Furacão Lala avança sobre o Havaí com ventos de 120 km/h e ameaça provocar chuvas históricas

Foto: CSU/CIRA & NOAA/Reuters
Tempestade de categoria 1 se aproxima da Big Island, onde autoridades fecharam aeroportos e portos; previsão indica possibilidade de até 635 milímetros de chuva e risco de inundações e deslizamentos
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

O Havaí entrou neste sábado (15) em estado de alerta diante da chegada do furacão Lala, que se fortaleceu rapidamente no Pacífico Central e passou a ameaçar diretamente a Big Island, a maior ilha do arquipélago. Com ventos sustentados de aproximadamente 120 km/h, o sistema alcançou a categoria 1 na escala Saffir-Simpson e avançava em direção ao sul da ilha, levando autoridades a interromper operações em aeroportos e portos e a reforçar as medidas de proteção para moradores e visitantes. O Centro de Furacões do Pacífico Central, ligado ao Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, alertou para chuva intensa, ventos fortes, ondas perigosas, inundações repentinas e possibilidade de deslizamentos.

A situação ganhou gravidade porque o Lala se aproximava de uma região que poderia enfrentar seu primeiro impacto direto de um furacão em cerca de 155 anos, segundo a Associated Press. O centro do sistema estava próximo da Big Island, e a previsão indicava que a parte mais intensa da tempestade poderia atingir a porção sul da ilha.

A combinação de chuva excepcionalmente forte, ventos e terreno montanhoso aumenta o risco de enchentes e deslizamentos. Em algumas áreas, a precipitação poderia chegar a aproximadamente 25 polegadas, ou 635 milímetros, durante a passagem do sistema.

Lala se fortalece rapidamente

O Lala começou como uma tempestade tropical, mas ganhou força ao se aproximar do Havaí. O Centro Nacional de Furacões informou neste sábado que imagens de satélite e dados de radar indicavam o fortalecimento do sistema.

Quando alcançou a categoria 1, os ventos máximos sustentados chegaram a 120 km/h. Pela escala Saffir-Simpson, furacões de categoria 1 apresentam ventos sustentados entre 119 km/h e 153 km/h.

O sistema meteorológico também mudou sua trajetória e passou a interagir diretamente com a Big Island, aumentando a preocupação das autoridades. O Centro de Furacões do Pacífico Central mantém atualizações frequentes sobre a posição, intensidade e deslocamento do fenômeno.

O risco não está concentrado apenas no ponto onde o centro do furacão passar. Grandes volumes de chuva podem atingir áreas afastadas do núcleo da tempestade, enquanto os ventos podem provocar queda de árvores, interrupção de energia e danos à infraestrutura.

Aeroportos e portos são fechados

A aproximação do furacão levou o Departamento de Transportes do Havaí a interromper operações em importantes estruturas de transporte.

O Aeroporto Internacional de Hilo foi fechado, enquanto o Aeroporto Internacional Ellison Onizuka, em Kona, também teve sua operação suspensa. Portos comerciais da Big Island e de outras áreas do estado foram fechados ou tiveram as operações afetadas diante da piora das condições meteorológicas.

A medida busca reduzir a exposição de passageiros, trabalhadores portuários e tripulações aos ventos e às condições perigosas no mar.

Para moradores, o fechamento também representa uma mudança importante na logística da ilha, especialmente porque parte do abastecimento depende do transporte marítimo e aéreo.

Chuva pode superar 600 milímetros

Um dos maiores perigos associados ao Lala é a quantidade de chuva prevista.

O Centro de Furacões indicou possibilidade de acumulados de 8 a 12 polegadas, com áreas isoladas podendo alcançar até 25 polegadas, o equivalente a cerca de 635 milímetros.

A intensidade da precipitação pode provocar inundações rápidas, principalmente em regiões onde o solo já esteja saturado ou onde rios e córregos tenham dificuldade para escoar a água.

As características geográficas da Big Island também aumentam a preocupação. A ilha possui áreas montanhosas e vulcânicas, o que pode favorecer enxurradas e deslizamentos quando grandes volumes de água caem em um curto período.

O Serviço Nacional de Meteorologia também alertou para ondas perigosas e condições marítimas adversas.

Risco de deslizamentos preocupa autoridades

As chuvas intensas podem representar uma ameaça especialmente séria em encostas.

Quando o solo absorve uma grande quantidade de água em pouco tempo, sua estabilidade pode diminuir. Em áreas inclinadas, isso pode provocar deslizamentos de terra e bloqueio de estradas.

A preocupação é maior nas regiões próximas às encostas vulcânicas e montanhas da Big Island. A previsão de chuva excepcionalmente elevada faz com que mesmo áreas distantes do centro do furacão precisem permanecer atentas.

O risco de deslizamentos também pode persistir depois da passagem do sistema, caso o solo permaneça saturado.

Energia elétrica já começa a ser afetada

A aproximação do Lala também trouxe impactos para a infraestrutura elétrica.

Segundo a Associated Press, quase 20% dos moradores da Big Island estavam sem energia durante a passagem da tempestade. Árvores derrubadas pelos ventos, danos à rede e interrupções preventivas podem contribuir para novos cortes ao longo do evento.

A falta de energia durante um fenômeno extremo pode ampliar outros problemas, afetando sistemas de comunicação, abastecimento de água, funcionamento de hospitais e conservação de alimentos e medicamentos.

Por isso, autoridades recomendam que moradores mantenham equipamentos essenciais carregados e acompanhem os alertas oficiais.

Estado de emergência foi decretado

O governador do Havaí, Josh Green, decretou estado de emergência antes da chegada do furacão.

