EUA anunciam nova estratégia para combater doenças transmitidas por carrapatos

Iniciativa do governo americano amplia pesquisas para controlar populações de carrapatos e prevenir doenças como Lyme e síndrome alfa-gal
Por Paloma de Sá | GNEWSUSA

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (28) uma nova iniciativa para reforçar o combate às doenças transmitidas por carrapatos. A estratégia reúne esforços de pesquisa e prevenção voltados ao controle desses parasitas e à redução do risco de enfermidades como a doença de Lyme e a síndrome alfa-gal.

A iniciativa foi anunciada pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (HHS), em parceria com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e os Institutos Nacionais de Saúde (NIH). O objetivo é desenvolver maneiras mais eficazes de controlar os carrapatos e interromper a transmissão de doenças antes que esses animais tenham contato com seres humanos.

Entre as frentes de pesquisa está o desenvolvimento de estratégias capazes de atingir carrapatos presentes em animais e no ambiente. A proposta é reduzir a quantidade desses parasitas e, consequentemente, diminuir as oportunidades de transmissão de agentes causadores de doenças.

Doença de Lyme continua sendo uma preocupação

A doença de Lyme está entre as principais doenças transmitidas por carrapatos nos Estados Unidos. A infecção é causada por bactérias do gênero Borrelia e pode provocar sintomas como febre, dor de cabeça, cansaço e uma característica lesão na pele em alguns pacientes.

Segundo dados apresentados pelo HHS, mais de 476 mil americanos são diagnosticados com a doença de Lyme a cada ano, considerando estimativas baseadas em diagnósticos e tratamento. O governo americano estabeleceu ainda a meta de reduzir em 25% o número de casos até 2035, em comparação com os níveis registrados em 2022.

O problema ganhou ainda mais atenção neste ano após dados do CDC apontarem aumento nas visitas semanais aos serviços de emergência relacionadas a picadas de carrapatos durante a temporada de maior atividade desses parasitas. A recomendação das autoridades continua sendo evitar picadas e retirar rapidamente um carrapato que esteja preso à pele.

Síndrome alfa-gal pode provocar alergia à carne

Outra preocupação incluída na nova estratégia é a síndrome alfa-gal, uma condição alérgica que pode surgir depois da picada de determinados carrapatos.

Diferentemente de uma alergia alimentar convencional, a síndrome está relacionada a uma molécula de açúcar chamada alfa-gal, presente em carnes de mamíferos e em outros produtos de origem animal. Pessoas sensibilizadas podem apresentar reações alérgicas após consumir determinados alimentos ou entrar em contato com produtos que contenham a substância.

As reações podem variar de sintomas gastrointestinais e urticária até quadros graves, incluindo anafilaxia. O HHS estima que quase 500 mil pessoas nos Estados Unidos possam estar vivendo com a síndrome, embora o número real possa ser maior.

A condição também vem recebendo atenção da comunidade científica. Em setembro, pesquisadores do NIH identificaram anticorpos raros que, em estudos laboratoriais, conseguiram bloquear a ligação de anticorpos associados à reação alérgica à alfa-gal. A descoberta ainda precisa passar por etapas adicionais de pesquisa antes que possa resultar em uma estratégia de prevenção ou tratamento.

Pesquisa busca agir antes da doença

A principal mudança representada pela iniciativa anunciada pelo governo americano é o esforço para atuar não apenas depois que uma pessoa é infectada ou desenvolve uma reação alérgica, mas também na própria cadeia de transmissão.

Ao estudar formas de controlar os carrapatos e reduzir sua presença em animais e determinadas áreas, os pesquisadores esperam diminuir a exposição da população e prevenir novos casos.

O governo também mantém investimentos em pesquisas relacionadas à doença de Lyme e a outras enfermidades transmitidas por carrapatos, incluindo estudos sobre prevenção, diagnóstico e tratamento.

A expectativa é que os novos projetos ajudem a identificar métodos de controle mais eficientes e contribuam para uma resposta de saúde pública mais preventiva.

Alerta para a população

Apesar dos novos investimentos em pesquisa, as autoridades americanas continuam destacando que a prevenção individual é fundamental. Evitar áreas com grande presença de carrapatos, utilizar medidas de proteção ao permanecer ao ar livre e verificar o corpo após atividades em regiões de risco estão entre as estratégias recomendadas para diminuir a possibilidade de picadas.

A retirada rápida do carrapato também é importante. De acordo com o CDC, remover um carrapato preso à pele o quanto antes pode reduzir o risco de transmissão da doença de Lyme.

Com a nova iniciativa, o governo dos Estados Unidos busca ampliar essa prevenção para além dos cuidados individuais, investindo também no controle dos próprios vetores. A proposta é reduzir a circulação dos carrapatos e, dessa forma, atacar uma das principais origens das doenças que eles podem transmitir.

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