Operação Canudo prende três suspeitos e aponta que 45 médicos teriam pago por documentos falsificados
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (12) a Operação Canudo, contra um esquema de falsificação e venda de diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos usados para facilitar o acesso irregular a cursos de Medicina e obter registros profissionais.
A operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e três ordens de prisão, sendo duas preventivas e uma temporária, em cidades de Minas Gerais e da Bahia.
Segundo a investigação, pelo menos 45 pessoas já registradas como médicos em Conselhos Regionais de Medicina teriam realizado pagamentos para obter documentos falsificados. A PF agora apura se esses documentos foram utilizados para conseguir ou manter registros profissionais.
Esquema teria duas frentes
A investigação aponta que o grupo atuava em duas modalidades. Em uma delas, documentos falsos seriam utilizados para comprovar uma suposta formação em Medicina e facilitar a obtenção do registro profissional.
Na outra, históricos escolares e documentos acadêmicos adulterados seriam usados para permitir que interessados ingressassem ou fossem transferidos irregularmente para cursos de Medicina já em andamento.
As apurações começaram em 2023, depois que um diploma falso foi apresentado a um Conselho Regional de Medicina. A partir do caso, os investigadores identificaram indícios de uma estrutura organizada e com atuação em diferentes estados.
Principal investigado já havia sido investigado
O principal alvo da operação já havia sido investigado pela Polícia Federal em 2016, em um caso envolvendo suspeitas de fraude no Enem.
Agora, os agentes buscam identificar outros participantes, compradores e possíveis beneficiários do esquema. Documentos, aparelhos eletrônicos e registros financeiros apreendidos durante a operação serão analisados.
Risco para a formação médica
A investigação chama atenção porque envolve uma área em que a formação profissional exige anos de estudos, treinamento prático e acompanhamento especializado.
A utilização de documentos falsos para burlar etapas da formação pode comprometer a credibilidade do ensino médico e, principalmente, a segurança dos pacientes, caso pessoas sem a formação necessária tenham conseguido exercer a profissão.
A PF continua investigando para determinar a extensão do esquema e a responsabilidade individual dos envolvidos. Os suspeitos são considerados investigados e terão sua responsabilidade definida no decorrer do processo judicial.
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