A medida permite ampliar a capacidade de resposta das autoridades estaduais e facilitar a mobilização de recursos públicos diante de uma possível emergência.

Green afirmou que o Lala representava uma ameaça séria para o estado, especialmente para a Big Island, e que as autoridades estavam tomando medidas antecipadas para garantir que os recursos necessários estivessem disponíveis.

A preparação ocorre em um estado que ainda possui memória recente dos impactos provocados por eventos extremos, incluindo os incêndios que devastaram Lahaina, em Maui, em 2023.

Big Island se prepara para um possível impacto histórico

A Big Island possui aproximadamente 210 mil habitantes e é a segunda ilha mais populosa do arquipélago, atrás apenas de Oahu.

Apesar de estar acostumada a diferentes tipos de fenômenos meteorológicos, a possibilidade de um impacto direto de furacão aumenta a preocupação.

Segundo a Associated Press, a passagem do Lala poderia representar o primeiro impacto direto de um furacão na ilha em cerca de 155 anos.

Isso não significa que a Big Island nunca tenha sido afetada por furacões. Sistemas tropicais podem produzir chuva, ondas e ventos fortes mesmo quando o centro da tempestade não atinge diretamente a ilha.

A diferença, neste caso, está na possibilidade de o núcleo do sistema passar muito próximo ou sobre a região.

El Niño adiciona uma variável ao cenário

A formação do Lala ocorre durante um período de El Niño em fortalecimento no Pacífico.

A NOAA informou em sua atualização de agosto que o fenômeno estava se intensificando e havia 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro de 2026, com possibilidade de o episódio ficar entre os mais intensos registrados desde 1950. A previsão também apontava 97% de probabilidade de que o fenômeno persistisse até o início da primavera de 2027.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial e altera padrões atmosféricos em diferentes partes do planeta.

É importante, porém, não confundir a presença do fenômeno com uma relação direta de causa e efeito para cada furacão individual. O El Niño pode modificar as condições atmosféricas e oceânicas que influenciam a formação e o comportamento de sistemas tropicais, mas a intensidade e a trajetória de uma tempestade específica dependem de diversos fatores.

A própria NOAA ressalta que mesmo eventos muito fortes de El Niño não produzem necessariamente os mesmos impactos em todas as regiões.

Mudanças climáticas e furacões: relação exige cautela

A ocorrência do Lala também reacende a discussão sobre a influência das mudanças climáticas nos eventos extremos.

O aquecimento global eleva a temperatura média dos oceanos e da atmosfera e pode aumentar a quantidade de vapor d’água disponível para precipitação intensa. Estudos científicos indicam que o aquecimento pode favorecer chuvas mais intensas associadas a ciclones tropicais e aumentar o potencial de tempestades mais fortes.

Isso, entretanto, não significa que seja possível atribuir automaticamente um furacão específico às mudanças climáticas.

No caso do Lala, a relação entre o fenômeno e o clima global precisa ser analisada por estudos de atribuição e por séries históricas mais longas. O que já é possível afirmar é que temperaturas oceânicas mais elevadas podem fornecer mais energia e umidade para sistemas tropicais, enquanto o aumento do nível do mar amplia os riscos de inundação costeira durante tempestades.

O risco não termina quando o furacão passar

Mesmo depois que o centro do Lala se afastar do Havaí, os efeitos podem continuar.

Áreas atingidas por grandes volumes de chuva podem permanecer vulneráveis a enchentes e deslizamentos. Estradas podem ficar bloqueadas, redes elétricas podem precisar de reparos e comunidades isoladas podem enfrentar dificuldades para receber suprimentos.

Outro risco é a contaminação da água após inundações. Sistemas de abastecimento e saneamento podem ser afetados, exigindo cuidados adicionais por parte das autoridades.

A recuperação também pode levar dias ou semanas, dependendo da extensão dos danos.

Preparação é fundamental

Em situações como essa, autoridades meteorológicas recomendam que a população acompanhe os boletins oficiais e permaneça em locais seguros durante a passagem do sistema.

A população deve evitar áreas sujeitas a inundações, não tentar atravessar ruas alagadas e permanecer afastada de praias, rios e áreas de encosta durante os períodos de maior risco.

Para quem estiver em áreas ameaçadas, a recomendação é seguir as determinações das autoridades locais, inclusive eventuais ordens de evacuação.

A intensidade dos ventos pode mudar rapidamente e a trajetória do sistema pode sofrer alterações. Por isso, previsões precisam ser atualizadas constantemente.

Um alerta para o Pacífico Central

O Lala chega ao Havaí em um momento de crescente atenção meteorológica no Pacífico.

A NOAA prevê que o atual El Niño continue se fortalecendo durante 2026 e permaneça até o início de 2027.

Para o Havaí, o episódio demonstra mais uma vez a necessidade de preparação para eventos extremos, especialmente em comunidades insulares onde as opções de transporte e abastecimento são naturalmente mais limitadas.

O furacão também evidencia como um sistema relativamente compacto pode provocar impactos em diferentes setores ao mesmo tempo: transporte, energia, abastecimento, saúde, turismo e infraestrutura.

Enquanto o Lala avança sobre a Big Island, a prioridade das autoridades é reduzir o número de pessoas expostas e garantir que os serviços de emergência estejam preparados para responder às consequências.

A tempestade pode perder força ou alterar sua trajetória, mas a combinação de chuvas excepcionais, ventos fortes, mar agitado e risco de inundações mantém o Havaí sob forte vigilância neste fim de semana.

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