Operação Bomba Oculta fecha o cerco contra postos clandestinos em São Paulo

Força-tarefa bloqueia mais de 1,2 mil CNPJs e lacra postos que funcionavam sem autorização; ação mira estruturas financeiras ligadas a fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

Uma força-tarefa formada por órgãos estaduais e federais deflagrou nesta sexta-feira (28) a Operação Bomba Oculta, voltada ao combate de postos de combustíveis clandestinos que continuavam funcionando sem autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A operação é um desdobramento da Operação Carbono Oculto, investigação que revelou a infiltração de organizações criminosas em diferentes etapas da cadeia de combustíveis no país. A nova ofensiva busca não apenas interditar estabelecimentos irregulares, mas também bloquear estruturas financeiras utilizadas para manter as atividades clandestinas.

Mais de 1,2 mil CNPJs atingidos

Segundo a Receita Federal, 1.283 CNPJs serão declarados inaptos no âmbito da operação. Além disso, 228 inscrições estaduais serão suspensas.

Na prática, a medida impede essas empresas de emitir documentos fiscais eletrônicos e pode bloquear suas contas bancárias, dificultando a continuidade das operações consideradas irregulares.

Em São Paulo, seis postos foram lacrados pelas equipes de fiscalização. A ação também alcança estabelecimentos que continuavam comercializando combustíveis mesmo depois de terem perdido a autorização para funcionar.

Combate à lavagem de dinheiro

A investigação aponta que o setor de combustíveis passou a ser utilizado por organizações criminosas como mecanismo para movimentação e lavagem de dinheiro.

De acordo com os órgãos envolvidos, a grande quantidade de empresas e agentes que participam da cadeia de combustíveis dificulta a fiscalização e permite que estruturas aparentemente legais sejam utilizadas para atividades ilícitas.

A operação pretende justamente atingir essas estruturas econômicas, interrompendo o acesso aos registros empresariais, às operações financeiras e à comercialização irregular de combustíveis.

Força-tarefa reúne órgãos estaduais e federais

Participam da Operação Bomba Oculta a Receita Federal, Sefaz-SP, ANP, Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Polícia Civil, entre outras instituições.

A atuação conjunta permite cruzar informações fiscais, regulatórias e policiais para identificar estabelecimentos que continuam funcionando clandestinamente.

Segundo a Receita Federal, a ANP já havia revogado, desde 2019, a autorização de funcionamento de mais de 10 mil postos de combustíveis. Parte dessas empresas, entretanto, continuava utilizando CNPJs ativos para adquirir e comercializar combustíveis.

Operação Carbono Oculto completa um ano

A nova ofensiva ocorre exatamente um ano após a deflagração da Operação Carbono Oculto, que trouxe à tona um amplo esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro envolvendo o setor de combustíveis.

As investigações mostraram que a atuação criminosa poderia alcançar desde a importação e produção até a distribuição e revenda dos combustíveis.

Com a Bomba Oculta, as autoridades buscam avançar sobre a estrutura econômica que permite a continuidade dessas atividades, atingindo empresas que permanecem ativas mesmo sem autorização para operar.

A expectativa das autoridades é que o bloqueio dos registros empresariais e a interdição dos estabelecimentos dificultem a continuidade das operações clandestinas e reduzam o espaço para atuação de grupos criminosos no mercado de combustíveis.

LEIA TAMBÉM:

Preso em operação no Complexo de Israel usava colete com bandeira de Israel

Martinelli recebe proposta de R$ 270 milhões e Arsenal avalia venda do atacante

Casas Bahia acumula dívida de R$ 17,3 bilhões e tem cerca de 28 mil credores

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*