Autoridades de Massachusetts mantêm restrição na Bacia Inferior e alertam moradores, atletas e donos de animais sobre os riscos da exposição à água contaminada
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA
Um alerta de saúde pública relacionado a uma proliferação de cianobactérias no Rio Charles foi ampliado em Massachusetts e passou a abranger uma área ainda mais extensa da Bacia Inferior do rio. A atualização feita pelo Departamento de Saúde Pública de Massachusetts (DPH) determina que o público evite contato com a água em todos os pontos a jusante do edifício Duan Family Center for Computing & Data Sciences, da Boston University, conhecido como “Jenga Tower”, após análises identificarem concentrações de cianobactérias acima das diretrizes estaduais para águas recreativas. A recomendação inclui nadadores, remadores, praticantes de esportes aquáticos e proprietários de animais.
A expansão ocorreu em 28 de agosto, quando o DPH ampliou a área do aviso que havia sido emitido inicialmente em 21 de agosto para o trecho abaixo da Ponte Harvard, também conhecida como ponte da Massachusetts Avenue. A nova delimitação levou o alerta mais para montante, incluindo a região do MIT Boathouse, e mantém sob restrição todo o trecho afetado até a foz do Charles. A orientação oficial é válida por tempo indeterminado, até que novas análises indiquem que os níveis de cianobactérias voltaram a patamares considerados seguros.
Expansão chama atenção na região metropolitana
Apesar de o avanço do alerta ocorrer no sentido rio acima e atingir uma área utilizada por clubes de remo, corredores, ciclistas, passeadores de cães e frequentadores das margens do Charles, Newton não está incluída na área oficialmente indicada pelo DPH para o atual alerta da Bacia Inferior. A lista estadual de avisos, atualizada em 1º de setembro, identifica especificamente a Bacia Inferior do Charles a jusante da ponte da Massachusetts Avenue, abrangendo Boston e Cambridge.
A preocupação, portanto, está concentrada no trecho oficialmente identificado pelas autoridades, mas o episódio chama atenção para a necessidade de acompanhamento contínuo da qualidade da água do Charles. A Charles River Watershed Association (CRWA), organização dedicada à proteção e recuperação da bacia hidrográfica, informou que a área atingida pelo florescimento atual se estende desde o entorno da Boston University até a foz do rio.
Como o problema foi identificado
A investigação começou depois que uma amostragem realizada em 19 de agosto identificou uma concentração elevada de cianobactérias na Bacia Inferior. Segundo a CRWA, a análise foi realizada por Marielena Lima, estagiária de Ciências do Rio da organização, que observou as amostras ao microscópio e comunicou os resultados às autoridades. O DPH posteriormente realizou uma avaliação para confirmar a presença da proliferação.
O primeiro alerta foi emitido em 21 de agosto, quando as autoridades identificaram níveis de cianobactérias superiores às recomendações estaduais para áreas utilizadas em atividades recreativas. Em 28 de agosto, diante da situação observada no rio, o DPH ampliou a região sob advertência.
Por que as cianobactérias preocupam
Cianobactérias são microrganismos que ocorrem naturalmente em ambientes de água doce, mas determinadas condições podem favorecer uma multiplicação rápida e formar as chamadas florações algais nocivas, conhecidas como CyanoHABs. Algumas espécies são capazes de produzir cianotoxinas que podem provocar problemas de saúde em pessoas e animais.
O risco é especialmente relacionado à ingestão da água ou de material contendo as cianobactérias. De acordo com o Departamento de Saúde Pública de Massachusetts, a exposição pode provocar sintomas gastrointestinais, enquanto determinadas toxinas podem afetar o fígado ou o sistema neurológico. O contato também pode causar irritação nos olhos e na pele, e a inalação de gotículas contaminadas pode provocar sintomas semelhantes aos de problemas respiratórios. Crianças pequenas e animais domésticos estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos das toxinas.
Outro ponto importante é que não é possível determinar apenas pela aparência se uma proliferação de algas é tóxica ou não. A identificação das toxinas depende de análises específicas. Por isso, as autoridades recomendam evitar qualquer contato com a água e com áreas onde haja concentração visível de algas.
Cães estão entre os principais alvos do alerta
Os cuidados são particularmente importantes para quem leva animais às margens do Charles. Cães podem entrar na água, beber o conteúdo contaminado ou ingerir material de algas acumulado na margem. Eles também podem lamber as patas e o pelo depois de passar por áreas afetadas.
A Comissão de Saúde Pública de Boston orienta que proprietários procurem atendimento veterinário imediatamente caso um cão exposto apresente sintomas como vômitos, salivação excessiva, perda de coordenação ou convulsões. Os sinais podem aparecer pouco tempo depois da exposição.
Quando o alerta poderá ser retirado?
Ainda não há uma data definida para o encerramento da recomendação. O DPH continuará acompanhando a situação e realizará novas coletas quando a proliferação apresentar sinais de redução. Para que um aviso possa ser retirado, o departamento exige duas rodadas de amostras, coletadas com uma semana de intervalo, apresentando resultados abaixo do limite estadual de 70 mil células de cianobactérias por mililitro de água.
O Massachusetts DPH mantém uma lista atualizada das áreas sob alerta. Na atualização de 1º de setembro, o Charles River Lower Basin permanecia entre os locais com recomendação ativa. A população deve consultar as informações oficiais antes de realizar atividades recreativas na água e evitar qualquer área indicada pelas autoridades enquanto o alerta estiver em vigor.
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