Ex-dono do Master disse que colaboração envolveria o ‘núcleo do governo’ e citou chefe da PF
Por Ana Raquel |GNEWSUSA
O empresário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, prestou depoimento à equipe do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas declarações, prestadas a pedido de sua defesa, Vorcaro afirmou que pretendia incluir nomes ligados ao núcleo do governo do presidente Lula em uma eventual colaboração premiada e alegou que tentativas anteriores de acordo não avançaram devido a uma suposta blindagem ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
As afirmações trazem novos elementos aos bastidores das investigações e colocam em evidência as articulações políticas e institucionais citadas pelo ex-banqueiro.
Alegações de blindagem e proximidade com a direção da PF
Em seu relato, Vorcaro pontuou que suas tentativas de fechar um acordo de delação foram travadas porque agentes da Polícia Federal estariam atuando para proteger o diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues.
Segundo o ex-banqueiro, Rodrigues seria um dos citados no acordo. Ele relatou que mantinha uma relação de proximidade com a autoridade policial, afirmando que ambos se encontravam antes do deflagrar da Operação Compliance Zero e que o diretor-geral teria chegado a viajar para eventos ao seu lado.
“Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo Lula”, afirmou Vorcaro durante o depoimento.
Relações com o atual governo e limites ultrapassados
Vorcaro explicou que as pontes construídas com integrantes do atual governo surgiram como uma forma de se resguardar contra pressões e ataques que afirmava sofrer no setor.
Ele ressaltou que, durante esse convívio, foram ultrapassadas “linhas de moralidade” e “linhas de ilicitude”, pontos sobre os quais pretendia prestar esclarecimentos oficiais. O empresário admitiu falhas pessoais no processo, mas buscou ponderar as acusações que pesam contra ele: “Eu não sou perfeito, eu errei, eu errei mesmo, eu quero falar no que eu errei”, declarou, acrescentando que os fatos divulgados publicamente não correspondem inteiramente à realidade.
Inviabilidade do modelo tradicional de colaboração
Apesar do teor das declarações, Vorcaro ressaltou que não estava fazendo uma acusação direta à instituição da Polícia Federal como um todo.
Ele ponderou que, diante da gravidade dos fatos, das pessoas envolvidas e dos interesses políticos em jogo, a construção de um acordo de colaboração premiada tornou-se inviável pelos trâmites convencionais. Por esse motivo, a defesa do ex-banqueiro recorreu ao Supremo Tribunal Federal para apresentar suas alegações.
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