe é a avaliação de uma possível nova medida pelo governo americano.
O caso ocorre em um período de divergências entre os dois países envolvendo questões políticas, judiciais, comerciais e diplomáticas.
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