Cientistas britânicos vão criar mini órgãos humanos em laboratório para testar medicamentos

Projeto de £ 20 milhões em Cambridge pretende usar tecidos de pacientes para desenvolver modelos de órgãos e reduzir a dependência de testes em animais
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA 

Cientistas do Reino Unido deram um novo passo para transformar a maneira como medicamentos são desenvolvidos e testados. Um novo centro de pesquisa em Cambridge receberá £ 20 milhões para produzir versões em miniatura de órgãos humanos a partir de células e tecidos de pacientes do sistema público de saúde britânico.

Os chamados organoides são pequenas estruturas desenvolvidas em laboratório que reproduzem algumas características e funções de órgãos humanos. A proposta é utilizá-los para estudar doenças e verificar como diferentes medicamentos podem agir no organismo antes que os tratamentos avancem para outras etapas de desenvolvimento.

A iniciativa faz parte de um investimento de £ 22 milhões do Reino Unido em novas tecnologias destinadas a reduzir a necessidade de testes em animais. Além do centro de Cambridge, outros nove projetos receberão financiamento para desenvolver métodos alternativos, incluindo modelos de tecido cardíaco e sistemas capazes de prever como medicamentos se movimentam pelo corpo.

O primeiro foco dos pesquisadores será o desenvolvimento de organoides para estudar doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a colite ulcerativa. Também estão previstos modelos de tumores para pesquisas contra o câncer e estruturas semelhantes ao tecido cerebral para investigar doenças neurológicas.

A expectativa é que a tecnologia permita identificar mais rapidamente quais medicamentos têm potencial para funcionar em seres humanos e quais devem ser descartados ainda nas primeiras fases da pesquisa.

O projeto também pode abrir caminho para tratamentos mais personalizados. Como alguns organoides serão produzidos a partir de células de pacientes, os pesquisadores poderão observar respostas que estejam mais próximas da biologia daquele indivíduo.

A iniciativa representa uma mudança importante na pesquisa médica: em vez de depender exclusivamente de modelos animais, cientistas britânicos pretendem ampliar o uso de modelos desenvolvidos a partir de tecidos humanos, buscando resultados mais próximos da realidade dos pacientes.

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