Notificações envolvem usuários de Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro; agência apura possível relação com uma doença rara que pode provocar perda súbita e permanente da visão
Por Tatiane Martinelli | GNEWSUSA
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de uma doença ocular rara em pessoas que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”.
Os casos estão relacionados à suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, conhecida pela sigla NOIA ou NOIANA. A condição afeta o nervo óptico e pode provocar perda repentina da visão.
Entre os medicamentos citados nas notificações estão Ozempic, Wegovy, Wegovy FlexTouch, Rybelsus e Mounjaro. Segundo informações divulgadas pela Anvisa, 12 dos 13 casos envolvem medicamentos à base de semaglutida, enquanto um está relacionado à tirzepatida.
Relação ainda não foi comprovada
A Anvisa ressalta que os 13 registros estão sendo investigados e que a existência de uma notificação não significa que o medicamento tenha causado a doença.
Em casos de farmacovigilância, a agência analisa diferentes informações para verificar se existe uma possível relação entre determinado medicamento e um evento adverso. Portanto, os relatos atualmente analisados não permitem afirmar que as chamadas canetas emagrecedoras tenham provocado a perda de visão nos pacientes.
A investigação busca justamente determinar se existe uma associação que possa representar um risco relacionado aos medicamentos.
O que é a doença investigada?
A NOIA é uma condição que ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo para o nervo óptico, estrutura responsável por transmitir as informações visuais do olho para o cérebro. Um dos principais sinais é uma alteração súbita da visão, geralmente sem dor e, em muitos casos, afetando apenas um dos olhos.
A perda visual pode ser significativa e, dependendo do caso, pode se tornar permanente. Por isso, alterações repentinas na visão devem ser avaliadas rapidamente por um profissional de saúde.
A Anvisa já havia emitido um alerta sobre o tema em junho de 2025. Na ocasião, a agência informou que a NOIA havia sido identificada como uma reação adversa “muito rara” associada à semaglutida e determinou a inclusão da informação nas bulas de medicamentos como Ozempic, Rybelsus e Wegovy.
Mais de 50 notificações já haviam sido registradas
Antes da investigação atual, o sistema brasileiro de farmacovigilância já havia recebido cerca de 52 notificações de suspeitas de distúrbios oculares relacionados ao uso de medicamentos com semaglutida.
Esses registros também não significam, isoladamente, que todos os problemas oculares tenham sido provocados pelo medicamento. As notificações servem justamente para que as autoridades possam identificar possíveis sinais de segurança e avaliar os riscos associados aos tratamentos.
Quais medicamentos estão envolvidos?
As 13 notificações atualmente investigadas foram associadas aos seguintes medicamentos:
- Ozempic — cinco casos;
- Wegovy — três casos;
- Wegovy FlexTouch — dois casos;
- Mounjaro — um caso;
- Rybelsus — dois casos.
Ozempic, Wegovy e Rybelsus têm como princípio ativo a semaglutida. Já o Mounjaro utiliza a tirzepatida.
Esses medicamentos são utilizados principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, embora tenham ganhado grande popularidade nos últimos anos devido ao efeito sobre o controle da glicemia, do apetite e do peso corporal.
Fabricantes dizem acompanhar os casos
A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, Wegovy e Rybelsus, afirmou que a segurança dos pacientes é prioridade e que acompanha os dados de segurança relacionados à semaglutida.
Segundo a empresa, os dados disponíveis até o momento não permitem confirmar uma relação causal entre a semaglutida e a NOIA. A companhia também informou que continua realizando o monitoramento de segurança dos medicamentos.
A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, também declarou que acompanha e avalia continuamente informações relacionadas à segurança de seus medicamentos, incluindo possíveis eventos oftalmológicos.
Anvisa orienta atenção aos sinais de alerta
A existência da investigação não significa que pessoas que utilizam esses medicamentos devam interromper o tratamento por conta própria. A orientação é que qualquer mudança repentina na visão seja levada imediatamente ao conhecimento de um profissional de saúde.
Em seu alerta anterior, a Anvisa orientou que pacientes que apresentem perda súbita da visão, visão turva ou piora rápida da capacidade visual procurem atendimento médico imediatamente.
Desde 2025, medicamentos agonistas do receptor GLP-1, incluindo os que contêm semaglutida, também passaram a ter regras mais rigorosas para venda no Brasil, com retenção da receita médica nas farmácias.
Investigação continua
A Anvisa continua analisando as notificações para verificar se existe uma relação entre os medicamentos e os casos de NOIA.
Por enquanto, o principal ponto é que há relatos sendo investigados, mas não existe uma confirmação de que os medicamentos tenham causado os casos de perda de visão. A investigação faz parte do sistema de farmacovigilância, que acompanha possíveis eventos adversos mesmo depois que medicamentos já estão disponíveis para a população.
Para quem utiliza esses tratamentos, a recomendação é manter o acompanhamento médico e não alterar ou suspender a medicação sem orientação profissional.
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