Temporais atingiram diversas regiões do estado, danificaram centenas de imóveis e deixaram moradores desabrigados; Defesa Civil contabiliza ocorrências em pelo menos 10 municípios e Simepar mantém alerta para novas instabilidades
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
O Paraná foi atingido por uma sequência de tempestades severas entre a sexta-feira (14) e a madrugada deste sábado (15), com chuva intensa, raios, ventos fortes e granizo de grandes proporções. Em Reserva, nos Campos Gerais, pedras de gelo chegaram ao tamanho aproximado de bolas de tênis e se acumularam nos quintais, criando uma paisagem que, à distância, lembrava uma nevasca. O fenômeno provocou danos em residências e mobilizou equipes de emergência em diferentes regiões do estado. Dados oficiais da Defesa Civil do Paraná registravam, até a manhã deste sábado, 10 municípios atingidos, 1.510 pessoas afetadas, 85 casas danificadas e 40 pessoas desabrigadas.
A situação mais grave entre as ocorrências registradas pela Defesa Civil estava em Reserva, onde 600 pessoas foram afetadas pelo granizo. Em Santa Maria do Oeste, 480 pessoas foram atingidas e 40 precisaram de abrigo público. O levantamento oficial também registrou ocorrências em Araucária, Cambé, Campo do Tenente, Londrina, Morretes, Paulo Frontin e Prudentópolis.
O episódio mostra a força que tempestades convectivas podem alcançar durante períodos de instabilidade atmosférica. O Simepar havia identificado, ainda na noite de sexta-feira, uma sequência de áreas de instabilidade próxima ao Vale do Ivaí, especialmente nas proximidades de Pitanga, Reserva e Imbaú, com chuva forte, descargas elétricas e grande possibilidade de granizo.
Reserva volta a ser atingida por fenômeno severo
A cidade de Reserva, localizada nos Campos Gerais, chamou atenção pela dimensão das pedras de gelo.
Moradores registraram imagens dos quintais e ruas cobertos por granizo. Em alguns pontos, a quantidade acumulada foi suficiente para criar uma camada branca sobre o terreno, produzindo uma aparência semelhante à de neve — um fenômeno incomum para a região.
O impacto, porém, esteve longe de ser apenas visual.
O granizo danificou telhados e deixou moradores em situação de vulnerabilidade. Segundo o levantamento da Defesa Civil, 600 pessoas foram afetadas pelo evento no município.
A cidade já havia enfrentado outro episódio meteorológico extremo recentemente. Em junho, um tornado atingiu o município e provocou danos significativos, tornando a nova tempestade especialmente preocupante para moradores que ainda estavam se recuperando dos prejuízos anteriores.
Santa Maria do Oeste tem milhares de casas afetadas
Outro dos municípios mais atingidos foi Santa Maria do Oeste.
O relatório oficial da Defesa Civil registrou 480 pessoas afetadas pelo temporal e 40 pessoas desabrigadas, ou seja, moradores que precisaram deixar suas casas e recorrer a abrigos públicos.
A ocorrência demonstra que o impacto das tempestades vai muito além dos danos materiais. Quando telhados são destruídos ou imóveis ficam comprometidos, famílias podem precisar deixar temporariamente suas residências, aumentando a demanda por abrigos, alimentos, água e assistência social.
Em situações de granizo intenso, os telhados são particularmente vulneráveis porque as pedras atingem as coberturas com grande velocidade. Dependendo do tamanho e da intensidade da queda, também podem ocorrer danos a veículos, janelas, plantações e estruturas externas.
Defesa Civil registra ocorrências em diferentes regiões
Os temporais não ficaram concentrados em um único município.
O relatório oficial do Paraná contabilizou ocorrências relacionadas a tempestades e granizo em pelo menos 10 municípios entre os dias 13 e 15 de agosto. O documento registrava, até sua atualização das 6h35 deste sábado, 1.510 pessoas afetadas, três desalojadas, 40 desabrigadas, 85 casas danificadas e uma residência destruída.
Entre as localidades listadas estão:
-
Reserva — 600 pessoas afetadas;
-
Santa Maria do Oeste — 480 pessoas afetadas e 40 desabrigadas;
-
Morretes — 390 pessoas afetadas e 79 casas danificadas;
-
Paulo Frontin — 12 pessoas afetadas e duas casas danificadas;
-
Prudentópolis — oito pessoas afetadas e duas casas danificadas;
-
Londrina — oito pessoas afetadas e duas casas danificadas;
-
Campo do Tenente — oito pessoas afetadas;
-
Cambé — uma pessoa afetada;
-
Araucária — três pessoas afetadas;
-
Agudos do Sul — ocorrência de vendaval registrada.
Os números são dinâmicos e podem aumentar à medida que as equipes municipais concluem os levantamentos dos danos.
Chuvas fortes também atingiram Curitiba
Na capital paranaense, o principal problema foi a chuva intensa.
Bairros de Curitiba registraram alagamentos durante o período de maior instabilidade. O cenário foi consequência da combinação entre elevados volumes de precipitação em curto intervalo de tempo e a dificuldade de escoamento da água em determinadas áreas urbanas.
O Simepar registrou chuva significativa na região durante a sexta-feira. Na manhã daquele dia, os acumulados chegavam a 29,8 milímetros em Curitiba, 20,8 milímetros em Pinhais e 32,8 milímetros na região de Morretes.
Na madrugada de sábado, as áreas de instabilidade continuaram atuando principalmente na metade sudeste do Paraná, com acumulados superiores a 50 milímetros registrados em alguns pluviômetros.
Como se formam pedras de granizo tão grandes?
