Governo dos EUA deve anunciar medidas mais severas contra Teerã, enquanto o Irã admite não poder sustentar a guerra indefinidamente
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
Os Estados Unidos podem anunciar nesta segunda-feira, 24, uma nova rodada de restrições econômicas contra o Irã, em meio ao aumento das tensões entre Washington e Teerã. A expectativa é de que o governo do presidente Donald Trump apresente medidas mais duras para ampliar a pressão sobre o regime iraniano.
Na última semana, Trump elevou o tom contra Teerã e prometeu uma resposta severa, classificando o momento como um possível “Dia D econômico” na estratégia dos Estados Unidos para enfraquecer a capacidade financeira do regime iraniano.
A nova ofensiva econômica deve ser detalhada pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, durante uma coletiva prevista para esta segunda-feira. Na quinta-feira, 20, Bessent afirmou que Washington pretende aplicar “as sanções mais duras da história” contra o Irã.
Segundo o secretário, o aumento da pressão econômica pode reduzir a necessidade de operações militares de grande escala, ao atingir diretamente as fontes de financiamento e a capacidade do regime de sustentar suas ações.
Divisão interna expõe dificuldades do regime iraniano
Do outro lado do conflito, declarações recentes indicam que há divergências dentro da própria liderança iraniana sobre os rumos da guerra e a capacidade do país de manter o confronto por tempo indeterminado.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou no domingo, 23, que o país “não pode continuar em guerra para sempre”, sinalizando preocupação com os custos políticos, militares e econômicos do conflito.
A declaração chama atenção porque ocorre justamente no momento em que os Estados Unidos intensificam a pressão sobre Teerã. O reconhecimento público das dificuldades enfrentadas pelo país pode revelar um cenário de crescente desgaste interno no regime iraniano.
Pressão econômica também chega aos Estados Unidos
As tensões no Oriente Médio já provocam reflexos na economia global. Os preços dos combustíveis permanecem elevados nos Estados Unidos, enquanto o mercado teme possíveis interrupções no fornecimento de petróleo.
Uma autoridade do Federal Reserve alertou que a meta de inflação americana pode enfrentar dificuldades enquanto o conflito persistir.
Mesmo diante dos impactos internos, a estratégia de Trump é ampliar a pressão econômica sobre Teerã, buscando enfraquecer a capacidade do regime iraniano de financiar suas operações militares sem que os Estados Unidos precisem recorrer imediatamente a uma intervenção militar de grande escala.
Irã ameaça bloquear Estreito de Ormuz em resposta à pressão dos EUA
A resposta iraniana elevou as preocupações sobre uma possível escalada. O chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, prometeu “neutralizar a guerra econômica” promovida pelos Estados Unidos.
Rezaei sugeriu ainda a possibilidade de interromper o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio mundial de energia.
O dirigente iraniano também alertou países vizinhos sobre possíveis retaliações caso colaborem com os Estados Unidos.
No setor marítimo, o Irã continua permitindo a passagem de algumas embarcações pela região, incluindo petroleiros iraquianos. No entanto, o movimento permanece reduzido em comparação com os níveis habituais.
Dados da MarineTraffic indicam que pelo menos cinco embarcações cruzaram a região nas últimas 24 horas, entre elas três petroleiros e dois navios de carga com destino ao Golfo de Omã.
Diplomacia ocorre em paralelo à escalada
Em meio ao aumento da pressão econômica e às ameaças envolvendo as rotas marítimas, o Irã também tenta fortalecer contatos diplomáticos na região.
O chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, tem visita prevista a Teerã nesta segunda-feira, 24, para reuniões com líderes iranianos, segundo informações divulgadas pela mídia estatal do país.
A visita ocorre em um momento delicado para o regime iraniano, que enfrenta simultaneamente pressão econômica dos Estados Unidos, tensões militares e sinais de divergência dentro de sua própria liderança.
Com Donald Trump prometendo medidas econômicas ainda mais severas, a expectativa agora se concentra no anúncio desta segunda-feira. Caso a nova rodada de sanções seja confirmada nos termos antecipados por Scott Bessent, Washington poderá ampliar significativamente o cerco financeiro contra Teerã.
A estratégia de Trump representa uma nova demonstração de força dos Estados Unidos: pressionar economicamente o regime iraniano, enfraquecer sua capacidade de reação e aumentar o custo da continuidade do conflito sem, inicialmente, depender de uma guerra militar de grandes proporções.
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