O granizo se forma dentro de grandes nuvens de tempestade, conhecidas como cumulonimbus.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno ocorre quando gotas de água são transportadas para regiões muito frias no interior dessas nuvens e congelam. Correntes de ar ascendentes podem manter as partículas suspensas por algum tempo, permitindo que novas camadas de gelo sejam incorporadas.
Quanto mais intensa for a corrente ascendente, maior pode ser o tempo que a pedra permanece dentro da nuvem e, consequentemente, maior o seu crescimento.
É justamente esse mecanismo que permite a formação de pedras excepcionalmente grandes.
A Defesa Civil do Paraná define o granizo como uma precipitação sólida formada por grânulos ou pedaços de gelo com diâmetro igual ou superior a cinco milímetros. O fenômeno está associado principalmente às nuvens cumulonimbus, que apresentam fortes correntes ascendentes e descendentes em seu interior.
Por que o granizo causa tantos danos?
O perigo do granizo está relacionado a três fatores principais: tamanho, velocidade e quantidade.
Uma pedra pequena pode causar poucos danos, mas pedras maiores atingem telhados e outras estruturas com força suficiente para quebrar telhas, vidros e componentes externos das edificações.
Quando a queda ocorre durante vários minutos, o acúmulo também pode bloquear calhas e sistemas de drenagem, aumentando o risco de infiltrações e alagamentos.
Em áreas rurais, os prejuízos podem ser ainda maiores. Plantações, estufas, pastagens e estruturas agrícolas ficam expostas à queda de gelo, podendo sofrer perdas em poucos minutos.
Simepar identificou tempestades severas
Os registros do Simepar mostram que o episódio foi acompanhado de perto desde as primeiras horas de sexta-feira.
Na tarde do dia 14, áreas de instabilidade começaram a se intensificar, com pancadas de chuva e trovoadas. Mais tarde, o órgão identificou tempestades severas entre o Oeste e o Centro do estado, com alta probabilidade de ocorrência de granizo.
Durante a noite, as áreas mais instáveis avançaram e atingiram regiões próximas ao Vale do Ivaí, incluindo municípios onde posteriormente foram registrados danos.
Na madrugada de sábado, as tempestades ainda atuavam entre a região central e o litoral, embora já apresentassem sinais de enfraquecimento.
Defesa Civil envia materiais para recuperação
A resposta às ocorrências começou ainda durante o sábado.
A Defesa Civil estadual enviou 5.800 telhas para Santa Maria do Oeste e Reserva, municípios que tiveram imóveis atingidos pelo granizo. O material será utilizado para auxiliar na recuperação dos telhados danificados.
A distribuição de materiais é uma das primeiras etapas de resposta após eventos desse tipo, especialmente quando famílias ficam impossibilitadas de permanecer em suas casas.
Além da reposição de telhas, equipes municipais precisam avaliar estruturas, retirar árvores ou objetos que ofereçam risco e identificar áreas que possam sofrer novos alagamentos ou deslizamentos.
Tempestades ainda podem ocorrer neste sábado
Apesar da redução gradual da instabilidade, o risco não desapareceu completamente.
O Simepar informou neste sábado que as tempestades que atuaram durante a madrugada estavam enfraquecendo. Ainda havia chuva forte acompanhada de descargas atmosféricas em alguns pontos, incluindo Ponta Grossa, Antônio Olinto, Rio Negro e Quitandinha.
Ao longo do dia, uma massa de ar mais seca e quente passou a avançar sobre o Paraná, favorecendo a redução das áreas de instabilidade.
Segundo a atualização do Simepar, a maior parte do estado caminhava para o predomínio de sol, embora ainda houvesse chuva isolada na divisa com Santa Catarina, entre o Sudoeste e o litoral.
O que fazer durante uma tempestade de granizo?
Durante uma tempestade forte, a principal recomendação é buscar abrigo em uma estrutura segura e permanecer distante de janelas, portas de vidro e áreas externas.
Também é importante evitar permanecer embaixo de árvores, postes ou estruturas metálicas, especialmente quando houver descargas elétricas.
Motoristas devem reduzir a velocidade e procurar um local protegido quando houver granizo intenso. Parar sob árvores, apesar de parecer uma alternativa, pode aumentar o risco de acidentes provocados pela queda de galhos.
Depois da tempestade, moradores devem evitar fios elétricos caídos, estruturas danificadas e áreas alagadas.
Um episódio que reforça a necessidade de preparação
A sequência de tempestades registrada no Paraná evidencia a rapidez com que condições atmosféricas instáveis podem evoluir para eventos capazes de provocar danos significativos.
Em poucas horas, uma combinação de calor, umidade e fortes correntes de ar dentro das nuvens pode produzir chuva intensa, raios, ventos e pedras de granizo de grandes dimensões. O Inmet destaca que o granizo é um fenômeno característico de nuvens convectivas, especialmente as cumulonimbus.
No caso do Paraná, os dados oficiais mostram que os impactos já alcançavam pelo menos 10 municípios no levantamento inicial, com mais de 1,5 mil pessoas afetadas e dezenas de imóveis danificados.
E embora o cenário meteorológico tenha começado a melhorar neste sábado, a recuperação das comunidades atingidas ainda deve levar tempo.
Para os moradores de Reserva, Santa Maria do Oeste e das demais cidades afetadas, o que ficou depois da tempestade foi uma combinação de telhados destruídos, casas danificadas, famílias desabrigadas e ruas cobertas por pedras de gelo — um retrato da força que os temporais podem alcançar no Sul do Brasil.
- LEIA TAMBÉM:
Furacão Lala avança sobre o Havaí com ventos de 120 km/h e ameaça provocar chuvas históricas
Marrocos prende 111 imigrantes após nova tentativa de chegar a Ceuta
Flamengo x Cruzeiro tem ingressos esgotados para decisão pela Libertadores no Maracanã

Faça um comentário